Dois cães da raça pitbull soltos e em fúria atacavam outro cachorro em frente a um portão quando a guarnição da Polícia Militar chegou ao local, em Canoinhas, no Norte de Santa Catarina. Os animais já haviam ferido outro cão antes da chegada da equipe e continuavam engalfinhados com os cachorros da casa. No meio da briga estava o dono dos pitbulls, que impedia a aproximação dos policiais e dos socorristas.
A situação se deteriorou nos primeiros minutos. Segundo a Polícia Militar, os cães estavam notadamente agressivos e ofereciam risco de ataque iminente a qualquer pessoa que se aproximasse, incluindo o próprio dono. Diante da dificuldade de contenção, a guarnição solicitou apoio de outra equipe pelo Copom.
Em determinado momento, a equipe conseguiu chegar perto o suficiente para tentar laçar os animais com uma corda. A manobra não foi concluída porque o dono não permitiu que os policiais e socorristas assumissem o controle dos cães. Os pitbulls acabaram escapando das mãos dele.

Livre, um dos cães avançou diretamente contra o chefe da guarnição de socorro. Foi nesse instante que a Polícia Militar empregou a força e abateu o animal. O segundo pitbull também havia escapado e seguia representando perigo às pessoas no local, e foi abatido em seguida.
Por que a guarnição usou arma de fogo
A corporação sustenta que o uso da arma de fogo evitou uma lesão grave. Pelo porte e pela força dos animais, um integrante da guarnição poderia ter sido seriamente ferido caso a investida se concretizasse. A raça tem alta letalidade quando o ataque se completa e o cão consegue fixar a mordida na vítima, o que reduz a margem de manobra de quem tenta separar os animais no meio da rua.
Enquanto a contenção acontecia, a ocorrência ganhou um segundo foco de tensão. Um grupo de homens se formou em volta e passou a atirar pedras contra a guarnição. A equipe de apoio, acionada pelo Copom, encontrou os policiais sob apedrejamento ao chegar.
Um dos policiais viu um dos homens pegar metade de um tijolo para arremessar em direção a outro integrante da equipe. Para conter a investida, o militar efetuou disparos com munição de menor potencial ofensivo, de calibre 12. Ainda assim, pedras atingiram as mãos de um dos policiais durante a ação.
O homem recebeu voz de prisão e correu para casa. Ele se trancou dentro de um estúdio de tatuagem no imóvel, e a guarnição precisou arrombar a porta para efetuar a detenção. Já detido, ele desacatou os militares.
Só porque vocês usam essa farda de merda vocês se acham homem, seus verme
Dono avançou contra os policiais ao ver os cães mortos
Os desacatos se multiplicaram no local. Pessoas ao redor xingavam a guarnição e incitavam os demais presentes contra a atuação policial, afirmando que os agentes não deveriam estar fazendo aquilo com os cachorros. Um adolescente, filho do dono dos animais, também chegou alterado e passou a xingar policiais e bombeiros.
O dono dos pitbulls recebeu atendimento ainda no local. Ele se recusou a ser conduzido à UPA para avaliação médica e assinou a ficha de recusa. Momentos depois, ao olhar os dois cães mortos, ficou bastante alterado, avançou contra os policiais aos gritos e disse que teriam de abatê-lo também. A guarnição precisou contê-lo e efetuar a prisão, sem alternativa para encerrar a ocorrência no local.
O caso foi registrado com uma sequência de fatos: dano ao patrimônio, desacato, desobediência, incitação ao crime, lesão corporal culposa, omissão de cautela na guarda de animal e resistência. A omissão de cautela recai sobre quem deixa animal perigoso solto ou sem contenção adequada em via pública.
Os dois homens foram conduzidos e a ocorrência segue em apuração. As circunstâncias do ataque inicial, os danos causados aos cães da residência e a responsabilidade pela guarda dos pitbulls devem ser esclarecidos no procedimento aberto a partir do registro policial.















