Uma sequência de mais de vinte disparos quebrou o silêncio do residencial Rúbia Kaiser, na Rua Calisto, zona norte de Joinville, na noite desta quarta-feira (29). Moradores se trancaram dentro de casa assim que os tiros começaram. Quando o barulho cessou, havia um homem baleado na garagem do prédio, e um carro em chamas a poucas ruas dali.
A Polícia Militar foi acionada por volta das 21h10. Nos minutos seguintes, o cenário se desenhou em duas frentes ao mesmo tempo: disparos dentro do condomínio, um homem alvejado no chão e uma Hyundai Tucson prata pegando fogo na esquina da Rua Draco com a Rua Indus. As chamas eram tão altas que começaram a derreter os fios do poste.
Três homens deixaram a Tucson e embarcaram em um Peugeot 206 vermelho, que seguiu em direção ao morro. Foi esse carro que, na fuga, encontrou o cerco da Polícia Militar, na Rua Tuiuti.

Fuzil, pistola e colete
Cercados na Rua Tuiuti, os ocupantes do Peugeot se entregaram sem resistência e foram presos. O material apreendido revelou o poder de fogo do grupo: uma espingarda calibre 12, um fuzil 5.56 com carregador, uma pistola .380 e um colete à prova de balas. As imagens registradas no local mostram as armas dispostas sobre o capô de uma viatura e o Peugeot vermelho parado na via, cercado por estilhaços.
O homem baleado no condomínio não resistiu. Ele foi atingido por vários disparos pelo corpo e morreu ainda no local. A identidade não foi divulgada.
O que a polícia apura
A principal linha de investigação trabalha com a hipótese de acerto de contas entre grupos criminosos rivais. Integrantes de uma facção teriam ido ao condomínio especificamente para executar um desafeto ligado a organização adversária, o que explicaria a escolha do endereço e o uso de armamento de guerra. Nenhuma dessas versões foi confirmada oficialmente até o momento.
O incêndio na Tucson também entra na apuração. A hipótese mais provável é a de destruição de prova: queimar o veículo usado na ação para eliminar vestígios antes da troca de carro. O Corpo de Bombeiros Militar foi deslocado ao local para conter as chamas, que ameaçavam a rede elétrica.

Bairro em alerta
O Rúbia Kaiser concentra conjuntos habitacionais e fica em uma das áreas de maior tensão criminal da zona norte de Joinville, sob responsabilidade do 8º Batalhão de Polícia Militar. Para quem mora ali, o episódio desta quarta-feira somou dois medos ao mesmo tempo: o do confronto armado dentro do próprio condomínio e o do fogo se espalhando pela rua.
Os presos foram encaminhados à delegacia. A Polícia Civil assume a investigação do homicídio, e a Polícia Científica deve realizar os exames no corpo e nos veículos. O caso segue em andamento.
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