Santa Catarina derrubou São Paulo do primeiro lugar do Ranking de Competitividade dos Estados e passou a ser, oficialmente, o estado mais competitivo do Brasil. A edição 2026 do levantamento do Centro de Liderança Pública (CLP), lançada nesta quinta-feira (27) em São Paulo, dá aos catarinenses 87,06 pontos numa escala de 0 a 100. São Paulo, vencedor das 14 edições anteriores, ficou com 80,68 e caiu para o segundo lugar. O Paraná é o terceiro, com 76,30.
É a primeira vez em 15 edições que o topo do ranking muda de dono. Na série analisada pelo CLP, que começa em 2016, Santa Catarina estreou em terceiro, subiu para segundo em 2017 e ficou ali por nove edições seguidas, sempre atrás dos paulistas. Em 2026, além de assumir a ponta, cravou a maior nota da sua história e o maior salto anual do estado em toda a série: 6,96 pontos a mais que os 80,10 de 2025.
A vantagem sobre São Paulo é de 6,38 pontos. Sobre o Paraná, 10,76. Sobre o Rio Grande do Sul, quarto colocado com 68,00, mais de 19 pontos. Nenhum outro estado passa de 81. E o feito vem de um estado com 3,7% da população brasileira, 7,6 milhões de habitantes espalhados por 295 municípios, contra o estado mais rico e populoso do país.

Quatro pilares na liderança e top 5 em todos os dez
O ranking avalia as 27 unidades da federação a partir de 100 indicadores, distribuídos em dez pilares: Infraestrutura, Sustentabilidade Social, Segurança Pública, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Capital Humano, Sustentabilidade Ambiental, Potencial de Mercado e Inovação. Santa Catarina lidera quatro deles, Capital Humano, Potencial de Mercado, Segurança Pública e Sustentabilidade Social, todos com nota máxima, 100. Nenhum outro estado lidera mais de três: São Paulo é o primeiro em Educação, Infraestrutura e Sustentabilidade Ambiental, o Rio Grande do Sul em Eficiência da Máquina Pública e Inovação, e o Espírito Santo em Solidez Fiscal.
O que separa a liderança catarinense das demais é a regularidade. Nos pilares que não lidera, Santa Catarina é 2ª em Educação e Inovação, 3ª em Eficiência da Máquina Pública, 4ª em Solidez Fiscal e Sustentabilidade Ambiental e 5ª em Infraestrutura. Está entre os cinco melhores do Brasil em todos os dez pilares e no pódio em sete deles. São Paulo, por comparação, aparece em 9º em Capital Humano, 11º em Eficiência da Máquina Pública e 14º em Solidez Fiscal. O Paraná fica fora do top 5 em quatro pilares.
A subida não veio de um pilar só. Em relação a 2025, Santa Catarina melhorou de posição em seis dos dez pilares, manteve três e caiu em apenas um, Infraestrutura, de 4º para 5º. Em Educação, saltou do 9º para o 2º lugar, com a nota do pilar subindo de 68,07 para 93,04. Em Eficiência da Máquina Pública, do 10º para o 3º. Em Potencial de Mercado, do 3º para o 1º. Em Solidez Fiscal e em Sustentabilidade Ambiental, do 7º para o 4º. Em Sustentabilidade Social, retomou a liderança que tinha mantido por nove anos seguidos, entre 2016 e 2024.

Melhor do Brasil em 14 dos 100 indicadores
Na conta dos 100 indicadores, o estado é o melhor do país em 14, está no pódio em 24, entre os cinco melhores em 35 e entre os dez melhores em 67. Aparece entre os seis piores em apenas sete.
Os 14 primeiros lugares se espalham por sete pilares. Em Segurança Pública, a menor taxa de mortes violentas do Brasil, 7,6 por 100 mil habitantes, e o menor índice de roubos, 60,1 por 100 mil, ambos com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2025. Em Sustentabilidade Social, a menor desigualdade de renda (índice de Gini de 0,406, IBGE 2025), a menor desnutrição na infância (1,06%, Sisvan 2025) e o primeiro lugar em equilíbrio racial. Em Capital Humano, o mercado de trabalho mais formalizado (75,2% dos ocupados), a maior inserção econômica (97,5%), a maior inserção econômica dos jovens (90,4%) e a menor subocupação por insuficiência de horas (1,2%), todos com base no IBGE de 2025.
