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Criança autista sonhava com um quartinho só dela, e a entrega emocionou a todos em Tijucas

O pedido era um quartinho só dele, com uma cama de casal. A Kefi Móveis Planejados assumiu o projeto, a fabricação e a instalação sem custo para a família, que perdeu tudo na enchente de janeiro do ano passado.

Criança autista sonhava com um quartinho só dela, e a entrega emocionou a todos em Tijucas
Foto: Reprodução
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Um veículo de entregas da Kefi Móveis Planejados parou em frente a uma casa de madeira ainda inacabada, na Rua Primor, número 400, no bairro Santa Luzia, em Tijucas. O que desceu dali não era só um jogo de móveis: era o quarto que um menino autista pediu como seu maior sonho e que os pais, adoecidos e vivendo com um salário mínimo, não tinham como dar.

O pedido da criança era simples. Um espaço só dele, com uma cama de casal. Nada além disso. A família ocupa um imóvel que ainda está sendo levantado, sem instalação elétrica concluída e sem banheiro pronto, e mesmo assim o quarto era a única coisa que o menino repetia querer.

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A água que levou tudo

A casa antiga não resistiu. Conforme o relato de quem acompanha a família, na enchente de janeiro do ano passado a água invadiu mais de um metro dentro do imóvel e levou móveis, eletrodomésticos e o pouco que havia sido juntado ao longo dos anos. Desde então, a família passou a viver em condições precárias, sem conseguir repor nada.

A reconstrução só começou porque veio de doação. Uma madeireira cedeu as peças e voluntários assumiram a obra, erguendo do zero a casinha de madeira que aparece nas imagens. Ela existe, tem paredes e telhado, mas ainda não pode ser habitada.

O pedido que veio da vizinha

A corrente chegou até a Kefi Móveis Planejados, loja de móveis sob medida que fica na Rua Zury Lemos, no bairro XV de Novembro, pelo caminho mais comum em cidade do interior: uma vizinha da família bateu na porta do empresário pedindo ajuda para realizar o sonho do sobrinho. O pedido inicial era modesto, um criado-mudo e algumas prateleiras.

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A resposta foi maior que o pedido. Ao descobrir que a criança não tinha onde guardar as próprias roupas, o dono da empresa decidiu incluir também um roupeiro.

Eu disse: não, já vamos fazer um roupeiro pra ele também. Perguntei se ela tinha, e disseram que eles não têm nada.

Projeto, fabricação, transporte e instalação, tudo saiu da própria loja, sem custo para a família.

A visita que mudou o tamanho da história

Foi ao chegar na casa que a dimensão do caso apareceu. A mãe do menino trata um câncer e teve uma ameaça de AVC na mesma semana. O pai já perdeu a visão de um olho e está perdendo a do outro. Os dois são aposentados, recebem um salário mínimo e dividem esse valor entre os remédios e os cuidados com o filho autista.

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“Eu fui lá ontem e fiquei bem mexido”, relata o empresário. A partir dali, o que era uma doação de móveis virou mobilização: duas cestas básicas já foram arrecadadas e um eletricista foi acionado para orçar a fiação que falta.

O dia da entrega

Os móveis chegaram e o quarto foi montado pela equipe da própria empresa. “Essa não era apenas mais uma entrega, era um sonho que precisava ser realizado”, afirma a Kefi. “Fomos procurados para ajudar a realizar o sonho de uma criança atípica. O maior sonho dela era ter o próprio quartinho com uma cama de casal.”

O momento em que a criança viu o quarto pronto foi registrado em vídeo. “Os pais, que também enfrentam problemas de saúde e perderam tudo na enchente, não poderiam proporcionar isso a ele. Quando conhecemos essa história, não pensamos duas vezes”, diz a empresa.

Ver a felicidade no rosto dessa família não tem preço.

O que ainda falta

O quarto está pronto. A casa, não. Para que a família consiga finalmente se mudar, é preciso concluir toda a parte elétrica, terminar o banheiro e mobiliar os outros cômodos, hoje sem nada. Os móveis que sobraram da casa antiga estão em estado precário e não têm mais uso.

Como ajudar

A família recebe doações de móveis, utensílios domésticos e material de construção. Quem quiser colaborar pode ir até a Rua Primor, número 400, no bairro Santa Luzia, em Tijucas, a última casa do beco, ou entrar em contato pelo telefone (48) 99111-3173, com Rosemeri, que coordena a arrecadação.

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