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Ex-prefeito diz que Balneário Camboriú está “desorganizada” e cobra fim da “raivinha”

Candidato a deputado federal pelo Republicanos, Fabrício Oliveira avaliou a gestão da prefeita Juliana Pavan, defendeu que o recurso economizado com a estadualização do Hospital Ruth Cardoso vá para a atenção básica e deu nota 10 a Jorginho Mello e nota negativa a Lula.

Ex-prefeito diz que Balneário Camboriú está “desorganizada” e cobra fim da “raivinha”
Foto: Reprodução
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Candidato a deputado federal pelo Republicanos e ex-prefeito de Balneário Camboriú por dois mandatos, Fabrício Oliveira sentou-se com o Jornal Razão para uma entrevista em que afirmou que a cidade que governou de 2017 a 2024 “está desorganizada”, cobrou da atual gestão que “quebre o retrovisor” e pare de justificar problemas com a herança do antecessor, defendeu que o dinheiro economizado com a estadualização do Hospital Ruth Cardoso seja revertido para a atenção básica e evitou dar nota à prefeita Juliana Pavan e ao colega de disputa Jair Renan Bolsonaro. Deu 10 a Jorginho Mello, nota negativa a Lula e 7,5 a si mesmo.

DO PICOLÉ À PREFEITURA: QUEM É FABRÍCIO OLIVEIRA

Fabrício Oliveira se apresentou ao Jornal Razão em poucas palavras: “Marido da Mozara, pai de Sofia, pai de Radaz, é cristão e o que faço é política, gosto”. A trajetória política começou em 2004, quando foi eleito vereador pela primeira vez em Balneário Camboriú. Em 2008, segundo ele, alcançou algo em torno de 3.306 votos, marca que descreveu como recorde da história do município. “Proporcional e numérico, continua sendo o mais votado”, afirmou.

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Depois da Câmara, foi secretário de governo, concorreu a deputado federal em 2014 e assumiu como suplente. Comandou a prefeitura de Balneário Camboriú de 2017 a 2024, em dois mandatos, e, mais recentemente, ocupou a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável e Planejamento na gestão de Jorginho Mello (PL). Também presidiu a federação dos municípios catarinenses.

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Ao explicar o que o move, recorreu à própria origem: “eu comecei naquela cidade vendendo picolé, e pela generosidade das pessoas eu me tornei prefeito, duas vezes”. Ele citou como legados o alargamento da faixa de areia, obra que descreveu como “o maior aterro de praia da América Latina até aquele momento”, executada em 90 dias durante a pandemia, o maior campeonato de beach tennis do mundo, o programa Abraço, de combate ao suicídio e à depressão, a Casa do Autista, a Casa da Família Inteligência Emocional e a criação da Secretaria do Idoso, que classificou como a primeira de Santa Catarina.

“A CIDADE ESTÁ DESORGANIZADA”: O DIAGNÓSTICO SOBRE A GESTÃO ATUAL

Questionado sobre a chamada guerra fria política em Balneário Camboriú, o ex-prefeito não citou nomes de imediato, mas mandou o recado à administração da prefeita Juliana Pavan Von Borstel (PSD): “tem que tentar olhar pra frente, quebrar o retrovisor, e se ficar olhando pro retrovisor vai ficar batendo nos buracos na cidade, e não vai conseguir governar”. Segundo ele, quem é eleito “é eleito pra resolver”, e não para se justificar em ações do governo passado.

Ao ser perguntado diretamente se a cidade perdeu a régua, respondeu sem rodeios: “Ao meu ver, hoje a cidade está desorganizada. É claro que a cidade está desorganizada”. Na avaliação dele, o principal ativo do município é a segurança pública, e também a sensação de segurança. Trata-se da leitura do ex-prefeito, hoje adversário político da atual gestão.

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Fabrício sustentou que sujeira, buracos e falta de zeladoria são percebidos primeiro pelo morador e, em consequência, pelo turista. “Quem recebe o turista é o morador da cidade, é quem trabalha, quem faz ela crescer”, disse. Ele afirmou que o problema é cobrado nas ruas: “a gente anda na rua, as pessoas comentam. Esse é hoje um dos problemas que a cidade precisa resolver”.

SEGURANÇA PÚBLICA, JANELAS QUEBRADAS E O CONTRAPONTO DO JR

O ex-prefeito listou o que diz ter feito na área: criação da maior guarda municipal de Santa Catarina naquele momento, “maior que Joinville, maior que Florianópolis na época”, uma nova base que classificou como o espaço mais moderno de segurança pública do estado, investimento em munição, armamento, drones “com característica militar” e videomonitoramento na praia. Citou um Ano Novo em que, segundo ele, seis celulares foram furtados e cinco recuperados, resultado que atribuiu à integração entre base na praia, câmeras, drones e forças de segurança.

