A Polícia Civil de Santa Catarina prendeu nesta terça-feira (9), em Florianópolis, o motorista Oracide dos Santos, de 65 anos, responsável por um grave acidente na BR-470, em Brunópolis, que matou o empresário Celestino Estanislau Nadal e sua companheira, a professora Simone de Oliveira Ribeiro da Rosa.
O caso chocou o estado não só pela brutalidade da colisão, mas pela revolta causada pela liberação do autor poucas horas após o crime.

Acidente fatal a caminho de um sonho
Na manhã do último sábado (2), Celestino e Simone seguiam viagem pela BR-470 rumo a Lages, onde participariam do 9º Encontro Catarinense de Carros Antigos. O empresário dirigia seu Miura branco, veículo que ele mesmo restaurou ao longo dos últimos anos com paixão e dedicação.
Por volta das 7h20, no km 277 da rodovia, o carro foi atingido frontalmente por um VW Fox vermelho que invadiu a contramão. O impacto destruiu completamente o Miura. Celestino morreu na hora. Simone chegou a ser socorrida com vida, mas não resistiu.
O responsável pelo outro veículo, Oracide, apresentava claros sinais de embriaguez, segundo o relatório da Polícia Rodoviária Federal. Ele estava armado com um revólver de numeração raspada e fugiu para uma área de mata após o acidente.


0,56 mg de álcool por litro de ar
O bafômetro, realizado cerca de duas horas depois da colisão, apontou 0,56 miligrama de álcool por litro de ar alveolar — mais que o dobro do limite que configura crime de trânsito. Os agentes da PRF também relataram fala arrastada, hálito etílico, desequilíbrio e comportamento alterado.
Além disso, Oracide portava uma arma de fogo com numeração raspada, agravando ainda mais a gravidade do caso.

Mesmo assim, o motorista não foi preso em flagrante. A PRF alegou que ele precisou ser encaminhado ao hospital, e a Polícia Civil não lavrou a prisão na ocasião.
Comoção e revolta
A notícia de que o motorista foi liberado gerou revolta imediata entre familiares, amigos e autoridades. Os três filhos de Celestino — Bruno, Lucas e Renê — gravaram um vídeo diante dos troféus do pai exigindo justiça.
“Esse cara precisa ser preso. Nosso pai foi assassinado. Ele estava bêbado, armado, e ainda ameaçou os socorristas. E mesmo assim está solto? Isso é inaceitável”, desabafou Bruno Nadal.
O vídeo viralizou nas redes sociais, sensibilizando pessoas de todo o estado. Diversos clubes de carros antigos, entidades de classe e lideranças políticas se manifestaram em apoio à família.
“A gente não quer vingança. Queremos justiça. Por respeito ao nosso pai, por respeito à vida. Que isso não seja só mais um caso esquecido”, disse Lucas Nadal.
Prisão em Florianópolis
Nesta terça-feira (9), após intensa mobilização, a Polícia Civil localizou Oracide escondido em uma residência na região continental de Florianópolis. A prisão foi realizada por equipes das delegacias de Brunópolis e Campos Novos.
Segundo o delegado Ulisses Gabriel, além de estar embriagado e sem habilitação, o autor portava uma arma ilegal no momento da colisão.
“Parabéns aos policiais civis que não largaram o caso. Justiça está sendo feita”, declarou o delegado em postagem nas redes sociais.
Homenagens e dor
Celestino Estanislau Nadal era conhecido como “Jaburu” no meio do antigomobilismo catarinense. Atuava como presidente do Veteran Car Club de Videira e foi membro da Comissão Municipal de Trânsito. Era formado em Gestão de Trânsito e Mobilidade Urbana, com pós-graduação na área.
A Prefeitura de Videira divulgou nota de pesar, destacando que ele era “mais do que um estudioso do trânsito: era um defensor da vida”.
Simone de Oliveira Ribeiro da Rosa, professora reconhecida na região de Fraiburgo e Videira, foi homenageada pela Coordenadoria Regional de Educação como uma educadora “que marcou gerações com dedicação e sensibilidade”.
Investigação segue
O Ministério Público de Santa Catarina analisa agora os laudos e depoimentos do caso. A tendência é que Oracide responda por homicídio doloso eventual (quando se assume o risco de matar), além de porte ilegal de arma de fogo e embriaguez ao volante.
A família Nadal segue acompanhando cada passo do processo. Em nova publicação, reafirmaram o compromisso de lutar até o fim:
“Vamos até as últimas consequências. A vida do nosso pai e da Simone não pode ser tratada com descaso. Eles eram amados, tinham história. Merecem justiça.”



































