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Vorcaro autorizou cartões de crédito do Master aos filhos de Moraes: “limite de 300 para cada”, diz PF

Mensagem apreendida no celular do banqueiro registra a consulta de uma funcionária do banco sobre a emissão dos cartões, com limite de R$ 300 mil para cada filho do ministro. Vorcaro respondeu “Ok”.

Vorcaro autorizou cartões de crédito do Master aos filhos de Moraes: “limite de 300 para cada”, diz PF
Foto: Reprodução
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O banqueiro Daniel Vorcaro autorizou a emissão de cartões de crédito do Banco Master em nome dos filhos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, com limite de R$ 300 mil para cada um. A ordem está registrada em mensagens apreendidas no celular do banqueiro e reunidas em relatório da Polícia Federal enviado ao STF, cujo teor foi publicado nesta terça-feira (1º) pela revista Veja.

A conversa é de 2 de outubro de 2025, seis semanas antes da prisão de Vorcaro. Uma funcionária do banco procurou o então controlador para confirmar a operação: “O Guilherme que trabalha com a dra. Viviane me ligou para emitir cartão para os filhos dela. Limite de 300 para cada. Posso seguir?”. Vorcaro respondeu com um “Ok”.

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Antes disso, segundo o relatório, o mesmo funcionário do escritório Barci de Moraes já havia procurado o banqueiro diretamente: “Bom dia Daniel, é o Guilherme, que trabalha com a Viviane, tudo bom? Quer me passar algum contato para falar a respeito do cartão de crédito da Giuliana e Alexandre?”. Vorcaro respondeu e encaminhou o contato da funcionária do banco que tocaria a emissão.

O contrato milionário no pano de fundo

Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, é sócia-diretora do escritório que fechou com o Master um contrato de R$ 131 milhões, com 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos. O mesmo relatório da PF aponta que a última versão do documento foi editada em um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”, segundo metadados do arquivo.

O escopo previsto no contrato, revelado também nesta terça, incluía consultoria jurídica em inquéritos policiais na Polícia Federal e nas polícias civis, além de procedimentos no Banco Central, na Receita Federal e no Cade. Outra reportagem do dia informou que Vorcaro transferiu cotas de um jato Legacy 650 para a advogada, como forma de pagamento prevista no acordo.

O filho de Gonet em Londres

O acervo apreendido não para na família do ministro. Mensagens analisadas pela PF indicam que Vorcaro levou a Londres um dos filhos do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em março de 2025. O pedido chegou por um interlocutor identificado como Ciro Soares, advogado do banqueiro: “Gonet perguntou se o filho dele pode ir com a gente para Londres”. A resposta foi direta: “Óbvio, né?”. As informações são da coluna Andreza Matais, do Metrópoles.

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Na mesma ocasião, o próprio procurador-geral esteve na capital britânica e participou de eventos promovidos pelo Banco Master, entre eles uma degustação de uísque Macallan. Gonet tem dois filhos, e as mensagens não deixam claro qual deles integrou o grupo.

Viagem a Londres bancada pelo banco já havia sido registrada antes. Em 25 de abril de 2024, uma degustação de Macallan no George Club, em Mayfair, reuniu Vorcaro, Gonet, os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o do STJ Benedito Gonçalves, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e o presidente da Câmara, Hugo Motta. Só a degustação custou cerca de US$ 641 mil, e a série de eventos daquela semana somou US$ 6,03 milhões.

Mendonça derruba o sigilo e leva ao plenário

O desdobramento institucional veio no fim da tarde desta terça. O ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, retirou o sigilo da petição que reúne os novos elementos da PF sobre a suposta rede de monitoramento e influência montada por Vorcaro. A decisão, de 218 páginas, deu à Procuradoria-Geral da República prazo de cinco dias úteis para se manifestar e estabeleceu que o material terá de ser submetido ao plenário do Supremo, em sessão presencial e pública. No despacho, Mendonça não cita Moraes nominalmente e não determina, neste momento, a abertura de investigação contra ele.

Nos bastidores, a temperatura subiu junto. Membros da cúpula da Polícia Federal classificaram como “absurdo” o despacho anterior em que o relator pediu explicações à PGR, segundo a coluna de Igor Gadelha. E a coluna Andreza Matais informou que Moraes procurou Mendonça depois de descobrir que o colega havia mandado a PF identificar o interlocutor das mensagens, e que a conversa terminou em bate-boca, com acusação de que o relator estaria direcionando as investigações contra ele.

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Nada no material divulgado até aqui atribui crime a Moraes, a Gonet ou a Andrei Rodrigues. O que existe são registros de contato, autorizações, convites e pedidos feitos pelo banqueiro, entre eles a mensagem em que consultou o ministro sobre deixar o país dois dias antes de ser preso. Moraes nega ter trocado mensagens com Vorcaro, e ele e a mulher sempre negaram irregularidade no contrato do escritório. Procurados pelas reportagens, os citados não se manifestaram.

Entenda o caso

Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 no Aeroporto de Guarulhos, quando embarcava num jato particular com destino a Malta e, na sequência, a Dubai. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Solto no fim daquele mês por decisão do TRF-1, voltou a ser preso em 4 de março de 2026 e está no 19º Batalhão da PMDF, em Brasília, com duas propostas de delação rejeitadas. A fraude estimada é de R$ 12 bilhões, e o custo para o Fundo Garantidor de Créditos chega a R$ 51,8 bilhões.

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