O entrevistador Lorran Barentin, diretor do Jornal Razão, fez a ponderação: disse que não mora em Balneário Camboriú e que, visto de fora, a prefeitura anunciou recentemente edital para voltar a ter a maior guarda municipal de Santa Catarina, além de investir em drones e tecnologia; lembrou ainda o trabalho diário da guarda e da Polícia Militar, cujo comandante local é “muito respeitado a nível de Estado”. Perguntou o que teria deixado de funcionar.

Fabrício reconheceu as medidas: “essas ações que você relatou, elas são importantes”, e elogiou o comandante da PM, que segundo ele “sempre foi muito parceiro”. Mas argumentou que falta o resto da equação, recorrendo à teoria das janelas quebradas: “A pessoa não vai jogar um papel onde está limpo. A pessoa não vai quebrar uma vidraça onde todas estão preservadas”. Meio-fio pintado, muros sem pichação, calçadas em dia e buracos resolvidos, disse, compõem a ordem pública. Sobre moradores em situação de rua, defendeu “ataque sistêmico” e afirmou que é preciso discutir internação compulsória, ponderando que há pessoas inofensivas e outras que, com problema de vício, representam “perigo para si e para o próximo”.

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“PERGUNTE AO PROFESSOR”: A RESPOSTA ÀS ACUSAÇÕES DE ABANDONO

O Jornal Razão confrontou o entrevistado com a versão da atual gestão, de que a cidade ficou sem obras em escolas e postos de saúde e que muita coisa foi encontrada abandonada. A pergunta foi direta: ter meio-fio pintado e posto de saúde com goteira não seria maquiagem?

A resposta veio pelo lado dos servidores. “Pergunte ao professor que está em sala de aula hoje. Qual é a satisfação dele? Pergunte ao funcionário público”, disse, argumentando que são eles que permanecem quando o governo muda, “nós somos passageiros”. Destacou o relacionamento com o servidor e afirmou que é “muito importante o funcionário não ser perseguido”, lembrando que o programa Abraço se estendia ao funcionalismo.

Segundo Fabrício, já se passaram praticamente dois anos da troca de governo e “já estava mais do que na hora de lidar com as responsabilidades e resolver os problemas do que ficar olhando para trás”. Ele classificou as críticas como “narrativas incipientes, construídas na tentativa de desconstrução do antecessor”, e disse que não fez o mesmo com o antecessor dele. Sobre a valorização imobiliária que virou símbolo da cidade, ressalvou: “é tão somente uma consequência. Isso nunca foi o objetivo do meu governo”.

Ele afirmou não ter feito oposição à sucessora, que “fez a composição, trouxe uma série de vereadores para o seu escopo que estavam conosco, trouxe uma série de servidores, trouxe uma série de cargos de confiança”, e concluiu: “está tudo certo. Toca a cidade, a cidade tem que andar”. Disse ainda que, se eleito, quer ajudar Balneário Camboriú.

HOSPITAL RUTH CARDOSO: “NÃO SEI O QUE ESTÁ SENDO FEITO COM ESSE RECURSO”

Um dos trechos mais concretos da entrevista tratou da estadualização do Hospital Ruth Cardoso, decisão que ele atribuiu ao governador Jorginho Mello e que passou por um grupo gestor do qual afirmou fazer parte. Com o aporte estadual, disse, o município deixou de arcar com o maior dispêndio da saúde, e sobrou dinheiro no caixa municipal.

Fabrício afirmou que Balneário Camboriú investia mais de 30% do orçamento em saúde, quando a obrigação constitucional é de 15%. Com o hospital fora da conta, defendeu que o recurso vá para a atenção básica: prevenção, idoso, cirurgias eletivas, postos de saúde e valorização das equipes da Estratégia Saúde da Família. Perguntado se isso está acontecendo, foi curto: “Não vejo. Não vejo isso acontecendo”, e completou que “é muito recurso que o município deixou de investir”. Trata-se da avaliação do ex-prefeito; a atual gestão não foi ouvida na conversa.

