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“Me desaforou”: funcionário é demitido após desentendimento na rampa do ferry boat em Itajaí

NGI Sul informou que o colaborador estava em período de experiência e teve o contrato rescindido assim que a empresa tomou conhecimento das imagens. Informações preliminares apontam que a discussão começou por causa do trânsito no acesso à travessia.

“Me desaforou”: funcionário é demitido após desentendimento na rampa do ferry boat em Itajaí
Foto: Reprodução
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Um funcionário do ferry boat que faz a travessia entre Itajaí e Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, foi demitido depois de brigar com um motorista na tarde desta sexta-feira, 4. A confusão foi filmada por quem estava na fila e as imagens circularam nas redes sociais ao longo do fim de semana, com os dois homens no chão trocando golpes sobre o calçamento do terminal, cédulas de dinheiro espalhadas ao redor enquanto outras pessoas se aproximavam para separar.

A NGI Sul, empresa que administra o serviço, confirmou o caso e informou que o colaborador envolvido estava em período de experiência. Assim que tomou conhecimento das imagens, segundo a companhia, adotou as medidas cabíveis e rescindiu o contrato de trabalho do funcionário.

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Informações preliminares apontam que a briga teria começado por causa do trânsito local, no ponto onde os veículos disputam espaço para acessar a rampa de embarque. É exatamente ali, no gargalo entre a rua e a balsa, que se concentra a maior parte dos atritos registrados na travessia ao longo dos anos.

Vídeo mostra a confusão entre o motorista e o funcionário do ferry boat, na rampa de embarque

Em nota, a empresa afirmou que lamenta profundamente o ocorrido e que não compactua com qualquer tipo de violência ou conduta incompatível com os princípios de respeito e profissionalismo que orientam suas atividades.

A NGI Sul acrescentou que todos os seus colaboradores passam por treinamentos e orientações constantes, com o objetivo de aprimorar a prestação do serviço, fortalecer as boas práticas de atendimento e garantir uma conduta adequada no relacionamento com os passageiros e a comunidade.

“Por fim, a empresa reafirma seu compromisso com a segurança, o respeito e a qualidade no atendimento e destaca que não tolera atos dessa natureza em seu ambiente de trabalho ou durante a prestação de seus serviços”, diz o texto enviado pela companhia.

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A demissão, porém, não caiu bem entre quem acompanhou o caso pelas redes sociais. Nos comentários das publicações que reproduziram o vídeo, boa parte dos internautas saiu em defesa do colaborador. O argumento se repete: quem trabalha na rampa aguenta desaforo diário de motoristas apressados, ouve ofensa por causa de fila, de manobra e de horário, e quase sempre não tem culpa pelo que reclamam. Para essa parcela do público, o funcionário em período de experiência simplesmente não aguentou mais e chegou ao ápice.

Outra parte da repercussão foi na direção oposta e cobrou postura profissional de quem veste o uniforme, independentemente da provocação. A discussão nos comentários acabou expondo um problema que a travessia arrasta há anos e que nenhuma demissão isolada resolve: a tensão permanente entre trabalhadores e usuários num serviço que opera no limite da capacidade.

A travessia entre Itajaí e Navegantes é uma das mais movimentadas do Estado e opera nos dois sentidos do rio Itajaí-Açu. A empresa mantém quatro terminais, dois em cada margem, o que permite a operação simultânea de duas embarcações, com partidas ininterruptas nos terminais do centro das duas cidades. O trajeto leva poucos minutos, mas a espera em terra passa de uma hora nos horários de pico.

Casos de agressão na travessia não são novidade, e nem sempre com o funcionário no papel de agressor. Em novembro de 2020, dois colaboradores foram agredidos por um passageiro que havia acionado indevidamente um extintor de incêndio ainda no saguão de espera. Um deles, responsável pelos motores da embarcação, teve o fêmur fraturado e precisou passar por cirurgia. Em setembro de 2022, funcionários e um usuário trocaram socos depois que o motorista de um carro não parou na rampa de acesso com a cancela já baixada e a balsa iniciando a partida.

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A prática de furar a fila segue como um dos principais estopins de conflito na região, com relatos recorrentes de buzinaço, discussões e agressões físicas nos horários de maior movimento. O diretor do Departamento de Trânsito de Navegantes, Cláudio Schuller, já confirmou que furar a fila do ferry boat configura infração de trânsito.

A operação também está sob observação de órgãos de controle. Em julho deste ano, o Ministério Público Federal instaurou procedimento preparatório para apurar possíveis falhas na segurança e na prestação do serviço, após denúncias de usuários sobre alterações na estrutura de proteção lateral das embarcações. O procurador da República Carlos Augusto de Amorim Dutra expediu ofícios à concessionária, à Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí, à Superintendência do Porto de Itajaí e à Prefeitura de Itajaí, pedindo vistorias técnicas e informações.

Antes disso, o Tribunal de Contas do Estado já havia dado prazo para a publicação do edital de concessão do serviço e para a adoção de melhorias, sob pena de multa diária. No voto do conselheiro Dado Cherem, o TCE cita o despreparo de funcionários para lidar com usuários que têm direito à gratuidade, falta de manutenção das embarcações, agressões, ausência de cobrador e demora no atendimento como sinais da má prestação do serviço.

Até a publicação desta reportagem, não havia informação sobre registro de boletim de ocorrência pelo motorista ou pelo ex-funcionário. A empresa não detalhou se pretende adotar medidas jurídicas além da rescisão contratual.

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