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Eleições 2026

“Não vi entrega alguma”: vereador cobra R$ 100 milhões da saúde em Balneário Camboriú

Em entrevista ao Estúdio JR, Victor Forte (Republicanos) critica a zeladoria da gestão Juliana Pavan, defende mais representação da AMFRI na Alesc e pede decreto contra a publicidade de bets em Balneário Camboriú.

“Não vi entrega alguma”: vereador cobra R$ 100 milhões da saúde em Balneário Camboriú
Foto: Reprodução
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Vereador em segundo mandato e candidato a deputado estadual pelo Republicanos, Victor Forte, de 28 anos, esteve no estúdio do Jornal Razão em entrevista a Lorran Barentin e disparou contra a gestão da prefeita Juliana Pavan (PSD) em Balneário Camboriú: diz não ver aplicação dos cerca de R$ 100 milhões que, segundo ele, deveriam ir para a saúde, acusa abandono da zeladoria e revela que a mãe da prefeita mandou que ele andasse “com uma melancia na cabeça”. Na conversa, ele ainda explicou a saída do PL a conselho do governador Jorginho Mello, defendeu que a região da AMFRI tem potencial para eleger dez deputados e chamou as bets de “praga”, pedindo à prefeita um decreto contra a publicidade das casas de aposta.

De 791 votos aos 18 anos ao segundo mandato

Victor Hugo Silva Forte, que assina Victor Forte, contou ao Jornal Razão que disputou sua primeira eleição aos 18 anos e fez 791 votos. Na segunda tentativa, somou 1.119 votos e se elegeu vereador de Balneário Camboriú em 2020. Em 2024, quase triplicou o desempenho do primeiro mandato: 2.888 votos, o segundo vereador mais votado da cidade, atrás apenas de Jair Renan Bolsonaro, que fez cerca de 3 mil.

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Ele fez questão de marcar que não vem de linhagem política. “Eu saí do nada, eu não sou de uma família tradicional de políticos”, afirmou. Segundo ele, os pais chegaram a reagir mal à decisão: “Os meus pais odiavam política, odiavam mesmo. Quando eu falei pra eles que eu queria entrar na política, eles queriam me matar”. A primeira campanha, relatou, foi feita porta a porta com pai, mãe e amigos, e a maioria daqueles 791 eleitores, diz, o acompanha até hoje.

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Aos 28 anos, bacharel em Direito e cursando pós-graduação em Administração Pública, ele agora disputa uma vaga na Assembleia Legislativa. Sobre a mudança de sigla, foi direto: estava no PL e migrou para o Republicanos. “O governador me chamou, falou: Victor, no PL tu não tem chance, no Republicanos tu tem chance de eleição”, contou, referindo-se a Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição ao governo.

Conta eleitoral ou divergência? A saída do PL

O entrevistador confrontou a versão. Barentin relatou que havia conversado na mesma manhã com o ex-prefeito Fabrício Oliveira, que atribuiu a saída de Forte não à conta eleitoral, mas a divergência de visão de cidade. O vereador então costurou as duas explicações: “Junto com ele também”, respondeu, dizendo que deixou o PL por conta eleitoral e também por não concordar com a aproximação do PL de Balneário Camboriú do governo municipal.

“Eu fui eleito pela oposição, não oposição à cidade, mas oposição à atual prefeita”, afirmou, citando nominalmente a aproximação com o governo de Juliana Pavan (PSD) como motivo. “O meu eleitor é um eleitor que não tem surpresas com o meu posicionamento”, disse.

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Barentin lembrou o contexto: o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro fez campanha em Balneário Camboriú contra Juliana Pavan; o filho dele, Jair Renan, foi eleito vereador pela oposição e viralizou prometendo que “a cobra vai fumar” contra o sistema local. Hoje, segundo o entrevistador, Jair Renan está na base do governo da prefeita, permaneceu no PL e é candidato a deputado federal. Questionado se a Câmara está bem representada, Forte respondeu apenas por si: “De minha parte, sim”.

