Uma eleitora subiu na caminhonete que levava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelas ruas de Juazeiro do Norte, no Cariri cearense, e enlaçou o pescoço dele com os dois braços. Lula retribuiu o gesto por alguns instantes. Ao lado, coube à primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, desfazer o nó.
ASSISTA AO VÍDEO
O vídeo abre no Instagram, em uma nova aba
A cena aconteceu na noite desta sexta-feira (4), no encerramento de uma caminhada que reuniu Lula, o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e outros aliados. O presidente cumprimentava apoiadores em pé na carroceria de um veículo aberto quando a mulher se aproximou e se apoiou na lateral para alcançá-lo.
As imagens não mostram agressão nem hostilidade por parte da apoiadora. A intervenção veio pela duração e pela intensidade do abraço, com Lula curvado sobre a estrutura do carro no meio da multidão. Na tentativa de mantê-lo junto a ela, a mulher chegou a puxar o presidente e provocou um desequilíbrio no veículo.
Janja interveio, puxou Lula para afastá-lo da eleitora e, durante a movimentação, o presidente segurou a grade da carroceria para manter o equilíbrio. A mulher soltou Lula pouco depois e deixou o veículo. A caminhada seguiu.
O abraço não foi a primeira intervenção da primeira-dama na agenda. Janja permaneceu ao lado do marido nos cerca de dois quilômetros percorridos pelas ruas da cidade e usou uma toalha para enxugar o suor dele por causa das altas temperaturas.
O que o vídeo entrega, portanto, é isso: uma primeira-dama tirando os braços de uma apoiadora do pescoço do marido em cima de uma caminhonete. O resto é leitura de cada um. As imagens, isoladamente, não permitem determinar a motivação da primeira-dama, e não há até o momento declaração pública de Janja, de Lula ou da eleitora que confirme discussão, ciúme ou desentendimento.
Isso não impediu a internet de escalar times. O registro foi compartilhado por perfis políticos e veículos de comunicação com descrições bem diferentes: parte classificou a atitude como tentativa de proteger o presidente e encerrar o abraço; parte atribuiu a reação a uma suposta crise de ciúme.
De um lado ficou quem viu proteção. Lula tem 80 anos, estava em pé em um carro cercado por uma multidão, sem barreira entre ele e a rua, e o puxão quase o levou junto. Nas redes, apoiadores da primeira-dama defenderam a postura justificando a segurança do presidente em disputa pela reeleição.
Do outro, quem viu exagero. Publicações críticas exploraram o fato de a primeira-dama estar com um pano na mão enquanto afastava a mulher e acusaram Janja de desprezo pela apoiadora. A toalhinha que servia para secar o suor virou peça de acusação em menos de 24 horas.
A caminhada era o ato principal da viagem. Lula foi ao estado para apoiar a reeleição de Elmano de Freitas (PT) ao governo cearense e as candidaturas de Cid Gomes (PSB-CE) e de Luizianne Lins (Rede-CE) ao Senado. A manifestação reuniu milhares de pessoas e terminou com um comício.
Antes do ato, o presidente passou por Crato (CE), onde visitou as obras do Cinturão das Águas do Ceará, acompanhado da ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, e dos ministros José Guimarães (Relações Institucionais) e Waldez Góes (Desenvolvimento Regional).
Janja participa das atividades eleitorais de Lula mesmo sem exercer cargo formal na campanha, entra nas discussões de estratégia e deve cumprir agendas próprias em diferentes estados. Segundo o presidente nacional do PT, Edinho Silva, a atuação dela inclui a mobilização do eleitorado feminino. Nenhum dos três envolvidos comentou o episódio até agora.
A imagem que rodou o país saiu do celular da repórter Carolina Nogueira, do Metrópoles, que cobria a caminhada. Uma campanha inteira desenhada em palanque, comício e horário eleitoral, e quem pautou o fim de semana foram poucos segundos de abraço apertado em cima de uma caminhonete.
























