A Polícia Militar e a Polícia Civil deflagraram em ação conjunta, na manhã desta quarta-feira (26), a Operação Alba Rubra, que cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em nove endereços de Itapema, Florianópolis e São José. Os alvos são as residências dos seis homens apontados como autores e organizadores da execução de Roberto Radzikowski Júnior, de 38 anos, conhecido no meio criminal como “Maninho”, morto a tiros na frente da própria casa, na Rua 850, no bairro Alto São Bento, em 5 de julho.
A operação foi conduzida em conjunto pela PMSC e pela PCSC, com equipes de Itapema e de Florianópolis, e teve os mandados cumpridos a partir da Delegacia de Polícia da Comarca de Itapema, vinculada à 29ª Delegacia Regional de Polícia de Balneário Camboriú. Dos seis investigados, dois foram presos. Os outros quatro seguem foragidos, e as buscas continuam.
Os dois presos
Wesley Victor Vargas dos Santos, de 21 anos, natural de Itapema, foi preso na própria cidade. Ele é apontado como líder do grupo criminoso que executou a vítima e também como uma das lideranças de uma facção que atua no município. Segundo apurou o Jornal Razão, Vargas dos Santos ocuparia a função de “disciplina” do PGC em Itapema e teria sido o responsável por organizar o terreno para o grupo que veio da Grande Florianópolis, dando suporte para que os atiradores chegassem, agissem e fugissem.
O segundo preso é Allan da Rosa Garcia da Silveira, de 25 anos, natural de Florianópolis. Ele foi capturado no Morro do Horácio, na Capital, onde integraria o braço armado da mesma facção, conforme apurou a reportagem.

Os quatro foragidos
Continuam sendo procurados João Vítor Dias Schmitt, de 21 anos, natural de São José; João Alexandre de Oliveira Luz, de 23 anos, natural de Florianópolis; Elivelton Andino de Paula, de 27 anos, natural de Camboriú; e Pablo Sebastian Pereira Maestri, de 38 anos, natural de Florianópolis. Um deles teria deixado Santa Catarina e estaria escondido no Rio de Janeiro, informação que segue em apuração pelas forças de segurança.

Trinta tiros em plena luz do dia
De acordo com o trabalho conjunto da PMSC e da PCSC, a investigação identificou que três dos envolvidos usaram um Ford Ka vermelho, pararam em frente à casa da vítima e dispararam aproximadamente 30 vezes contra ela, em plena luz do dia, num domingo de manhã. Os outros três foram identificados posteriormente como participantes e organizadores do crime, sem estarem no local no momento dos disparos.
Além das prisões, as equipes apreenderam smartphones e as roupas usadas pelo grupo durante a execução. O material vai passar por perícia e deve reforçar o conjunto de provas contra os seis, incluindo a identificação de quem estava com cada peça de vestuário nas imagens de câmeras de segurança.
O domingo do crime
A execução aconteceu na manhã de 5 de julho, numa rua de calçamento novo e casas geminadas do Alto São Bento. Moradores que conversavam na calçada viram um carro parar perto de Radzikowski Júnior e ouviram uma sequência de disparos que durou poucos segundos. A vítima morreu no local, antes de qualquer socorro. As primeiras contagens indicavam mais de 20 tiros, número que a investigação agora eleva para cerca de 30. Relembre o caso.
As câmeras que o próprio Radzikowski Júnior havia instalado na casa poucos dias antes registraram a dinâmica completa: os primeiros disparos partindo de dentro do veículo, o cerco à vítima já caída e a fuga. As imagens foram obtidas com exclusividade pelo Jornal Razão e mostram o modo de operação do grupo do início ao fim.
Ainda naquele domingo, a Polícia Militar localizou o Ford Ka usado no ataque abandonado nas proximidades, com registro de roubo e placa adulterada. Com apoio da Agência de Inteligência, a corporação identificou que o grupo trocou de carro e seguiu em um Ford Fiesta em direção à Grande Florianópolis. A rota apontada em julho é a mesma região onde a operação desta quarta cumpriu parte dos mandados, em Florianópolis e São José.
Quem era a vítima
Natural de Balneário Camboriú, Roberto Radzikowski Júnior carregava uma extensa ficha criminal, com passagens e investigações por tráfico de drogas, porte ilegal de arma, roubo, desacato, resistência e homicídio. A prisão mais recente havia ocorrido em julho de 2025, numa ação que apurou tráfico, uso de documento falso e associação criminosa. Ele chegou a entrar no sistema prisional, teve a preventiva revogada e voltou a responder em liberdade. O episódio mais grave o ligava a um homicídio em Balneário Camboriú, em novembro de 2014, quando foi indiciado pela participação na morte de um homem alvejado por nove disparos em frente a um bar na Terceira Avenida. Veja o perfil completo.
No dia da execução, enquanto trabalhava na cena do crime, a Polícia Militar encontrou dentro da casa dele uma espingarda calibre 12, uma pistola e munições, material que foi entregue à Polícia Civil.
O que vem agora
A Polícia Militar e a Polícia Civil informaram que as investigações e as buscas prosseguem para localizar os quatro suspeitos que ainda não foram presos. Os dois detidos nesta quarta ficam à disposição da Justiça, e os aparelhos celulares apreendidos devem indicar a cadeia de comando do ataque e a motivação, ponto que a investigação ainda não tornou público.














