Uma denúncia anônima levou a Defesa Civil de Criciúma, no Sul de Santa Catarina, a um cenário de indignação no bairro Linha Batista. O órgão municipal flagrou nesta quinta-feira (3), o descarte irregular de mais de 15 kg de carnes jogadas diretamente nas águas de um rio local.
A ação, acompanhada pela Diretoria do Meio Ambiente e pelo Fundo Municipal de Sanidade Animal e Meio Ambiente (Funsab), expôs não apenas o impacto ecológico, mas também o descarte de alimentos que poderiam ter tido um destino social.

O diretor do órgão de proteção do município, Fred Gomes, acompanhou pessoalmente a retirada dos resíduos e não escondeu a comoção ao abrir as embalagens. Em vídeos gravados durante a fiscalização ao lado da equipe técnica, Gomes desabafou sobre a gravidade da cena.
“Nesses anos todos que eu tô na Defesa Civil, eu tenho certeza que esse é um dos fatos mais tristes que eu já vi acontecer. Chega tô nervoso, tô tremendo de nervoso, porque eu fico muito triste com isso”, declarou o diretor.
Alimento desperdiçado e crime ambiental
A operação resultou no recolhimento de mais de oito sacos plásticos contendo peças de carne bovina já em avançado estado de decomposição. A retirada exigiu esforço da equipe dentro do leito do rio, sob forte odor e risco de contaminação da água.
Além da poluição hídrica, o fator social agravou a indignação das autoridades presentes. Para o diretor da Defesa Civil, o material reflete uma falta de empatia humana com a vulnerabilidade social de muitas famílias e entidades da região.
“O que me deixa mais triste é isso: estragou? Doa antes de estragar. Isso aqui era almoço ou janta, eu tenho certeza, de várias instituições. Tô sem palavras para demonstrar o quanto estou impactado com essa situação, para vocês verem o que o ser humano faz”, lamentou Gomes.
Supermercado é identificado e deve sofrer sanções
Apesar de o nome do estabelecimento não ter sido divulgado publicamente para preservar o processo legal, a fiscalização confirmou que o supermercado infrator já foi devidamente mapeado. O relatório técnico da Defesa Civil está sendo finalizado para fundamentar as sanções administrativas e criminais.
O estabelecimento responsável deve responder formalmente por crime ambiental junto aos órgãos de controle. O material recolhido foi encaminhado para o descarte sanitário adequado, evitando a contaminação contínua do ecossistema do bairro Linha Batista.















