Um leão-baio invadiu o galinheiro de uma chácara em Bom Retiro, na Serra catarinense, matou parte das aves e ficou ali dentro até ser capturado pelo Corpo de Bombeiros Militar na tarde de sábado (5). O felino foi retirado vivo, sem ferimentos, e entregue à Polícia Militar Ambiental.
A ocorrência foi registrada por volta das 15h27, em uma propriedade na Estrada Vila Nei, na localidade de Chácara Boa Vista, no interior do município. A equipe de Bom Retiro foi acionada pela Central de Operações Bombeiro Militar e se deslocou até o endereço para verificar a presença do animal silvestre.
Ao chegar à propriedade, a guarnição confirmou o que os moradores tinham relatado: o felino estava dentro do galinheiro, entre penas espalhadas pelo chão e restos das aves. Conforme o relato da corporação, algumas galinhas já haviam sido abatidas antes da chegada dos bombeiros.

Diante do cenário, a equipe adotou os procedimentos de segurança e entrou em contato com o comando da Polícia Militar Ambiental para alinhar o protocolo técnico de manejo. O objetivo era tirar o animal dali sem ferir ninguém e sem machucar o felino, que é uma espécie protegida por lei.
A contenção foi feita com um saburá, equipamento parecido com uma rede grande, usado para imobilizar animais de porte em espaço fechado. A técnica permitiu retirar o leão-baio do galinheiro de forma controlada, sem uso de força e sem sedação.
Depois de capturado, o animal foi acomodado em uma gaiola apropriada para transporte, cedida por um vizinho do proprietário da chácara. Só então o felino foi encaminhado à Polícia Militar Ambiental, que assumiu a responsabilidade pelas providências e pela destinação do animal.

Encerrado o atendimento, a guarnição do Corpo de Bombeiros de Bom Retiro retornou ao serviço. Não houve feridos entre os moradores nem entre os militares que participaram do resgate.
Dois felinos no mesmo sábado em Santa Catarina
O caso de Bom Retiro não foi o único do dia em Santa Catarina. Poucas horas antes, no Meio-Oeste do estado, outra onça-parda mobilizou uma operação bem maior, e muito mais longa, no centro de Campos Novos.
Naquela cidade, o Corpo de Bombeiros foi acionado às 7h16 para um terreno na Rua Borges de Medeiros, a poucos metros da Delegacia Regional de Polícia. O animal escapou de duas tentativas de sedação, atravessou o pátio de várias residências e só foi encurralado no fim da tarde, na garagem de um edifício na Rua São Paulo.
A captura em Campos Novos durou cerca de dez horas e exigiu duas guarnições da Polícia Militar Ambiental, duas equipes da Polícia Militar de área, bombeiros militares e dois médicos-veterinários da Universidade Federal de Santa Catarina que atuam em Curitibanos, chamados para aplicar os dardos tranquilizantes. O macho estava sem ferimentos e foi solto no Parque Ambiental Rio Canoas.
Por que o bicho está descendo para o galinheiro
A onça-parda é uma espécie nativa de Santa Catarina, e não um animal exótico. Também chamada de puma, suçuarana e leão-baio, a Puma concolor é o segundo maior felino do Brasil, atrás apenas da onça-pintada, e integra a lista nacional de espécies ameaçadas de extinção, na categoria vulnerável.
Registros do felino na Serra e no Meio-Oeste catarinense sempre existiram, mas quase sempre restritos a áreas de mata. O que mudou é a distância entre o bicho e a casa das pessoas: a redução das áreas florestadas e o avanço da ocupação sobre o habitat natural empurram animais silvestres para perto das propriedades rurais, geralmente atrás de comida. Um galinheiro é, para um predador, exatamente isso: presa fácil, cercada e concentrada em um só ponto.
A orientação das autoridades para quem avistar um animal silvestre de grande porte é sempre a mesma: não se aproximar, não tentar capturar, não fotografar de perto e acionar imediatamente a Polícia Militar Ambiental pelo 190 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.















