A dor da perda inestimável não se apaga, mas a noite desta segunda-feira (3) trouxe o alívio do dever cumprido para a família de Danieli Rocha da Silva. Aos 16 anos, a adolescente teve a vida interrompida de forma brutal na frente de uma casa de festas no Sul catarinense. O homem responsável pelos disparos foi condenado nesta segunda-feira (3), pelo Tribunal do Júri da Comarca de Criciúma a 36 anos, nove meses e 27 dias de prisão, em regime inicial fechado.
A sentença acolheu integralmente as denúncias apresentadas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), responsabilizando o réu pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio e exploração sexual de menor de idade. A Justiça negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade, determinando o início imediato do cumprimento da pena.
A recusa que motivou a violência
O crime aconteceu na madrugada de 5 de maio de 2023, por volta das 4h20. Segundo a denúncia sustentada em plenário pela Promotora de Justiça Anna Flávia Carminatti, o homem e sua esposa exploravam sexualmente a adolescente, oferecendo dinheiro e presentes em troca de relações sexuais.

Naquela noite, contudo, Danieli disse “não”. A adolescente decidiu não ir até a residência do casal e preferiu sair com amigas para se divertir. Inconformado com a rejeição, o homem foi até a casa noturna e chegou a ameaçar a adolescente no interior do estabelecimento antes de consumar o ataque.
Emboscada, tiros pelas costas e pânico na saída
Na saída do evento, quando Danieli caminhava acompanhada de outras pessoas, o réu a surpreendeu. Sem chance de defesa, a adolescente foi atingida por cinco disparos de arma de fogo, a maior parte deles efetuada pelas costas. Ela morreu no local.
Descontrolado, o agressor continuou disparando contra a multidão que deixava a festa, efetuando ao menos oito tiros. Um dos disparos atingiu a perna de um homem, razão pela qual o réu também acabou condenado por tentativa de homicídio.

Os jurados reconheceram as qualificadoras de motivo torpe matar a jovem por ter tido a investida recusada, e de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Rede de cumplicidade e o fim de dois anos de fuga
As investigações revelaram que o crime envolveu outros cúmplices. A esposa do réu, que consentia e participava ativamente da exploração sexual da adolescente, já havia sido julgada e condenada pelo crime de exploração sexual de menor. Já o motorista que levou o assassino até o local e facilitou sua fuga responderá em breve perante o Tribunal do Júri por homicídio e tentativa de homicídio.
Logo após a execução, o autor dos disparos fugiu e permaneceu escondido da Justiça por mais de dois anos. A caçada terminou apenas em outubro de 2025, quando ele foi localizado e preso no Rio Grande do Sul.
Com o desfecho do julgamento, a sensação de impunidade dá lugar ao alento. Como destacou a Promotora de Justiça Anna Flávia Carminatti ao término da sessão:
“Hoje a família da vítima pode descansar sabendo que o acusado responderá por aquilo que ele praticou”.
























