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SAMAE começa a ligar redes de esgoto que estavam enterradas e desativadas em Tijucas

Autarquia começou em 2026 a interligar redes coletoras que já estavam instaladas em loteamentos, mas nunca entraram em operação; meta da administração é chegar a 80% de cobertura até 2028.

SAMAE começa a ligar redes de esgoto que estavam enterradas e desativadas em Tijucas
Foto: Reprodução
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Moradores de loteamentos de Tijucas que convivem com uma situação pouco conhecida, tubulação de esgoto passando na frente de casa, mas sem funcionar, devem deixar de depender de fossa, filtro e sumidouro. O SAMAE iniciou em 2026 a interligação das chamadas redes secas: trechos de rede coletora instalados no subsolo por loteamentos, entregues à cidade, mas que nunca foram conectados ao sistema de tratamento. Na prática, o imóvel que estiver em rua contemplada passa a poder ligar o esgoto na rede pública, com destino à estação de tratamento.

Segundo a Prefeitura de Tijucas, quando a atual administração assumiu, em janeiro de 2025, a cidade tinha cerca de 50% de cobertura de tratamento de esgoto, índice que não avançava havia quase dez anos no que depende de obra pública. A meta declarada é chegar a 80% de cobertura até 2028. “Isso vai colocar Tijucas entre as 10 cidades do estado de Santa Catarina com a maior rede coletora de esgoto”, afirma o prefeito Maickon Sgrott. Dados do próprio SAMAE registram cerca de 150 km de rede de esgoto cadastrada e 18 estações elevatórias em operação no município. O ranking estadual e o percentual atual de cobertura são projeções da administração e não foram verificados de forma independente pela reportagem.

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Tijucas tem hoje duas formas legais de destinação do esgoto, e a diferença entre elas explica o problema. “Uma delas é quando o bairro ou a rua possui uma rede coletora de esgoto, uma rede pública, onde é feita apenas a interligação, e a partir daí os esgotos são encaminhados para o tratamento na nossa estação”, explica Tiago Suckow, presidente do SAMAE. A outra é o sistema individual, formado por fossa, filtro e sumidouro, que precisa ser dimensionado conforme a norma técnica para funcionar: executado corretamente, ele faz um tratamento simplificado e infiltra a parte líquida no próprio terreno. O impasse aparece quando a rede existe, mas está inativa. Loteamentos novos são obrigados a entregar a rede coletora pronta; sem a ativação, ela não conduz o esgoto a lugar nenhum. “É inadmissível que passe a tubulação de esgoto na frente da sua casa e você tenha que fazer fossa, filtro e sumidouro”, diz Sgrott.

O SAMAE também aponta três situações irregulares frequentes nos imóveis. A primeira é ligar a água da chuva no sistema de fossa: o volume extra sobrecarrega o tratamento individual, que deixa de funcionar e pode gerar problemas dentro do próprio imóvel. A segunda é conectar a saída da fossa na rede pública de drenagem, em vez de infiltrar pelo sumidouro. A terceira, e mais grave, é a ligação direta do esgoto na drenagem. “Além de uma ligação irregular, ela é considerada um crime ambiental, você descartar o esgoto direto na drenagem do município”, afirma Suckow. A distinção é técnica e simples: a rede de drenagem recebe água de chuva, telhado e calha; a rede coletora recebe os dejetos que vão para tratamento. Quando o esgoto cai na drenagem, chega às valas a céu aberto. “Ali tem animais na rua, as crianças brincando, aquilo traz problemas sérios de saúde pública”, diz Sgrott.

O processo está em andamento e é gradual. A ativação das redes secas começou em 2026 e segue em execução; a meta de 80% tem 2028 como horizonte. Não foram informados quantos loteamentos e quantos imóveis estão na fila, quais bairros serão atendidos primeiro, o cronograma por região nem as condições para o morador fazer a interligação. A regularização depende também da adequação interna de cada imóvel, já que as ligações irregulares descritas pela autarquia estão dentro dos lotes.

O próximo passo imediato é de comunicação: o SAMAE produziu um vídeo ilustrativo mostrando o que não pode ser executado na ligação, tanto para sistema individual quanto para rede pública. “A forma ilustrativa traz com mais clareza essas informações”, diz Suckow. Moradores que tenham rede coletora na rua, ou dúvida sobre qual é o caso do seu imóvel, devem procurar os canais de atendimento do SAMAE de Tijucas para verificar a situação do endereço e solicitar a interligação.

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