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O carro já não era estranho. O influenciador tinha reparado no mesmo veículo colado nele no dia anterior e, antes disso, já havia escutado de um conhecido que existia gente planejando sequestrá-lo, aviso que ele preferiu não levar a sério. Quando o carro reapareceu na cola dele nas proximidades de um shopping em Balneário Camboriú, no Litoral Catarinense, ele parou de duvidar e ligou para o 190.
A ligação terminou com três homens presos e o material do plano exposto sobre o capô de um Peugeot vermelho. A vítima é um influenciador digital conhecido pelas transmissões ao vivo na internet.
O aviso ignorado
Antes da abordagem, um homem procurou o influenciador para contar o que tinha descoberto: os três estariam organizando o sequestro dele. O relato foi desacreditado na hora. Foi esse mesmo informante que, depois da prisão, se apresentou à delegacia para testemunhar.
À polícia, a vítima relatou que vinha sendo seguida havia dias. No dia anterior à prisão, ela chegou a identificar o veículo atrás do próprio carro. A confirmação veio quando o mesmo Peugeot voltou a aparecer na região do shopping.
O que estava no carro
Com o trio, os policiais encontraram um drone, um simulacro de arma de fogo e um cabo do tipo enforca-gato. O conjunto ficou espalhado sobre o capô do carro no momento da apreensão: a maleta preta do drone, os fios enrolados, o cano e a réplica de pistola.
O material indica preparo, e não improviso. Drone para acompanhar deslocamento, simulacro para render sem disparo e cabo para imobilizar formam um arranjo compatível com a rotina de campana descrita pela vítima.
A conta dos R$ 80 milhões
Segundo o relato do informante, o grupo acreditaria que o influenciador mantinha cerca de R$ 80 milhões em conta, cifra que teria motivado a escolha do alvo. O valor não foi confirmado por nenhuma fonte oficial e integra a versão apresentada à polícia.
É esse ponto que a Polícia Civil precisa fechar: de onde saiu o número, quem alimentou a informação dentro do grupo e há quanto tempo o alvo estava sendo estudado.
A prisão foi feita pela Polícia Militar depois do acionamento do 190. Os três foram encaminhados à delegacia, onde o caso foi registrado como tentativa de sequestro. A Polícia Civil segue com a apuração e vai ouvir a testemunha que procurou a delegacia por conta própria.


































