Três empresários ligados a Santa Catarina estão entre os dez maiores bilionários do agronegócio brasileiro em 2026, segundo levantamento da Forbes. Ricardo Castellar de Faria, Alceu Elias Feldmann e Itamar Locks ocupam, respectivamente, a primeira, quarta e oitava posições no setor e acumulam patrimônio estimado em cerca de R$ 61 bilhões.
As fortunas foram construídas em diferentes áreas do agronegócio, que incluem produção de ovos e avicultura, fertilizantes e produção e comercialização de soja. Os três empresários também aparecem na lista geral dos maiores bilionários do país.
Ricardo Faria lidera ranking do agronegócio
Com patrimônio estimado em R$ 35,1 bilhões, Ricardo Castellar de Faria, de 51 anos, ocupa o primeiro lugar entre os bilionários do agronegócio e a 10ª posição entre as maiores fortunas brasileiras.
O patrimônio registrado pela Forbes aumentou cerca de R$ 15,5 bilhões em um ano. Em 2025, a fortuna era estimada em R$ 19,6 bilhões. Com a alta, Faria passou da 21ª para a 10ª colocação no ranking geral, sendo o nome que mais avançou na lista.
Nascido no Rio de Janeiro, o empresário mudou-se ainda criança para Criciúma, no Sul de Santa Catarina, onde iniciou a trajetória empresarial ligada ao agronegócio. Formado em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é fundador e presidente do conselho da Granja Faria, Insolo e RCF Capital. Também preside a Associação Catarinense de Avicultura.
Conhecido como “Rei do Ovo”, Faria fundou a Granja Faria em 2006. Segundo as informações citadas pela Forbes, a companhia tornou-se a maior produtora brasileira de ovos comerciais, ovos férteis e pintos de um dia.
Atualmente, são 34 unidades produtoras e aproximadamente 2,7 mil funcionários. A produção chega a cerca de 16 milhões de ovos por dia.
Os negócios também avançaram para fora do Brasil. Em 2024, Faria adquiriu a empresa americana Hillandale Farms em uma operação avaliada em US$ 1,1 bilhão. No ano seguinte, comprou o Grupo Hevo, da Espanha.
Antes da atuação no agronegócio, o empresário também fundou a Lavebras, voltada à higienização de têxteis. A empresa foi vendida em 2017.
Catarinense concentra R$ 19,2 bilhões em patrimônio
O segundo catarinense mais bem colocado no ranking do agronegócio é Alceu Elias Feldmann, de 76 anos. Natural de Pouso Redondo, no Alto Vale do Itajaí, ele possui patrimônio estimado em R$ 19,2 bilhões.
Feldmann ocupa a quarta colocação entre os bilionários do agro e aparece em 22º lugar na classificação geral das maiores fortunas brasileiras.
Formado em Agronomia, trabalhou durante aproximadamente dez anos como vendedor de fertilizantes antes de abrir o próprio negócio. Em 1980, fundou a Fertipar em um armazém alugado em Paranaguá, no Paraná.
O grupo reúne atualmente 14 empresas relacionadas ao agronegócio, e Feldmann detém aproximadamente 85% da companhia. Segundo a Forbes, a Fertipar responde por cerca de 15% do mercado brasileiro de fertilizantes.
Os produtos são destinados a culturas como café, soja, milho e citricultura. A companhia também fornece insumos para agricultores envolvidos em projetos de reflorestamento.
Catarinense ligado à Amaggi tem fortuna de R$ 6,7 bilhões
Itamar Locks, de 71 anos, completa o grupo de catarinenses entre os dez maiores bilionários do agronegócio. Natural de São Ludgero, no Sul catarinense, ele possui patrimônio estimado em R$ 6,7 bilhões.
Locks ocupa o oitavo lugar no ranking do agro e a 54ª posição entre os bilionários brasileiros. Genro de Lúcia Maggi, ele é acionista da Amaggi, grupo ligado principalmente à produção e comercialização de soja.
A trajetória do empresário no setor ganhou força no início da década de 1980. Em 1982, Locks mudou-se para Mato Grosso, período em que a produção agrícola avançava no estado. Foi nessa época que se aproximou de André Maggi, um dos fundadores da Amaggi, com quem identificou possibilidades de expansão do cultivo de soja na região.
A Amaggi possui atualmente 74 unidades. No Brasil, as operações estão distribuídas por 42 municípios de nove estados. No exterior, o grupo mantém presença na Argentina, China, Holanda, Noruega, Paraguai, Suíça e Singapura.
Em 2024, a empresa registrou receita de R$ 44,87 bilhões.
Fortunas dos três chegam a R$ 61 bilhões
Dos aproximadamente R$ 61 bilhões atribuídos aos três empresários, R$ 35,1 bilhões correspondem ao patrimônio de Ricardo Faria, R$ 19,2 bilhões ao de Alceu Feldmann e R$ 6,7 bilhões ao de Itamar Locks.
A lista Forbes Bilionários Brasileiros 2026 reúne 255 nomes, que concentram uma fortuna estimada em R$ 1,86 trilhão.
Para calcular os patrimônios, a publicação utiliza diferentes fontes. No caso de empresas negociadas em bolsa, um dos critérios considerados é o valor das ações, tendo como referência, no levantamento deste ano, a cotação de fechamento de 30 de junho de 2026.
A Forbes informa que os dados relacionados às companhias listadas em bolsa são públicos, oficiais e auditados. A metodologia também considera que os valores apresentados podem ser inferiores ao patrimônio real, já que parte das estimativas depende de informações disponíveis publicamente.
Bens como imóveis, obras de arte, aviões e embarcações normalmente não entram nos cálculos, exceto quando as informações são fornecidas pelos participantes. Dependendo da composição patrimonial, fortunas pertencentes a irmãos ou outros familiares também podem aparecer de maneira conjunta ou separada.
Com informações de SCC10