Completam a lista a maior taxa de atendimento do ensino infantil (71,7%, IBGE 2025) e o primeiro lugar em avaliação da educação, no pilar Educação; a menor inadimplência do país (34,2%, Serasa e IBGE 2025), em Potencial de Mercado; o maior equilíbrio de gênero na remuneração do serviço público estadual (diferença de 2,36%), em Eficiência da Máquina Pública; e 100% de acesso à energia elétrica, em Infraestrutura.

Contra São Paulo, 7 a 3
Colocados lado a lado, os números explicam por que o estado passou São Paulo. No confronto direto, pilar a pilar, Santa Catarina vence os paulistas em sete dos dez: Capital Humano (1º contra 9º), Potencial de Mercado (1º contra 5º), Segurança Pública (1º contra 7º), Sustentabilidade Social (1º contra 2º), Inovação (2º contra 4º), Eficiência da Máquina Pública (3º contra 11º) e Solidez Fiscal (4º contra 14º). São Paulo leva Educação, Sustentabilidade Ambiental e Infraestrutura.
A liderança também redesenha o mapa do Sul. Santa Catarina, Paraná (3º) e Rio Grande do Sul (4º) colocam a região inteira entre os quatro primeiros do ranking, e a comparação direta mostra o tamanho da vantagem: Santa Catarina vence o Paraná em oito dos dez pilares e o Rio Grande do Sul também em oito.
| Pilar | SC | SP | PR | RS |
|---|---|---|---|---|
| Capital Humano | 1º | 9º | 4º | 6º |
| Potencial de Mercado | 1º | 5º | 7º | 24º |
| Segurança Pública | 1º | 7º | 4º | 2º |
| Sustentabilidade Social | 1º | 2º | 5º | 4º |
| Educação | 2º | 1º | 6º | 9º |
| Inovação | 2º | 4º | 5º | 1º |
| Eficiência da Máquina Pública | 3º | 11º | 8º | 1º |
| Sustentabilidade Ambiental | 4º | 1º | 3º | 5º |
| Solidez Fiscal | 4º | 14º | 6º | 26º |
| Infraestrutura | 5º | 1º | 3º | 16º |
| Geral | 1º | 2º | 3º | 4º |
Para Renato Eliseu Costa, doutor em políticas públicas e professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq/USP, a diferença em relação a São Paulo está na consistência. “São Paulo continua tendo picos de excelência, mas Santa Catarina apresenta uma competitividade mais sistêmica e com menos gargalos”, disse o professor ao jornal O Estado de S. Paulo, que deu destaque à virada catarinense no caderno de Negócios da edição impressa desta quinta-feira.

Segurança, renda e trabalho: onde o estado lidera há anos
A hegemonia em Segurança Pública é a sequência mais longa em vigor. Desde 2019 Santa Catarina não sai do primeiro lugar no pilar e, contando 2017, já são nove lideranças nas últimas dez edições. No indicador de segurança pessoal, que mede as mortes violentas, o estado passou dez anos em segundo lugar, de 2016 a 2025, e em 2026 chegou ao topo pela primeira vez. Em segurança patrimonial, que mede roubos, é o primeiro do país pelo quarto ano seguido.
Em Sustentabilidade Social, o estado voltou a uma posição que foi sua em dez das 11 edições da série: liderou de 2016 a 2024, caiu para segundo em 2025 e reassumiu o topo em 2026. Tem a menor desigualdade de renda do Brasil em todas as 11 edições, sem exceção. A mortalidade na infância, de 12,2 por mil nascidos vivos (Datasus, 2024), é a segunda menor do país, e o IDH, de 0,833, é o terceiro maior, posição mantida desde 2016.
Em Capital Humano, Santa Catarina lidera pelo quarto ano consecutivo. É o primeiro lugar em formalidade do mercado de trabalho e em inserção econômica dos jovens em todas as 11 edições do ranking. O único indicador do pilar em que aparece mal é o custo médio da mão de obra, R$ 3.725,50 (IBGE, 2025), o quarto mais alto do Brasil: pesa contra na régua da competitividade e conta a favor de quem vive de salário.
Na contramão do país
O resultado ganha peso quando comparado ao que aconteceu no resto do Brasil. Tadeu Barros, diretor-presidente do CLP, afirmou ao Estadão que a segurança pública foi um dos principais pontos de deterioração nacional nesta edição, com piora de 9,3% na mediana da nota bruta dos estados. Pelo levantamento, Eficiência da Máquina Pública e Solidez Fiscal também registraram queda no conjunto do país. Santa Catarina foi na direção contrária: manteve a nota 100 em Segurança Pública, subiu de 10º para 3º em Eficiência da Máquina Pública e de 7º para 4º em Solidez Fiscal.
