O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina localizou no fim da tarde desta quinta-feira (20) o corpo de Odir Coelho, de 59 anos, no Rio Cubatão, em Santo Amaro da Imperatriz, na Grande Florianópolis. Ele teria ido até o rio para ajudar a procurar o pequeno Enzo, de 6 anos, e não voltou mais.
Segundo a corporação, o corpo foi encontrado por volta das 18h, próximo à região da ponte do Nilo, depois de um sobrevoo sobre a área. A localização ocorreu poucas horas depois de as equipes encontrarem o menino, no mesmo dia e no mesmo rio.
Ele foi ajudar a procurar o menino e não voltou
O desaparecimento de Odir foi comunicado ao Corpo de Bombeiros na terça-feira (18) por familiares, mas, segundo o CBMSC, ele havia sumido ainda na segunda-feira (17), o mesmo dia em que o menino foi arrastado pela correnteza.
Relatos repassados às equipes indicam que ele seguiu em direção à margem do rio e não retornou. De acordo com o sargento Douglas Coelho da Silva, comandante do Pelotão do Corpo de Bombeiros de Santo Amaro da Imperatriz, a hipótese trabalhada é a de que Odir tenha ido até o local justamente para participar das buscas pela criança.
Temos um senhor de 59 anos de idade que também desapareceu, possivelmente com a intenção de ajudar nas buscas. Ele foi em direção ao rio e depois não foi mais visto
Imagens de uma câmera de monitoramento registraram o homem passando por uma ponte próxima ao trecho onde o menino havia desaparecido horas antes.
Duas ocorrências, uma só operação
Os bombeiros sempre trataram os casos como ocorrências distintas e sem ligação direta entre si. Mas, como os dois desaparecimentos aconteceram praticamente no mesmo ponto do Rio Cubatão, a corporação unificou a logística das equipes e passou a conduzir uma operação única, com duas frentes de busca.
O menino desapareceu por volta das 11h de segunda-feira, nas proximidades da Rua Águias Delta, no bairro Fabrício. Ele estaria acompanhado do primo, de 12 anos, e os dois davam banho em um cachorro na beira do rio. Segundo o relato repassado às equipes, o animal teria se afogado, o menino teria tentado salvá-lo, foi surpreendido pela força da água e submergiu.
Quatro dias de buscas
A operação começou ainda na segunda-feira e cresceu a cada dia. O primeiro dia terminou por volta das 17h, com nove bombeiros, mergulhadores, embarcação e drone. Na terça-feira, a força-tarefa ganhou um bote inflável equipado com sonar para escanear o leito do rio, uma segunda embarcação e um binômio formado por militar e cão de busca nas margens.
Na quarta-feira (19), a operação chegou ao maior contingente: 15 bombeiros em campo, dois drones, duas embarcações, dois caiaques, sonar e cão de busca, com o perímetro ampliado para cerca de 10 quilômetros ao longo da calha do rio. Naquele dia, o cão farejador demonstrou interesse olfativo em áreas próximas ao ponto do desaparecimento, o que orientou as varreduras seguintes dos mergulhadores.
Os trabalhos foram encerrados por volta das 19h30 de quarta e retomados às 7h desta quinta-feira. Ao todo, mais de 40 bombeiros, entre militares e comunitários, passaram pela operação.
A cidade acompanhou tudo da margem
Durante os quatro dias, Santo Amaro da Imperatriz viveu em torno do rio. Moradores acompanharam as buscas das margens, levaram comida e água para as equipes, e uma empresa de rafting da região cedeu dois caiaques para que os bombeiros alcançassem trechos de difícil acesso.
Na quarta-feira, um voluntário encontrou um pequeno barquinho com uma vela acesa e uma bandeira do Divino Espírito Santo boiando na correnteza, colocado ali por moradores seguindo um costume antigo do interior catarinense. A cena percorreu Santa Catarina e virou o símbolo da mobilização.
Com a localização dos dois corpos, as buscas no Rio Cubatão foram encerradas.
































