Cristhoffer Manoel da Silva, de 24 anos, natural de Florianópolis, foi preso nesta sexta-feira (4) depois que a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa dele, no bairro Forquilhas, em São José, e encontrou um arsenal dentro da residência. Foram apreendidos uma pistola calibre 9 mm, 77 munições do mesmo calibre, três carregadores de capacidade estendida e um kit Roni, acessório que acopla a pistola e dá à arma o formato e a pegada de uma submetralhadora.
A ação aconteceu na manhã e foi conduzida pela Delegacia de Combate às Drogas (DECOD), unidade especializada vinculada à Delegacia de Investigação Criminal (DIC) de Palhoça. O mandado saiu no âmbito de uma investigação que apura a atuação do preso na venda e na distribuição de entorpecentes em Palhoça, cidade vizinha àquela onde ele morava. Ele está recolhido na própria unidade da DECOD, em Palhoça, desde a prisão. Nos registros oficiais, aparece com ensino médio completo e profissão de motorista.
O QUE É O KIT RONI
O kit Roni é um chassi que envolve a pistola e acrescenta coronha, empunhadura dianteira e trilhos para acessórios como mira e lanterna. O efeito prático é uma mudança completa no manuseio: a arma deixa de ser empunhada só com as mãos e passa a ser apoiada no ombro, o que amplia a estabilidade, o alcance útil e a velocidade de disparos sucessivos. É o tipo de equipamento que aparece com frequência em apreensões ligadas ao tráfico armado, porque agrega controle e volume de fogo a uma arma curta, muito mais fácil de esconder e transportar do que um fuzil.
Os três carregadores de capacidade estendida reforçam o mesmo raciocínio. Eles ampliam o número de cartuchos disponíveis sem recarga e prolongam a capacidade de disparo em caso de confronto. Somados às 77 munições intactas encontradas na residência, formam um conjunto que a Polícia Civil trata como material de guerra dentro de área urbana densamente povoada.
Na mesma diligência, os investigadores localizaram aproximadamente 330 gramas de skunk, 70 gramas de haxixe, 37 comprimidos de ecstasy e 14 vaporizadores contendo extrato de cannabis. Também foram apreendidos uma balança de precisão e aparelhos celulares.
DROGA CARA E PÚBLICO SELECIONADO
O perfil da carga chama atenção. Skunk é a variedade de maconha com concentração elevada de THC, o haxixe é a resina prensada da planta, e o ecstasy é droga sintética de circulação típica em festas e casas noturnas. Os vaporizadores com extrato de cannabis completam o portfólio. É um estoque voltado ao consumidor de maior poder aquisitivo, com preço por grama muito superior ao da maconha comum, e não à ponta tradicional de boca de fumo.
A balança de precisão indica o fracionamento das porções antes da revenda. Os celulares apreendidos passam a ser a peça mais valiosa da investigação: é neles que costumam estar as conversas, os pedidos, as entregas e a rede de contatos que liga o preso a fornecedores e a outros pontos de distribuição.
O caso também expõe um padrão recorrente na Grande Florianópolis. Cristhoffer é natural de Florianópolis, morava em São José e, segundo a apuração, vendia em Palhoça. A conurbação entre os três municípios, com deslocamento de poucos minutos entre bairros de cidades diferentes, permite que quem vende em um lugar durma em outro, o que dificulta o trabalho das equipes e obriga as delegacias a operarem fora dos próprios limites territoriais.
Todo o material apreendido será submetido aos procedimentos legais e periciais pertinentes. A arma passa por exame de eficiência e confronto balístico, procedimento que pode ligar a pistola a disparos registrados em outras ocorrências da região. As drogas seguem para laudo definitivo da Polícia Científica.
As investigações prosseguem para o completo esclarecimento dos fatos e para a eventual identificação de outros envolvidos na atividade criminosa. A Polícia Civil de Santa Catarina, por intermédio da DIC de Palhoça, afirmou que segue atuando de forma permanente na repressão qualificada ao tráfico de drogas e às organizações criminosas na região.















