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“Me deixa trabalhar!”, desabafa adolescente “resgatado” pelo Conselho Tutelar de SC em “Carreta Furacão”

A operação ocorreu na segunda-feira, 6, no bairro Meia Praia, após denúncia feita ao ‘Disque 100’

“Me deixa trabalhar!”, desabafa adolescente “resgatado” pelo Conselho Tutelar de SC em “Carreta Furacão”
Foto: Reprodução
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“Me deixa trabalhar!”: a frase dita por um dos adolescentes resume o clima de tensão que cercou a ação do Conselho Tutelar em Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina. O resgate de quatro jovens de uma chamada “carreta furacão” gerou forte reação pública, especialmente nas redes sociais, onde familiares, colegas de trabalho e moradores passaram a contestar a intervenção.

A operação ocorreu na segunda-feira, 6, no bairro Meia Praia, após denúncia feita ao ‘Disque 100’. O relato apontava “exploração do trabalho infantil, ameaças e restrição de contato com familiares”. Diante da gravidade, o Conselho Tutelar solicitou apoio da Polícia Militar de Santa Catarina para averiguação.

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No local, os policiais encontraram quatro adolescentes entre 13 e 17 anos atuando como personagens da atração. Segundo a PMSC, eles afirmaram que “não sofrem maus-tratos”, que “têm autorização dos pais” e que “se alimentam normalmente”. Mesmo assim, a polícia constatou “condições precárias de alojamento, sem estrutura adequada de higiene, ventilação e descanso, consideradas incompatíveis com a permanência de adolescentes”.

Durante a abordagem, um revólver calibre 38 com nove munições intactas foi localizado em um dos veículos do grupo. O responsável assumiu a posse da arma e informou não ter autorização legal. Em outro automóvel, foi apreendido um simulacro de arma de fogo do tipo airsoft. Dois homens foram detidos e encaminhados à Polícia Federal e à Central de Plantão Policial, onde responderão por posse irregular de arma de fogo e por porte ou posse de simulacro. A Polícia Federal instaurou procedimento para apurar possível “trabalho análogo à escravidão”.

Após a divulgação do caso, comentários passaram a se multiplicar nas redes sociais. Um dos adolescentes escreveu de forma direta: “Trabalho na empresa e não tem nada disso que foi esclarecido. Tenho contato com a minha família, me alimento bem e sou muito bem pago. Sai do meu pé”.

Outra usuária comentou: “Deixa os meninos trabalharem, gente”. Em defesa do grupo, uma familiar afirmou: “Sou tia dele, graças a Deus é bem tratado e alimentado. Fala com a gente da família todos os dias. Não tem nada disso que estão alegando”.

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Também houve manifestações de pessoas que dizem conhecer a rotina da atração. “Conversa fiada, sempre vejo os meninos trabalhando ali. Já fui várias vezes na carreta e todo mundo é bem tratado. Eles têm autorização dos pais, tudo assinado em cartório”, escreveu um influenciador local.

Por outro lado, houve quem lembrasse os limites legais. “Esse é o problema, serem menores de idade. Pela lei, todo trabalho que emprega menor precisa ser registrado como Jovem Aprendiz. Caso contrário, configura crime”, comentou outro usuário.

O Conselho Tutelar informou que os quatro adolescentes permanecerão sob acompanhamento. Cada situação será avaliada individualmente, com contato direto com as famílias e adoção das medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente. Segundo o órgão, o foco é garantir a integridade física, emocional e social dos jovens, independentemente das versões apresentadas.

A ocorrência segue em apuração. O caso evidencia o choque entre a percepção de quem vê a atividade como “trabalho voluntário” e os limites impostos pela lei brasileira para ‘proteção de crianças e adolescentes’.

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