A Kombi que “só aparece em ano de eleição”

O vereador defende o chamado gabinete móvel, uma Kombi que percorre os bairros para ouvir moradores. O entrevistador levou a ele uma crítica recorrente nas redes sociais: a de que o veículo só circula em ano eleitoral. “Não é justo”, rebateu Forte, alegando que a Kombi roda ao longo do mandato e que foi esse trabalho de rua que quase triplicou sua votação.

Para ele, parte da crítica nasce do desconhecimento sobre o próprio mandato. “Tu conheces os 140 mil, os 150 mil habitantes de Balneário Camboriú? Tu conhece todos?”, provocou, dizendo que boa parte da população sequer sabe o nome dos 19 vereadores. “Todas as pessoas que batem na minha porta, que mandam uma mensagem, elas são atendidas”, garantiu.

“Não vi entrega alguma”: os R$ 100 milhões da saúde

O ponto mais duro da entrevista foi a avaliação da atual gestão. Segundo Forte, na época se comentava que sobrariam cerca de R$ 8 milhões por mês nos cofres da prefeitura, algo próximo de R$ 100 milhões em um ano, e esse dinheiro, na avaliação dele, teria de ser aplicado na atenção básica, nas unidades básicas de saúde. Pressionado pelo entrevistador a apontar avanços concretos, respondeu: “Sendo sincero, bem imparcial, eu não vi entrega alguma”.

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Barentin ponderou que obra não fica pronta de um dia para o outro e disse falar como leigo, por não morar na cidade. Forte concordou com a ressalva e pediu prazo: “A gente tem que esperar dar um ano pra ver onde foi investido esse dinheiro”. Ainda assim, afirmou que fiscaliza “bastante” e citou um caso concreto: a unidade básica de saúde do bairro das Nações teria sido demolida com promessa de reconstrução, mas, segundo ele, a obra não começou. “Não foi colocado um prego lá ainda”.

Outro exemplo pessoal: uma sinaleira de pedestres em frente à paróquia do bairro onde mora, onde diz ter feito mais de 500 votos, é cobrada desde maio. Prometeram instalação em 30 dias, afirmou, e o pedido segue sem solução em meados de agosto. Ele também rebateu quem o acusa de cobrar agora e não cobrar na gestão anterior: “Quando era o Fabrício, a gente batia na porta e era atendido. Hoje é ela, a gente bate na porta e não é atendido”. Sobre a administração passada, ressalvou que não está ali para “passar pano”: “Teve seus acertos e teve seus erros”.

Zeladoria, tapa-buraco e a melancia na cabeça

A crítica mais insistente do vereador é sobre zeladoria. Segundo ele, a gestão atual abandonou o cuidado com a cidade, e a acusação vale tanto para os bairros quanto para o centro. “Ela se elegeu com um discurso falando que iria cuidar dos bairros da cidade. Agora ela não cuida nem do bairro e nem do centro”, afirmou. Durante a entrevista, exibiu vídeos enviados por moradores mostrando o que descreveu como pó de asfalto jogado sobre buracos da Terceira Avenida. “Pra uma cidade que arrecada R$ 2,3 bilhões por ano, tu acha que isso é um serviço que tá sendo feito?”, questionou.

As cobranças, segundo Forte, geraram reação do entorno da prefeita. Ele relatou que a mãe de Juliana Pavan comentou em suas redes mandando que ele andasse “com uma melancia na cabeça”, em resposta ao seu posicionamento de oposição. O vereador diz manter separação entre crítica política e ataque pessoal: “Eu ataco os problemas e não a pessoa da prefeita. Eu não faço oposição por oposição”. Perguntado sobre a postura da atual prefeita quando ela era vereadora, respondeu que era “bem ríspida” e “até bem pior” do que a dele.

Ele também apontou a abstenção como sintoma da descrença: na última eleição municipal, segundo seus números, 33 mil eleitores de Balneário Camboriú se abstiveram, votaram branco ou nulo, mais do que os 28 mil votos que elegeram a prefeita. Barentin cravou a leitura: “A principal função do cara que é candidato hoje é, primeiramente, não convencer o cara a votar nele. Primeiramente, ele tem que convencer o cara a votar”.

