A caminhada começou pela Casas Bahia, mas o deputado estadual Alex Brasil (PL) resolveu seguir andando pelo Centro de Florianópolis para provar, segundo ele, que a rede não é caso isolado. Com o celular na mão, o parlamentar percorreu quarteirão por quarteirão da Felipe Schmidt e do entorno do Mercado Público apontando o que encontrava pelo caminho: portas de aço baixadas, vitrines vazias, placas de encerramento das atividades e salas vagas para alugar, pontos que antes eram comércio.
“Fechado aí, fechado ali, fechado lá”, narra o deputado enquanto avança pela rua. A cada esquina, a câmera para diante de outra fachada sem letreiro. “São muitos estabelecimentos fechados, são muitos empreendedores que, infelizmente, viram seu empreendimento falir”, diz em outro trecho da gravação, publicada em suas redes sociais.
O ponto de partida do percurso é o entorno do Mercado Público Municipal. “Estamos aqui no centro de Florianópolis. Atrás de mim vocês estão vendo o nosso mercado público municipal. E aqui ao meu lado nós temos mais uma unidade que, infelizmente, faliu”, afirma, apontando a câmera para o imóvel fechado ao lado. Logo adiante, registra uma loja em liquidação com aviso de fim das operações e ironiza que o cartaz “podia ter sido um aviso” mais direto.
Salas vagas onde havia loja
O que mais se repete no vídeo, além das portas baixadas, são os cartazes de aluguel. São imóveis que funcionavam como ponto comercial e hoje aparecem vazios, com telefone de contato colado na vidraça, num dos endereços de maior circulação de pedestres de Santa Catarina.
Boleto para negativado
Entre os pontos que continuam abertos, um chamou a atenção do parlamentar: uma loja que anuncia crédito para quem está com o nome sujo. “Uma loja que faz boleto pra negativado. Sabe o que significa?”, questiona, antes de responder ele mesmo.
Na leitura dele, é o retrato do que sobrou do consumo na rua. “Tá todo mundo com o nome sujo na praça. E hoje os comércios que se mantêm de pé têm que fazer esse tipo de operação aqui”, afirma. “Só por isso esse cara ainda não fechou a loja dele.”
Até o McDonald’s
O trecho mais forte da gravação vem quando a caminhada chega a uma unidade fechada do McDonald’s. O deputado usa a marca como termômetro. “A crise é tamanha que aqui em Florianópolis até uma unidade do McDonald’s decretou falência”, diz no vídeo. A caracterização é dele, e a gravação não apresenta documento, processo judicial ou comunicado da empresa que confirme o encerramento nesses termos.
O mesmo vale para a menção à Casas Bahia, que abre o percurso. O parlamentar fala em “milhares de gente agora desempregada” e diz que a rede estaria “à beira da falência”, sem apresentar dados de demissões ou balanço que sustentem os números citados.
A conta dos impostos
O fio que costura o vídeo é tributário. Alex Brasil afirma que “os empreendedores não suportam mais tamanha carga tributária” e cita um percentual de 28% para o novo imposto sobre valor agregado, que classifica como o maior do mundo. Ele não detalha a origem do cálculo. O novo modelo tributário brasileiro ainda está em fase de transição, e a alíquota de referência final depende de regulamentação e de avaliações previstas em lei nos próximos anos.
Para ele, a conta é da carga tributária e da gestão federal. A crítica atravessa toda a caminhada e é resumida numa imagem que já virou bordão da oposição:
“Se prometeu muita picanha na última eleição, o que se percebeu é que nem de perto o brasileiro conseguiu sentir o cheiro da picanha. O que dirá ter a picanha na sua mesa?”
O que o vídeo não mostra
A gravação é uma fotografia de rua, não um levantamento. O material não informa quantos pontos comerciais fecharam no Centro de Florianópolis, em que período, nem compara os números com anos anteriores. Também não menciona fatores que costumam pesar sobre o comércio de rua na Capital, como o valor dos aluguéis na região central, a migração de consumidores para os shoppings e o avanço das compras pela internet.
Nenhuma das empresas citadas aparece no vídeo respondendo às afirmações do parlamentar, e a gravação não traz posição de entidades do comércio da Capital nem do governo federal sobre os pontos levantados. O que fica registrado, quadro a quadro, são as portas fechadas e as salas vagas de um dos endereços mais movimentados do estado.








