Ele admitiu, com franqueza, que não teve a mesma sorte: “eu não tive essa prerrogativa de ter uma ajuda tão generosa do governo”, explicando que o Estado só chegou a esse ponto depois de “colocar a casa em ordem”. Sobre o hospital hoje, disse que houve melhora nos últimos tempos, mas classificou a troca de gestão como conturbada e criticou a falta de “um diálogo mais transparente” com a população atendida durante a travessia. E resumiu sua tese: “quando você consegue gastar na atenção básica, você diminui o impacto da emergência”.

PL, REPUBLICANOS E A DEBANDADA DE VEREADORES

Recém-chegado ao Republicanos, Fabrício garantiu que o desalinhamento nacional entre o partido e o PL não afeta Santa Catarina. “Em Santa Catarina a gente está junto com o PL”, disse, lembrando que o Republicanos catarinense “é uma extensão de pessoas que estavam no PL, como eu”. Citou São Paulo como exemplo de arranjo distinto, com o governador Tarcísio apoiando Flávio Bolsonaro, e disse defender que os partidos tenham posição nacional, “porém, aqui em Santa Catarina ela está consolidada”.

Sobre a saída do PL, foi direto: “era um partido que estava muito inchado, muita briga também”. Ainda assim, projetou que o Republicanos deve ser a segunda maior bancada catarinense, atrás apenas do PL. E afirmou estar à vontade na nova sigla porque tem “liberdade de defender o que penso”.

Questionado sobre Jair Renan Bolsonaro, vereador eleito que prometeu na tribuna que “a cobra ia fumar” contra o sistema de Balneário Camboriú e hoje integra a base da prefeita, o ex-prefeito preferiu falar do partido, não da pessoa: “eu não tenho acompanhado a ação ou o mandato do Renan especificamente”. Lembrou que organizou a maior bancada do PL na cidade quando era presidente da sigla, com posicionamento de isenção e fiscalização, e afirmou que a legenda declarou por ofício, lido por um vereador, a migração para a base do governo. “É uma posição diferente do que se propôs na eleição”, avaliou.

Ele citou nominalmente os vereadores Vitor e Guilherme, que segundo ele não concordaram e deixaram o partido com aval do governador, e criticou uma tentativa de cassação: “de maneira muito infeliz foi tentado arquitetar uma cassação que não vai dar absolutamente em nada. Acho isso um desrespeito”.

AS VOCAÇÕES DAS REGIÕES E O GARGALO DAS BRS

Ao explicar por que quer ir a Brasília, Fabrício traçou o mapa econômico do estado: metalmecânica no Norte, agro no Oeste, indústria têxtil no Alto Vale, cerâmica no Sul e o turismo se expandindo do litoral para a Serra. Afirmou ter entregado ao governador um projeto detalhando essa diversidade por região. Apontou um dado que considera decisivo: mesmo sendo o maior receptor de migrantes interestaduais do país, “30% dos municípios de Santa Catarina perderam população”.

No litoral, disse, o problema mais sério é a moradia: o espaço territorial valorizado “acaba empurrando o trabalhador para morar mais longe”, o que já gera alta rotatividade de mão de obra no setor de serviços. A saída que defende passa pelos planos diretores municipais: uma verticalização vocacionada, em que o proprietário da área possa construir acima do gabarito atual desde que destine as unidades à moradia do trabalhador, com metro quadrado abaixo do praticado no mercado, sem que o poder público precise investir na construção.

O entrevistador rebateu que plano diretor é assunto municipal e perguntou o que um deputado federal pode fazer. Fabrício respondeu que a atuação vai além de emendas, que “têm um limite e são carimbadas”, e defendeu o papel de articulador regional. Deu exemplos: esteve em Rio do Sul um dia antes e apontou a BR-470 como gargalo. “Para quem chega em Blumenau está um pouco melhor, mas para quem chega em Rio do Sul está muito ruim. A 282 nem se fala”. O jornalista lembrou o acidente do dia anterior, com duas mortes (mãe e filha, de Navegantes), e ele confirmou o episódio, defendendo mediação com o governo federal para duplicação de trechos. Sobre a BR-101, disse que “é uma avenida que está passando dentro das cidades” e apontou a Via Mar como solução de médio e longo prazo.

Outra bandeira é a conectividade. Fabrício afirmou que o programa Sinal Bom, que passou pela Secretaria de Planejamento, deve dar a Santa Catarina cobertura de internet em quase 100% do território, o que seria inédito no país. Fez o diagnóstico com humor: “Santa Catarina hoje é um estado que deve ser sócio de Elon Musk pra vender Starlink, porque a quantidade de gente que está usando Starlink é loucura”. Citou trechos sem sinal entre Tijucas e Canelinha e na Nova Descoberta, onde, segundo ele, a pergunta corriqueira virou “qual é a tua operadora?”. E resumiu sua motivação: um estado que “a cada R$ 100 que dá a Brasília, retorna somente R$ 5, R$ 6, e às vezes nem isso”.

