Cadela abusada em Navegantes é devolvida à família do autor e população se revolta
A cadela, resgatada após denúncia de abuso sexual, voltou para a guarda do filho do investigado, o que gerou indignação entre moradores e protetores de animais.
Por Equipe Jornal Razão·3 out 2025·5 min de leitura·Atualizado há 10 meses
Foto: Reprodução
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O caso de maus-tratos a uma cadela da raça Dogue Alemão em Navegantes continua repercutindo fortemente na cidade e nas redes sociais. A revolta da população aumentou depois da confirmação de que o animal foi devolvido à família do acusado. A cadela, resgatada após denúncia de abuso sexual, voltou para a guarda do filho do investigado, o que gerou indignação entre moradores e protetores de animais.
O suspeito, um idoso morador da cidade, foi formalmente indiciado pela Polícia Civil por maus-tratos com prática de zoofilia, conforme prevê o artigo 32, §1º-A da Lei 9.605/98. A legislação estabelece pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa e proibição de guarda de animais. Apesar disso, ele não foi preso. O inquérito policial já foi concluído e encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se apresenta ou não denúncia formal à Justiça.
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Durante sessão da Câmara de Vereadores, a delegada Patrícia, que também exerce mandato no município, foi à tribuna para esclarecer pontos do processo e rebater informações que circulam sobre o caso. “Não houve devolução do cachorro ao investigado. O animal foi entregue ao tutor legal, que é o filho dele. A polícia não devolve bem de ninguém para ninguém, eu não sou juiz para determinar isso”, afirmou.
Ela também destacou os limites impostos pela lei em situações desse tipo. “É revoltante, sim, mas nosso sistema não prevê surra em praça pública. Mesmo quando há prisão em flagrante, a regra é que a pessoa responda ao processo em liberdade. A prisão preventiva é exceção da exceção”, explicou.
As declarações, no entanto, não diminuíram a indignação popular. Em grupos de WhatsApp e nas redes sociais, moradores criticam a condução do caso e questionam como o cão pôde retornar ao convívio da família do investigado.
A revolta também chegou às ruas, com manifestações pedindo justiça e penas mais severas em crimes contra animais. “A cadela não pode falar nem se defender, mas a população pode e vai lutar por ela”, escreveu outro internauta.
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Agora, a expectativa está voltada ao Ministério Público, que deve decidir se oferecerá denúncia formal à Justiça com base no indiciamento da Polícia Civil. Até lá, o suspeito permanece em liberdade, protegido pela presunção de inocência, mas sob forte pressão social e com o caso mobilizando toda a comunidade de Navegantes.
O caso acabou gerando também um ambiente de hostilidade e ameaças. A secretária do Bem-Estar Animal de Navegantes, Sol, relatou ter sido alvo de mensagens agressivas e até de vigilância em frente à própria residência. A delegada Patrícia classificou a situação como “surreal” e alertou que esse tipo de conduta também configura crime. “É insano ameaçar a integridade de uma secretária que apenas cumpriu seu dever. A sociedade não pode se unir para cometer outro crime em nome da revolta”, afirmou.