“A gente tem capacidade de ter 10 deputados”

O eixo da pré-campanha é a representatividade regional. Forte sustenta que a região de Balneário Camboriú, Camboriú, Itajaí e Itapema manda muito dinheiro para Brasília e Florianópolis e recebe pouco de volta. “A região nossa tem potencial de ter 10 deputados estaduais, e a gente tem 3”, afirmou, citando um de Bombinhas, um de Balneário e um de Camboriú.

Ele lembra ainda que emendas parlamentares de R$ 20 milhões por ano por deputado deixam de chegar por falta de representantes: “E esse dinheiro é pra reformar uma escola, uma creche, um posto de saúde”. No plano federal, disse que Balneário Camboriú não elege um deputado federal desde 1994. O último, segundo ele, foi Pavan.

Uma preocupação específica: as pontes da BR-101. Depois do problema na ponte de Laguna, inaugurada em 2015, Forte diz ter pesquisado a data de inauguração da ponte sobre o Rio Itajaí-Açu, sem marginais, construída em 1990, e não ter encontrado registro de manutenção. “Se acontece um problema e aquela ponte cai, vai colapsar a região nossa, isso é fato”, alertou, defendendo a construção das marginais. Barentin reforçou o gargalo do trânsito citando o senador Esperidião Amin: não dá para marcar reunião em Navegantes e em Florianópolis no mesmo turno da tarde, porque não se sabe se dá para chegar.

A ponderação do entrevistador foi registrada na conversa: cobrar representação regional costuma gerar polêmica, com críticos alegando que candidatos de outras regiões também recebem voto no litoral. “Se a gente não falar, se a gente não levantar o assunto, a gente vai ficar sempre nesse mesmo ciclo”, argumentou Barentin. Forte concordou: “É óbvio que eu vou representar as pautas daquela região”.

Idosos, autistas e a Fiat Toro no lugar da van

Uma das pautas que o pré-candidato promete levar à Assembleia é o cuidado com idosos. Ele afirma que um terço da população de Balneário Camboriú tem 60 anos ou mais, muitos vivendo sozinhos em apartamentos, longe da família que ficou na cidade natal. “Esses idosos, eles estão trancados nos seus apartamentos, muitas das vezes sozinhos”, disse.

O caso que mais o irritou envolve um recurso que diz ter buscado em Brasília. Segundo o relato, um deputado sinalizou uma emenda de R$ 200 mil; como uma van custa cerca de R$ 400 mil, ele procurou o secretário de Inclusão Social do município pedindo que a prefeitura completasse o valor. “Na hora de fazer a compra, o secretário, ao invés de comprar uma van, comprou uma Toro”, afirmou. E ironizou: “A gente tá esperando chegar a Fiat Toro que, decerto, eles vão carregar elas na caçamba”.

Ele também disse ter ouvido, em rádio, o secretário afirmar que a Casa da Família não era “uma agência de turismo” para senhoras fazerem passeios. “Aquilo doeu tanto em mim”, reagiu, explicando que o equipamento foi criado na gestão anterior para integrar pessoas e que os passeios eram, muitas vezes, o único momento de convívio das idosas. Barentin registrou a própria posição: “Eu não acho que o Estado tem que cuidar de tudo”, mas classificou a fala do secretário como lamentável e triste.

Segundo o vereador, o Grupo Apoio, formado por voluntárias que ajudavam a organizar a Casa da Família, com cursos, bailes e bingos para o público de 60 anos ou mais, foi se desfazendo. “As idosas me mandam áudio às vezes, assim, chorando. Porque elas foram desprezadas pela atual gestão”, afirmou, dizendo que a administração passou a enxergá-las como inimigas. Ele quer levar o modelo da Casa da Família e do voluntariado para todo o estado.

Outra bandeira é a das mães atípicas e dos autistas. Forte contou ter conhecido, na pré-campanha, Cleide, moradora de Vitor Meireles, que não tem assistência perto de casa para o filho fazer terapia. “Essas mães atípicas merecem a atenção do poder público”, defendeu, prometendo cobrar políticas públicas para autistas do interior catarinense.

