Antes da facada, ela teria ido até a camionete do empresário, estacionada do outro lado da rua, e furado os pneus. O golpe veio depois, pelas costas, na rua Brusque, no bairro Jardim Sofia, em Joinville, e o homem de 47 anos caiu no chão para não se levantar mais.
O homicídio aconteceu na noite de domingo (2), por volta das 21h40, e mobilizou o 8º Batalhão de Polícia Militar. Acionada pelo Copom para uma ocorrência com arma branca, a guarnição chegou ao endereço e encontrou o corpo já caído. O SAMU e o Corpo de Bombeiros Militar foram ao local e constataram o óbito ali mesmo. A vítima era dona de uma empresa na cidade.
Thays Fernandes Benedetti, de 28 anos, foi presa em flagrante e aguarda audiência de custódia. Ela tem registros policiais anteriores por ameaça e difamação e admitiu à Polícia Militar ter desferido o golpe. A dúvida não está na autoria. Está no que veio antes.

O intervalo que muda tudo
Pelo relato que a própria autora deu aos policiais, o empresário teria chegado alterado ao local, procurando briga com o dono da casa onde ela e o marido estavam. O marido dela teria ido ao encontro do homem e levado um soco. Quando tentou apaziguar a situação, ela também teria sido atingida com um soco na boca.
A sequência que ela descreveu a partir daí foi a mesma nas duas vezes em que a guarnição a ouviu. Disse que desmaiou com o golpe e que, ao acordar, pegou uma faca de cozinha, furou os pneus da camionete e desferiu o golpe nas costas do empresário.
Já os relatos do marido não fecham entre si. Em um deles, ele descreve a mesma cena que ela: a esposa desmaiada com o soco, recolhida para dentro da casa pelo proprietário, e só depois saindo com a faca. Em outro, não menciona desmaio nenhum e afirma que ela entrou na casa, pegou a faca e atacou porque o empresário estava, naquele momento, agredindo ele.
A diferença entre as duas descrições não é detalhe. Na primeira, existe um intervalo entre a agressão e o golpe, tempo em que ela teria desmaiado, acordado, entrado na casa, pegado a faca e ainda atravessado a rua para furar os pneus. Na segunda, a agressão ainda estaria em curso. É esse intervalo que a Polícia Civil vai ter de medir, porque é ele que separa uma reação imediata de uma decisão tomada com tempo para pensar.
A faca no telhado
Depois do golpe, ela jogou a faca no telhado da casa onde a confusão havia começado, conforme informou à guarnição. Foi ali que os policiais localizaram a arma, recolhida e encaminhada à Polícia Científica. A PM também coletou imagens das câmeras de segurança do local, anexadas ao boletim de ocorrência. Um outro vídeo, que chegou depois às mãos da guarnição e ficou fora do registro, mostraria um homem observando toda a ação.
A cena depois do crime foi de confusão. A esposa da vítima, que conforme o registro policial não estava no local no momento do ataque, apontou o marido da autora como responsável pelas facadas, acusação que os demais relatos colhidos no local não sustentam. Ele acabou conduzido à delegacia assim mesmo. Bastante alterada, ela não acatou as ordens dos policiais e partiu diversas vezes na direção da guarnição, até que uma equipe de apoio precisou usar spray de pimenta para contê-la. Ela sequer chegou a ser identificada.

Três pessoas foram levadas à delegacia: a autora, o marido dela e o dono da casa onde a briga começou. Todos os envolvidos na ocorrência, incluindo a vítima, são naturais de Santa Catarina.
Segundo caso em menos de um mês
Faz quinze dias que Joinville registrou uma cena parecida. Na manhã de 18 de julho, no Morro do Meio, Camila Fernandes de Andrade, também de 28 anos, matou o namorado Thomas Mota de Souza, de 41, com um golpe de faca no peito depois de uma discussão por ciúmes. Ela também alegou ter reagido a uma agressão, dizendo que teria sido enforcada. Também usou uma faca de cozinha. Também se apresentou à polícia e foi presa em flagrante.
Aquele caso ganhou desdobramento na semana passada. No dia 31 de julho, o Ministério Público de Santa Catarina denunciou Camila por homicídio qualificado por motivo fútil e pediu que ela seja julgada pelo Tribunal do Júri. Para a 23ª Promotoria de Justiça da Comarca de Joinville, a motivação foi uma discussão banal, ligada a ciúmes e ao celular que a vítima teria pegado. A denúncia foi oferecida com base nos elementos da investigação e no auto de prisão em flagrante.
Meses antes de matar o namorado, ela já havia sido ouvida pela PM em outra briga do casal, e na ocasião defendeu o companheiro. Momentos depois do crime, vídeos que circularam nas redes sociais a mostraram aos prantos ao lado do corpo caído na rua.
Ele é uma boa pessoa, não desejo representar contra ele.
O caso do Jardim Sofia foi registrado como homicídio doloso e a investigação está a cargo da Polícia Civil. Thays segue presa e aguarda a audiência de custódia, quando a Justiça decide se a prisão em flagrante será convertida em preventiva.


