Mais do que identificar quem lidera, o ranking oferece evidências para que gestores públicos possam aprender com as melhores práticas e acelerar a construção de estados mais eficientes, inovadores e capazes de oferecer melhores oportunidades para a população.
Tadeu Barros, diretor-presidente do CLP
Quarto ano do governo Jorginho Mello
O resultado chega no quarto ano do governo Jorginho Mello (PL), que assumiu em janeiro de 2023. Desde então, Santa Catarina lidera o pilar Capital Humano em todas as edições, e a nota geral do estado subiu de 79,25, em 2022, para 87,06. Na edição passada, quando o estado ainda era vice, o governador ligou os dois temas que voltam a aparecer no topo em 2026: “Reduzir a violência é uma condição fundamental para um Estado cada vez mais competitivo”, disse à época, em nota da Secretaria de Estado da Segurança Pública. Nesta quinta-feira, Jorginho participa do painel de governadores no evento de lançamento do ranking, em São Paulo.
Onde ainda há lição de casa
O próprio ranking aponta os gargalos. Santa Catarina está em 24º em qualidade do serviço de telecomunicações, 23º em oferta de serviços públicos digitais, 22º em custo do saneamento básico, 16º em tratamento de esgoto e 15º no índice de transparência, este último com base da CGU de 2020. Infraestrutura, o único pilar em que o estado recuou, segue como o ponto mais fraco, mesmo com 100% de acesso à energia elétrica, o terceiro custo de energia mais baixo do país e 99,7% de cobertura de backhaul de fibra óptica.
Como o ranking é feito
O Ranking de Competitividade dos Estados chega à 15ª edição produzido pelo CLP, organização suprapartidária com 18 anos de atuação, em parceria com a Tendências Consultoria. São 100 indicadores, organizados em dez pilares, e cada um usa a base mais recente disponível na fonte oficial: IBGE, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Datasus, Siconfi, Inep, Anatel, Aneel e MapBiomas, entre outras. As notas são normalizadas numa escala de 0 a 100, e a nota 100 corresponde ao melhor desempenho do país no pilar. A edição de 2026 incorporou pela primeira vez um indicador de feminicídio, no qual Santa Catarina aparece em 7º, com 1,28 caso por 100 mil mulheres.
Ranking geral 2026: os 27 estados
| Posição | Estado | Nota | Variação |
|---|---|---|---|
| 1º | Santa Catarina | 87,06 | +1 |
| 2º | São Paulo | 80,68 | −1 |
| 3º | Paraná | 76,30 | = |
| 4º | Rio Grande do Sul | 68,00 | +1 |
| 5º | Espírito Santo | 67,24 | +2 |
| 6º | Distrito Federal | 62,43 | −2 |
| 7º | Minas Gerais | 60,23 | −1 |
| 8º | Goiás | 59,46 | = |
| 9º | Mato Grosso | 59,08 | +1 |
| 10º | Mato Grosso do Sul | 55,15 | −1 |
| 11º | Ceará | 54,04 | +3 |
| 12º | Paraíba | 53,92 | −1 |
| 13º | Rio de Janeiro | 50,01 | +2 |
| 14º | Amazonas | 48,99 | +3 |
| 15º | Rio Grande do Norte | 46,94 | +1 |
| 16º | Sergipe | 44,96 | −4 |
| 17º | Pernambuco | 43,57 | +2 |
| 18º | Alagoas | 42,99 | +2 |
| 19º | Piauí | 39,36 | +2 |
| 20º | Rondônia | 36,33 | −7 |
| 21º | Bahia | 36,11 | +1 |
| 22º | Roraima | 35,69 | +2 |
| 23º | Maranhão | 34,12 | = |
| 24º | Tocantins | 33,33 | −6 |
| 25º | Pará | 32,81 | = |
| 26º | Acre | 24,73 | = |
| 27º | Amapá | 24,50 | = |
Os resultados completos, com a posição de cada estado em cada um dos 100 indicadores, estão no site rankingdecompetitividade.org.br. Depois de nove anos como vice, Santa Catarina passa a ter, a partir de agora, uma tarefa que nunca teve: defender o primeiro lugar na edição de 2027.














