Adrian Gabriel Francisco Pereira, de 13 anos, morreu depois de ser atropelado por uma motocicleta pilotada por um jovem de 18 anos sem habilitação na Rodovia Padre Herval Fontanella, na localidade de Rio Jordão Baixo, em Siderópolis, no Sul de Santa Catarina. O adolescente caminhava pelo acostamento quando foi atingido, na noite de segunda-feira (31). A morte foi confirmada na manhã desta quarta-feira (2), segundo a Polícia Civil.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar, o motociclista tentava contornar um quebra-molas quando saiu da faixa de rolamento e avançou sobre o acostamento por onde o menino passava. A moto acertou o adolescente em cheio. Adrian sofreu traumatismo cranioencefálico no impacto.
As equipes de emergência atenderam o adolescente ainda no local e o encaminharam ao Hospital São José, em Criciúma, onde ele foi internado em estado grave e passou a terça-feira (1º) em coma. A Secretaria de Educação de Siderópolis chegou a divulgar uma mensagem de solidariedade à família e mobilizou a comunidade escolar em apoio à recuperação do aluno, que não aconteceu.
Motociclista largou a moto na rodovia e fugiu a pé
Logo após a batida, o condutor da moto largou o veículo na rodovia e fugiu a pé para a própria casa, sem prestar socorro ao menino caído no acostamento.
A Polícia Civil de Siderópolis identificou o motociclista nesta quarta-feira (2). Ele tem 18 anos e não possui Carteira Nacional de Habilitação. O advogado do jovem procurou a delegacia e agendou a apresentação do cliente para interrogatório.
Em depoimento, o condutor afirmou que deixou o local orientado por testemunhas e por temer ser morto. Segundo a versão apresentada por ele, pessoas que estavam na rodovia no momento da colisão o teriam alertado de que familiares da vítima estariam a caminho e de que ele corria o risco de ser atacado a golpes de facão.
A Polícia Civil informou que a narrativa do jovem é compatível com os elementos preliminares recolhidos na investigação. Conforme a corporação, mensagens de texto e arquivos de áudio que circularam em grupos de aplicativo corroboram o relato sobre a ameaça e a fuga.
O jovem vai responder por homicídio culposo na direção de veículo automotor, com agravante por não ter habilitação. A pena base do crime é de dois a quatro anos de detenção, além da suspensão ou da proibição de obter a CNH. Com os agravantes, a punição pode chegar a seis anos. A imputação da omissão de socorro segue sob avaliação dos investigadores, justamente por causa das circunstâncias da ameaça relatadas no depoimento.
Aluno do 7º ano, Adrian adorava laçar e era apaixonado por cavalos
Adrian cursava o 7º ano da Escola de Educação Básica Municipal Miguel Lazzarin, da rede municipal de Siderópolis. Fora da sala de aula, o menino vivia entre cavalos: adorava laçar e frequentava o CTG Arena Rio Jordão, que suspendeu as atividades em sinal de luto.
“Adrian estava há pouco tempo no nosso CTG, mas já conquistou o coração de todos com sua alegria, simpatia e amor pelo que fazia. Ele adorava laçar e era apaixonado pelos cavalos”, escreveu a entidade tradicionalista em nota publicada nas redes sociais.
A Prefeitura de Siderópolis também divulgou nota de pesar.
“O Governo Municipal de Siderópolis lamenta profundamente o falecimento de Adrian Gabriel Francisco Pereira, aos 13 anos. Adrian era aluno do 7º ano da Escola de Educação Básica Municipal (EEBM) Miguel Lazzarin. Ele deixa pai, mãe e três irmãos. Neste momento de profunda tristeza, manifestamos solidariedade aos familiares, amigos, colegas e a toda a comunidade escolar, desejando força e conforto para enfrentar essa irreparável perda”, diz o texto.
O adolescente deixa o pai, a mãe e três irmãos. A Polícia Civil segue com as diligências para esclarecer as circunstâncias do atropelamento e aguarda o interrogatório do motociclista. O inquérito vai definir se a omissão de socorro entra ou não na acusação contra o jovem.















