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Moradoras são intimadas a depor em delegacia de SC após vizinho denunciar barulho de crianças brincando na rua

As duas moradoras da Rua Anna Utpadel, em Pomerode, receberam a intimação na segunda-feira (24) e devem prestar esclarecimentos na delegacia nesta quinta-feira (27).

Moradoras são intimadas a depor em delegacia de SC após vizinho denunciar barulho de crianças brincando na rua
Foto: Reprodução
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Uma equipe da Polícia Civil parou em frente a duas casas da Rua Anna Utpadel, em Pomerode, na segunda-feira (24), para entregar intimações a duas moradoras da via. O motivo, segundo o relato das próprias intimadas, foi a presença das crianças brincando na rua.

Uma das intimadas é mãe e mora no número 98 da rua. A outra é uma senhora de 65 anos que já sofreu um AVC e que tem o neto entre as crianças que costumam brincar na frente das casas. Nenhuma das duas é apontada como autora de qualquer conduta violenta no material divulgado até agora.

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Os documentos foram expedidos pela Delegacia de Polícia da Comarca de Pomerode e marcam o comparecimento das duas para as 14h desta quinta-feira (27), na Rua dos Atiradores, no centro da cidade. O texto da intimação pede que elas levem documento de identidade e trata apenas de “prestar esclarecimentos no interesse da justiça”, sem especificar o enquadramento legal do caso.

A rua onde tudo aconteceu é sem saída e fechada. Os poucos veículos que entram na via pertencem aos próprios moradores, e a maioria das casas é ocupada por famílias com filhos pequenos. As crianças que brincam ali têm entre 4 e 10 anos, e o episódio que gerou a denúncia ocorreu durante o período de férias escolares.

Em vídeo publicado nas redes sociais depois da visita policial, uma das moradoras abriu o relato dizendo: “Hoje eu fui intimada por um motivo que vocês não vão acreditar”. Em seguida, ela detalhou que a Polícia Civil esteve na casa para entregar o documento à irmã e também à vizinha idosa da frente.

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No mesmo vídeo, a família lançou um questionamento direto aos pais que assistiam: “Se você quer pai, quer mãe, você prefere que o teu filho fique enfiado dentro de casa mexendo no celular ou brincando na rua?”. A moradora afirmou ainda que um vizinho da rua tem o costume de sair à janela para xingar as crianças e chegou a fotografá-las.

Em relato à reportagem, ela contou que as reclamações já vinham se repetindo havia meses. Segundo a versão apresentada, moradores da mesma casa cobravam com frequência que as crianças parassem de brincar e fossem para dentro, alegando barulho excessivo.

O episódio que antecedeu a intimação teria acontecido no fim de uma tarde. As crianças correram até a casa da moradora avisando que a vizinha havia ido até a residência da senhora de 65 anos por causa do neto que brincava na rua. A moradora foi até o local, e outras mães da via se juntaram no mesmo ponto para discutir a cobrança, que segundo elas ocorreu antes das 20h.

Depois que a intimação chegou, na segunda-feira, a mãe de uma das moradoras foi até a porta do vizinho para perguntar se a denúncia era realmente por causa das brincadeiras. Houve uma discussão e a polícia foi acionada novamente, conforme o relato da família.

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O caso ganhou repercussão nas redes sociais e recebeu manifestações de moradores de outras cidades de Santa Catarina. Nos comentários, um morador da mesma rua apresentou uma versão diferente do que vinha sendo publicado. Ele afirmou que, embora goste de ver as crianças brincando, alguns comportamentos passaram do limite, citando objetos atirados contra portas, lixo jogado para dentro das casas, limões arremessados contra janelas para assustar os mais velhos e o registro de água da vizinhança fechado.

A moradora que publicou o vídeo respondeu publicamente ao morador. Ela disse que a família só ficou sabendo dessas atitudes na mesma semana, que chamou a atenção das crianças para que não se repitam e que voltaria a conversar com elas. Na resposta, ela também pediu desculpas pelos episódios.

O comparecimento das duas intimadas na Delegacia de Polícia da Comarca de Pomerode está marcado para as 14h desta quinta-feira (27). Até o momento, a Polícia Civil não se manifestou publicamente sobre o conteúdo da denúncia que motivou a expedição dos documentos.

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