NOTAS: 10 PARA JORGINHO, NOTA NEGATIVA PARA LULA

No quadro de notas do Jornal Razão, Fabrício deu 10 a Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição ao governo. Justificou pelo “pacote de ações e obras” que diz ser inédito na história do estado, pelos indicadores em meio à crise, pela universidade gratuita e pelo mutirão de cirurgias. “É um cara simples, que se comunica de maneira simples e objetiva, e isso faz dele um líder popular, ao mesmo tempo não é um líder populista”.

O entrevistador fez a ressalva: o investimento em publicidade do governo Jorginho é muito superior ao de gestões anteriores, e marketing bem feito tem reflexo. Fabrício reconheceu a ponderação como “relevante” e “coerente”, mas contra-argumentou: “se você tem só a publicidade de algo que não tem relevância, que não tem aderência, vira negativo”. Lembrou que o governo Lula também tem investimento recorde em publicidade e disse que “as contas do Estado estão saneadas”.

Para Lula, a nota foi a mais baixa possível: “se pudesse dar negativo, dava negativo. Não tem nem nota para dar isso aí”. Ele citou 80% das famílias endividadas, 833 pedidos de falência e concordata em 2022, projeção de mais de 6 mil empresas pedindo falência ao fim deste ano e cerca de R$ 1,1 trilhão em juros da dívida. Sobre a inflação sob controle, questionado diretamente, respondeu que “é uma sensação que não se realiza no bolso do trabalhador”, e apontou o parcelamento de compras de supermercado e até no iFood como sintoma: “eu não estou falando de coisas supérfluas, estou falando de coisas essenciais”. Chamou o programa de novo mandato de Lula, com Ministério da Segurança Pública, reação ao tarifaço de Trump, aproximação com os BRICS, volta da Petrobras à distribuição de combustíveis e fim da escala 6×1, de “uma balela, uma mentira, um engodo”.

Perguntado por que Santa Catarina é “demonizada”, respondeu citando declaração em que, segundo ele, Lula esteve no estado e disse que Santa Catarina “tem que parar de ser racista”. Para Fabrício, o fato de o estado ser o maior receptor de migrantes desmente a acusação: “eles vêm em busca de oportunidades, são recebidos de maneira digna e aqui eles ficam”.

A NOTA QUE NÃO VEIO E O 7,5 QUE ELE DEU A SI MESMO

Chegada a vez de avaliar a prefeita Juliana Pavan Von Borstel, o ex-prefeito recusou o número. “É até difícil dar uma nota”, disse, repetindo a receita de “olhar para frente” e cobrando que se cumpra o que se apontava da tribuna quando se era oposição. Emendou uma crítica ao clima político: “esse confronto político, da raivinha, da perseguição, do bater na mesa, isso já é coisa do passado”.

Pressionado, alegou que não usaria o espaço da entrevista contra um concorrente à mesma vaga, caso de Jair Renan Bolsonaro, nem para “deteriorar” ninguém. Sugeriu que o público desse a nota nos comentários: “as pessoas olham, as pessoas percebem, as pessoas veem”. Também admitiu o limite da própria isenção: “eu procuro me desvincular da minha posição para fazer uma leitura imparcial, mas até na imparcialidade a gente é parcial”. O diretor do Jornal Razão reabriu o convite a Jair Renan e a qualquer vereador de Balneário Camboriú, além de candidatos do PT, lembrando que o estado tem mais de 400 candidaturas e que cobrir todas é “quase humanamente impossível”.

Sobre si mesmo, a nota também custou. Depois de dizer que se considera “uma pessoa ensinável”, que governou “através de acertos e erros também” e que o que carrega é “o amor que eu tenho por esse estado”, fechou o número: “posso dar uma nota 5 e ser injusto, e posso dar uma nota 8 e também ser injusto. Então vamos fechar em 7,5”. Ao ser questionado se é um pai presente, respondeu que hoje está em agenda e viagens, mas busca “tempo de qualidade” com as filhas.

No encerramento, contou que na infância nunca apresentou um trabalho em sala de aula por timidez e dificuldade de fala, e que o estado o colocou “em uma das posições mais relevantes, que é governar uma cidade”. Deixou um apelo que disse não ser pedido de voto: “me preocupa não é o barulho dos maus, mas o silêncio dos bons”. E pediu que o catarinense vá às urnas se manifestar.

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