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7 dias, 846 km e uma esteira: catarinense inicia desafio para se tornar a mulher que mais correu no mundo

Ultramaratonista Débora Simas começou neste domingo, no vão central do Beiramar Shopping, em Florianópolis, a tentativa de superar os 846,16 km do recorde mundial feminino de corrida em esteira. A prova dura sete dias ininterruptos.

7 dias, 846 km e uma esteira: catarinense inicia desafio para se tornar a mulher que mais correu no mundo
Foto: Reprodução
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A esteira ligou ao meio-dia deste domingo (2) no vão central do Beiramar Shopping, em Florianópolis, e só vai parar de vez no próximo domingo. Sobre ela, uma mulher de top laranja, boné e a mesma frase que carrega há anos como mantra: “Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé.” A ultramaratonista Débora Simas começou ali a missão mais ambiciosa da carreira, correr por sete dias seguidos, praticamente sem descer, até ultrapassar os 846,16 quilômetros que hoje representam o recorde mundial feminino de corrida em esteira.

O número assusta até quem entende de corrida. São 168 horas de prova, o equivalente a atravessar Santa Catarina de ponta a ponta e voltar, tudo sem sair do lugar. O regulamento não admite substituição: é uma atleta, uma esteira, do começo ao fim. As pausas se resumem a blocos de três a quatro horas de sono e idas ao banheiro. Alimentação e hidratação acontecem em movimento, na própria esteira, para não desperdiçar um minuto sequer.

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Débora conhece cada metro daquele piso. Foi exatamente ali, no mesmo vão central do Beiramar, que ela escreveu em 2019 o capítulo que agora tenta superar. Naquele ano, percorreu 800,61 quilômetros em sete dias e desceu da esteira como recordista brasileira e sul-americana. O recorde mundial da época escapou por apenas 32,44 quilômetros, uma diferença que coube numa madrugada de queda e numa parada de descanso mais longa que o previsto.

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A frustração durou o tempo de recuperar o fôlego.

“Eu não vou desistir. Descobri nestes sete dias uma força que eu não imaginava ter e, acima de tudo, um apoio incondicional de pessoas que sequer me conheciam”, disse ela ao encerrar a tentativa de 2019.

Sete anos depois, a promessa vira prova.

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De Rio do Sul para o mundo

A história de Débora não começa numa pista de atletismo. Nascida em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, e moradora de Barra Velha, ela só começou a correr aos 34 anos. Em pouco mais de oito anos de prática, já era campeã da Brasil 135 Ultramarathon, a principal ultramaratona do país. Em 2018, tornou-se a primeira mulher brasileira a completar a 1000K Brasil, prova de mil quilômetros percorridos em dez dias. São mais de 300 competições acumuladas em duas décadas de esporte.

Desta vez, a preparação incluiu rotina de treinos de até oito horas diárias e um trabalho específico para o adversário mais traiçoeiro da prova: o sono. Nas tentativas de longa duração em esteira, as madrugadas costumam decidir o resultado, e é nelas que familiares, amigos e o público têm papel de figurante essencial, ajudando a atleta a se manter acordada e no ritmo.

Público pode correr junto

Quem passar pelo shopping durante a semana pode fazer mais do que assistir. A organização instalou esteiras abertas ao público ao lado da atleta, e qualquer visitante pode correr um trecho junto com Débora. A tentativa também é transmitida ao vivo, 24 horas por dia, direto do vão central, do início ao fim do desafio.

Há ainda uma segunda corrida acontecendo em paralelo. A cada quilômetro que Débora percorre, uma campanha converte a distância em ração para cães e gatos. O total arrecadado será dividido entre a Eco Pet e a Castra Ação, ONGs que cuidam de animais em Florianópolis e Barra Velha. O público pode reforçar a doação levando sacolas de ração ao shopping durante a semana do evento.

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As contas da semana são simples e brutais ao mesmo tempo. Para bater o recorde, Débora precisa manter uma média acima de 120 quilômetros por dia, quase três maratonas diárias, durante sete dias seguidos, com o corpo acumulando cansaço, bolhas, inchaço e privação de sono. É uma equação em que a resistência física divide espaço com a cabeça, e onde uma única noite ruim pode custar o resultado, como a própria atleta aprendeu em 2019.

Se tudo correr conforme o planejado, a esteira desliga ao meio-dia do próximo domingo (9). Até lá, Florianópolis tem um recorde mundial em construção no meio de um shopping, ao alcance de qualquer um que quiser parar, assistir e, quem sabe, correr um quilômetro ao lado da catarinense que decidiu que 800 não bastava.

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