A direita catarinense marcou três grandes atos para o feriado de 7 de Setembro nesta segunda-feira (7), e o alvo é o mesmo em todos eles: o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em Santa Catarina, as convocações confirmadas até agora reúnem manifestantes em Florianópolis, no Trapiche da Beira-Mar, às 16h, e em Joinville, na Praça da Bandeira, também às 16h. Em Balneário Camboriú, a concentração está marcada para a Praça Almirante Tamandaré, no Centro, no fim da tarde.
O ato de Balneário Camboriú foi divulgado nas redes sociais pelo vereador Guilherme Cardoso, que publicou a arte da manifestação com a marcação das 15h30 na Praça Almirante Tamandaré e a hashtag #peloBrasil. Na legenda, o parlamentar fala em concentração a partir das 15 horas e convoca apoiadores: “Estaremos nas ruas mais uma vez, pelo Brasil”. Eleito em 2024 pelo PL, Cardoso migrou para o Republicanos e responde a uma ação por infidelidade partidária protocolada por suplentes da antiga legenda no Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina.
Os atos catarinenses são o braço regional de uma mobilização nacional. A manifestação principal está marcada para a Avenida Paulista, em São Paulo, às 15h, convocada pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com as palavras de ordem “Fora Lula, Fora Moraes” e “É agora ou nunca”. Também há atos convocados em Brasília, no Banco Central, às 10h; no Rio de Janeiro, em Copacabana, às 10h; em Belo Horizonte, na Praça da Liberdade, às 10h; em Curitiba, na Boca Maldita, às 14h; e em Porto Alegre, no Parcão, às 14h, além de Goiânia, Recife, Fortaleza, Salvador, Natal, João Pessoa, Aracaju, Maceió e Vila Velha.
O que acendeu o pavio dos atos
O combustível dos protestos apareceu há três dias. Vieram a público mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e Alexandre de Moraes. Nos diálogos, Vorcaro questionou o avanço das investigações da Polícia Federal e chegou a perguntar se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso, em novembro de 2025. O material foi revelado a partir de um relatório da PF cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça.
A reação de Moraes escalou a crise dentro do próprio tribunal. Na quinta-feira (3), o ministro pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, autorização para investigar o colega no inquérito das fake news, sob a alegação de supostas irregularidades na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero. Nesta sexta-feira (4), Fachin determinou que o pedido saia do inquérito das fake news e passe a tramitar em procedimento separado, sob a relatoria dele próprio, com cinco dias úteis para a Procuradoria-Geral da República se manifestar e prazo igual, depois, para Mendonça.
A oposição transformou o episódio em convocação. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), reforçou o chamado para as manifestações depois do pedido de Moraes contra Mendonça e classificou a medida como abuso de poder. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou nova convocação nas redes: “Não dá para assistir. Dia 07 é para o Brasil”. Marcel van Hattem (Novo-RS) afirmou que o caso representa uma “guerra atômica no STF”, e o deputado Cristiano Caporezzo (PL-MG) defendeu que a data seja marcada pela palavra de ordem “Fora Moraes”.
O Partido Novo entrou formalmente na disputa. A legenda protocolou uma notícia-crime contra Alexandre de Moraes por tráfico de influência e obstrução de justiça horas depois da divulgação das mensagens, e convocou filiados para o ato da Paulista pelo impeachment do ministro. O pedido tramitará como petição no Senado, será avaliado tecnicamente pela advocacia da Casa e depois deliberado pelos senadores.
Santa Catarina no centro do cálculo eleitoral
Santa Catarina não é coadjuvante nessa mobilização. A deputada federal Julia Zanatta (PL-SC) aparece entre os parlamentares ligados à articulação do ato de São Paulo, ao lado de nomes como Bia Kicis, Gustavo Gayer, Magno Malta e Sóstenes Cavalcante. Em 2025, o ato de 7 de Setembro em Florianópolis reuniu milhares de pessoas na Beira-Mar Norte, com a presença do governador Jorginho Mello (PL) e de lideranças da direita catarinense. O estado foi o que deu a maior margem de vitória a Jair Bolsonaro em 2022.
O cálculo político por trás dos atos é eleitoral. A menos de um mês do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, a campanha de Flávio Bolsonaro aposta nas manifestações como oportunidade de conquistar votos: o candidato aparece tecnicamente empatado com o presidente Lula em um eventual segundo turno, com 44% contra 46%, segundo o Datafolha. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito Ricardo Nunes articulam a participação de cerca de 300 prefeitos no ato paulista.
Para o cientista político Elias Tavares, o caso Master não inventa uma bandeira nova, mas dá sobrevida à antiga. Segundo ele, o episódio “oferece combustível novo para uma pauta que já estava pronta”. Tavares pondera que rua não abre impeachment sozinha, mas eleva o custo político de deixar os pedidos na gaveta. O principal obstáculo continua sendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que resiste ao avanço das mais de cem petições acumuladas contra ministros do Supremo.
Em Brasília, o feriado terá mais de um ato. A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal mapeia ao menos quatro manifestações convocadas para segunda-feira, entre elas uma em frente ao Banco Central, às 9h, e outra na Funarte, às 10h, com o tema “Fora Moraes e Lula”. No mesmo dia, a Praça Zumbi dos Palmares recebe o 32º Grito dos Excluídos, a partir das 9h, e a W3 Sul tem a Marcha das Religiões e Culturas Afro-Brasileiras ao meio-dia.
Antes dos atos, Santa Catarina cumpre o roteiro cívico do feriado. Joinville realiza o desfile cívico-militar às 9h, na Avenida Beira Rio, em frente ao Centreventos Cau Hansen, com 50 pelotões e cerca de 3 mil participantes, em celebração aos 204 anos da Independência. Itajaí concentra o desfile na região do Centreventos, com hasteamento das bandeiras, enquanto Balneário Camboriú desfila na Rua 1500 e Camboriú confirmou programação própria.
Os organizadores alertam que os locais e horários foram divulgados por lideranças políticas e podem sofrer alterações até segunda-feira. A expectativa em Santa Catarina é de que os três atos confirmados sirvam de termômetro para o desempenho da direita no estado a 30 dias da votação, e de que novas cidades entrem na lista até o fim do fim de semana.




















