A Polícia Militar foi acionada duas vezes para a mesma casa da Tapera da Base, no Sul da Ilha de Florianópolis, na manhã desta segunda-feira (7), depois que uma moradora denunciou que um homem teria importunado sexualmente a filha dela, ainda menina, na noite anterior, e que ele havia voltado ao endereço da família. Horas depois, o acusado deu entrada no hospital com o rosto quebrado.
O primeiro chamado chegou pouco antes das 7h, por telefone. A moradora contou que o homem, identificado como Carlos Eduardo, estava novamente no local e pediu apoio policial. O atendimento foi classificado dentro do grupo de crimes contra a dignidade sexual, com o fato registrado como importunação sexual.
Poucos minutos depois, a mesma mulher fez novo contato com a central de emergência. Relatou que o homem continuava dentro da casa e que havia risco de ele e um familiar entrarem em vias de fato. Ela dizia estar tentando conter a situação enquanto aguardava a chegada da guarnição.
Foragido por bater e ameaçar mulher no Paraná
O nome informado à central mudou o rumo do atendimento. Carlos Eduardo Batista, de 47 anos, era foragido da Justiça. A ordem de prisão foi expedida em 3 de junho deste ano pela Vara Criminal da comarca de Telêmaco Borba, no Paraná, com validade até 2038.
O mandado é de regressão cautelar, e o motivo não tem relação com crime sexual. Batista cumpria pena em regime aberto por lesão corporal em contexto de violência doméstica e ameaça, previstas nos artigos 129, parágrafo 9º, e 147 do Código Penal. Ele descumpriu as condições, o juiz regrediu o regime para o semiaberto e determinou a prisão. Restava cumprir 1 ano, 5 meses e 28 dias.
O homem acusado agora de mexer com uma menina em Florianópolis, portanto, já era procurado por bater e ameaçar mulher dentro de casa no Paraná.
Com a identificação do mandado, a ocorrência passou a ser registrada como cumprimento de mandado de prisão, com nível de risco operacional 3, e permaneceu em andamento por quase cinco horas na manhã do feriado.
Nariz fraturado e cirurgia de urgência
Ainda na manhã de segunda-feira, Carlos Eduardo Batista deu entrada no Hospital Governador Celso Ramos, no Centro de Florianópolis, com ferimentos no rosto e nos braços.
Uma tomografia da face apontou fratura dos ossos próprios do nariz e inchaço nos tecidos moles, mais acentuado do lado esquerdo. O quadro foi descrito no atendimento como decorrente de agressão física.
Ele também recebeu indicação de cirurgia de urgência por uma lesão ortopédica. Exames pré-operatórios foram coletados no mesmo dia e ele foi encaminhado para avaliação com anestesista. Um atestado emitido pela unidade prevê 90 dias de afastamento.
Não há informação oficial sobre quem provocou os ferimentos nem sobre registro de ocorrência a respeito das agressões. O chamado inicial da moradora já apontava o risco de confronto físico dentro da residência, mas nenhuma versão sobre a autoria foi confirmada até a publicação desta reportagem.
A importunação sexual é crime desde 2018, quando passou a integrar o Código Penal com pena de 1 a 5 anos de reclusão. Quando a vítima é criança ou adolescente, a conduta pode ser enquadrada em tipos penais mais graves, com penas que chegam a 15 anos. O enquadramento definitivo depende da apuração e da idade da vítima, que não foi divulgada.
Até a publicação desta reportagem, a Polícia Militar não havia divulgado o desfecho do cumprimento do mandado de prisão. A denúncia de natureza sexual deve ser apurada pela Polícia Civil. A identidade da menina e de sua família é preservada.