“As bets são uma praga”: o pedido de decreto à prefeita

O vereador afirma ter apresentado em Balneário Camboriú um “pacote antibets”: três projetos de lei que proíbem publicidade de casas de aposta nas proximidades de escolas, vedam que a prefeitura patrocine eventos com presença de bets e uma indicação pedindo atendimento psicológico a quem sofre de ludopatia. “As bets são uma praga que estão acabando com as famílias do nosso país”, disse, apontando que a Terceira Avenida é onde mais há placas de publicidade do setor.

Ele mira também os divulgadores. “O influenciador, na verdade, ele tá lucrando em cima da tua desgraça”, afirmou, comparando o cenário à propaganda de cigarro na TV: “Um está acabando com a vida financeira e o outro acaba com a tua vida física”. Sobre o perfil do apostador, disse: “Normalmente, quem aposta em bet é alguém que já está vulnerável financeiramente e se ilude achando que vai dobrar o dinheiro”.

Barentin fez o contraponto libertário: proibir anúncio adianta, se as drogas são proibidas e o consumo segue? “Eu acredito que sim. A gente tem que tentar ir fechando o cerco contra elas no máximo possível”, respondeu o vereador. Citado o decreto editado nesta semana pelo prefeito de Brusque, André Vechi (PL), Forte olhou para a câmera e fez o apelo direto:

“Prefeita Juliana Pavan, faça um decreto em Balneário Camboriú proibindo a publicidade de bets na nossa cidade.”

E acrescentou: “Eu não quero que os méritos sejam meus, mas eu quero que as pessoas comecem a falar sobre isso”.

Notas rápidas: 0 para Lula, 10 para Jorginho, 5 para a prefeita

No bloco final de notas de 0 a 10, o pré-candidato deu zero a Luiz Inácio Lula da Silva. “Não entregou nada pra Santa Catarina”, afirmou, citando o Porto de Itajaí. O entrevistador contestou, dizendo não ser petista nem de esquerda, apenas alguém que provoca em todos os sentidos, e lembrou que houve avanços do governo federal no estado. Forte manteve: “Zero. Eu acho que poderia ter entregue muito mais pro catarinense”. Barentin também ponderou que o governo Bolsonaro atravessou o contexto da pandemia, o que o vereador reconheceu como “um período atípico”.

A Jorginho Mello (PL), deu 10. “Eu nunca vi um governador ir tanto numa cidade como o governador Jorginho foi a Balneário Camboriú”, disse, mesmo com a prefeitura nas mãos de um partido adversário. Citou como entregas a assunção do Hospital Ruth Cardoso pelo estado e o lançamento do projeto da Via Mar, para desafogar o trânsito. Questionado se há projeto ou apenas ideia, e lembrado da polêmica em torno da obra, respondeu: “Tem projeto. Governador Jorginho é um cara de palavra”.

Ao ex-prefeito Fabrício Oliveira deu 10, dizendo que ele acertou mais do que errou e consolidou a marca da cidade. A Juliana Pavan, deu 5, com um recado: “Eu acredito que ela tenha boas intenções, mas ela tem que mudar a equipe, porque a mesma equipe que fez ela ganhar vai fazer ela perder a reeleição”. Barentin discordou da premissa, para ele, reeleição não deve ser objetivo de político, e Forte concedeu: “A reeleição tem que ser consequência”.

Para si mesmo, cravou 10. Ao encerrar, pediu voto de confiança sem citar número, para não incorrer em propaganda antecipada, já que a campanha começa em 16 de agosto. “Algumas pessoas podem olhar pra mim e falar: meu Deus, o que um piá de 28 anos quer fazer na Alesc? Eu falo a mesma coisa de quando eu disputei a minha primeira eleição com 18 anos”, afirmou. “Eu não tenho a experiência, como muitos têm lá dentro, mas eu tenho a força de vontade e a disposição de trabalhar pelo catarinense”.

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