“Um cachorro faz o trabalho de 30 policiais dentro de uma cela ou dentro dum carro.” A comparação é de Jonas Gabriel Cordeiro Rosa, supervisor do plantão e cinotécnico do canil da Polícia Penal de Santa Catarina em São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis. Os cães K9 da divisão são preparados para localizar drogas, armas de fogo e dispositivos eletrônicos e viraram aliados das operações de segurança pública.
O canil faz parte da Divisão de Operações com Cães (DOC) da Polícia Penal. Segundo Jonas, a equipe tem hoje dois cães comprados pelo Estado e outros que pertencem aos próprios operadores, que treinam junto e integram a divisão por um termo de cooperação.
Sem contato com droga
Jonas desfaz um mito comum sobre o treino. “Não tem contato nenhum com droga, não tem contato nenhum com odor, com compostos voláteis de substâncias ruins”, afirma. O faro é ensinado com pseudo-odores, cheiros produzidos em laboratório que imitam o das substâncias procuradas.
O método é o reforço positivo. A equipe recompensa o comportamento que quer ver repetido, e a recompensa é a brincadeira. “Eles fazem tudo pela bolinha”, diz o supervisor.

Em 40 a 50 dias, a equipe completa a formação de um cão de faro. Depois disso, outros odores entram no treino. “Eles fazem eletrônicos, fazem narcóticos, entorpecentes, fazem arma de fogo”, conta Jonas.
Das 6h às 19h, todos os dias
A rotina dos cães começa às 6h e termina às 19h, todos os dias. Ela inclui alimentação, limpeza, brincadeiras, preparação física e treino, com duas sessões pela manhã e duas à tarde. No canil, faixas e troféus de campeão de faro mostram o resultado do trabalho da equipe.

Malinois, pastor alemão e a Chloe
Para Jonas, o pastor belga malinois é o cão perfeito para a força policial: é rústico, raramente fica doente e trabalha com muita intensidade. “Se deixar, a gente treina o dia todo, trabalha o dia todo e à noite ele vai tá pronto ainda”, diz.

O pastor alemão também tem lugar na equipe, pelo controle e pelo temperamento equilibrado, que permite levar o cão do dia a dia para eventos. E a divisão ganhou uma integrante pequena: a Chloe, uma Jack Russell Terrier, a mesma raça do Milo do filme “O Máskara”.
A Chloe tem 2 anos e meio e está há seis meses na DOC. Formada no faro, ela visita escolas, creches e a APAE em ações de cinoterapia, a terapia assistida por cães, e trabalha dentro de cadeias, rodoviárias e aeroportos, onde o porte pequeno ajuda. “Não tem essa questão de raça. Vai do vira-lata até o cão mais caro”, resume Jonas.

“A gente tem um amigo aqui”
Jonas lamenta que o Brasil ainda não tenha cultura canina. Segundo ele, quando o brasileiro, e principalmente o catarinense, entender que o cão é uma ferramenta de extrema importância, vai ver o quanto ele facilita o trabalho do policial. “O odor não tem como fugir do cachorro”, afirma. “Não tem erro, ele não erra.”

Para quem trabalha com eles, a parceria vai além da operação. Os plantões são de 24 ou 48 horas, e Jonas diz que volta renovado para casa. “A gente tem um amigo aqui, e é recebido pela família em casa também, então é muito bom.”
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