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Ex-miss catarinense morre aos 42 anos e filho revela último pedido feito no hospital

Néya Camargo, Mrs Jaraguá do Sul 2025, morreu na terça-feira (1º) após quase um ano de tratamento contra um câncer de colo do útero. Em carta aberta, o filho de 16 anos contou o pedido que ela fez internada e a mensagem que ela deixou para outras mulheres.

Ex-miss catarinense morre aos 42 anos e filho revela último pedido feito no hospital
Foto: Reprodução
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Néya Camargo, Mrs Jaraguá do Sul 2025, morreu aos 42 anos na terça-feira (1º), no Hospital São José, em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, depois de quase um ano de tratamento contra um câncer de colo do útero. Natural de Canoinhas, no Planalto Norte catarinense, ela tinha escolhido Jaraguá do Sul para viver há mais de 20 anos e deixa um filho de 16 anos. A morte foi confirmada pela família e pela organização do concurso Miss Brasil Belle Éclat, que a coroou. Modelo, atriz e miss, Néya passou os últimos meses transformando o próprio tratamento em alerta público, e a carta de despedida escrita pelo filho correu o país.

A história dela virou de cabeça para baixo em pouco mais de um mês. Em 7 de julho de 2025, Néya recebeu das mãos do prefeito Jair Franzner, no gabinete da Prefeitura de Jaraguá do Sul, a faixa de Mrs Jaraguá do Sul 2025 do Belle Éclat, e prometeu trazer a faixa estadual para a cidade. Em agosto, desfilou em um evento internacional de moda, o que ela chamou de “realizar um sonho”. Um mês depois veio o diagnóstico de carcinoma invasivo no colo do útero, às vésperas da etapa estadual do concurso, marcada para outubro. “Um mês depois meu mundo virou de cabeça pra baixo”, escreveu ela em junho deste ano, ao republicar as imagens do desfile com um aviso: “Cuide da sua saúde. A qualquer sintoma, procure um médico”.

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Em uma das últimas entrevistas que deu, ao podcast Imparáveis, Néya contou como foi o dia em que ouviu o diagnóstico. “Estava com câncer no colo do útero. E aí já mandou eu me afastar de tudo, de eventos, de academia, de trabalho. Do nada, assim. Então você para a sua vida de um segundo para o outro”, disse. Ela tinha ido à consulta com a mãe e não sabia como contar para ela. Saiu do consultório perdida, pediu um carro por aplicativo e entrou no carro errado. “Eu estava indo para outro local que eu nem sabia para onde eu estava indo. Até falei para o rapaz, ele falou: não, mas foi você que pediu.” Ela pediu desculpas, explicou o que tinha acabado de ouvir, e o motorista passou o resto da corrida tentando animá-la. “Ele começou ali a falar dentro do carro algumas coisas para mim que me tocaram por dentro.”

Néya admitiu que pensou em sumir. “Sim, eu pensei várias vezes. Quando eu comecei a falar sobre a doença, eu pensei de não falar para ninguém, passar por tudo isso sozinha”, contou. Mas ela vivia nas redes sociais, o concurso se aproximava e as perguntas viriam de qualquer jeito. “As pessoas iam perguntar: cadê? O que aconteceu? Por que você não está mais postando?” A decisão de expor o tratamento teve dois motivos, nas palavras dela: “Eu postei por um intuito de ajudar na área da saúde e um pouco para falar também que eu não estava desistindo de tudo”. Sobre a doença, resumiu sem rodeio: “Hoje em dia tem muito tratamento, mas ela ainda assusta”.

A partir dali, o perfil que antes mostrava passarelas e coroas passou a mostrar corredores de hospital. Em um dos vídeos, Néya caminha de camisola hospitalar, lenço colorido na cabeça e pantufas cor-de-rosa, arrastando o suporte do soro pelo corredor. Em outro, de touca rosa e casaco preto, aparece de cabeça baixa em um culto, com a legenda: “Ela não continuou porque era forte. Ela continuou porque o cérebro dela decidiu não desistir. Mesmo ferida. Mesmo esgotada. Mesmo sem forças emocionais, ela se movimentou”. Entre um post e outro, o versículo do dia e a foto do chá que tomava toda manhã. Um colega de trabalho resumiu o que muita gente sentiu: “Ela tinha sede de vida, garra. Era uma mulher batalhadora e dona de si”.

No dia 16 de junho, Néya completou 42 anos dentro de um carro, soprando uma vela em um bolo pequeno enfeitado com laços dourados. O pedido, publicado por ela, foi um só: “Saúde, saúde e muita saúde”. No começo de agosto, o humorista e criador de conteúdo Segundo Embaixador foi até Jaraguá do Sul depois de receber uma mensagem dela. “Dia 16 é o meu, que pena que você já foi. Ia me deixar feliz com seu abraço depois desse processo todo que estou passando”, tinha escrito Néya. No vídeo da visita, ele entra no quarto onde ela estava deitada sob uma manta lilás, de touca rosa, e a abraça na cama. “Fui conhecer uma pessoa muito especial”, escreveu ele, com um versículo: “Seja forte e corajoso. Não se apavore nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar”.

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Depois da morte, o filho de 16 anos publicou uma carta aberta para a mãe. “Pensei que esse dia não iria chegar, mas a vida é cheia de imprevistos, né? Você partiu quase no mesmo horário que você me deu à luz”, começou. O adolescente contou que muita gente próxima nem sabia da doença. “Você estava em uma batalha contra o câncer há muito tempo, em outubro iria completar um ano. E você sempre se manteve muito forte, mesmo estando sempre tão difícil, dores, o cansaço físico e mental, você estava lá, orando, pedindo a Deus a cura.” Mesmo assim, lembrou ele, ela continuava postando mensagens de autoestima “e que nós éramos capazes de tudo”.

O trecho que mais comoveu conta o último pedido de Néya. Internada, ela pediu que o filho aprendesse a tocar “Deus é Fiel”, de Nani Azevedo. “Eu fui lá, fiz o brique e arranjei um teclado do hospital e ensaiei numa capela lá, um rolê bem aleatório que com certeza você daria risada”, escreveu. O plano era tocar para a mãe às oito da manhã, com tempo para se preparar. Não deu tempo. “Infelizmente isso não deu certo, mas ainda bem que tive coragem, que no dia anterior eu toquei no piano do hospital e você pôde ouvir lá do quarto. Isso conforta um pouco o meu coração.”

Na carta, o adolescente descreve uma mãe “cheia de ideias malucas”, que ele adorava fazer rir e também irritar, “já que você perdia a paciência rápido”. Néya sonhava em montar o próprio salão de beleza, e repetia ao filho que ele cuidaria do negócio ao lado dela. “Você ia montar o melhor salão de Jaraguá do Sul! E falava com uma confiança inabalável”, lembrou. Ele admite que não conseguiu dizer tudo enquanto ela estava viva. “Eu queria muito poder ter te falado isso a tempo, mas eram muitas coisas pra falar, eu não tinha boca porque me afogava nas lágrimas.” E deixa o balanço que a mãe fez questão de ensinar: “De fato, mãe, você inspirou muitas pessoas e motivou elas, você conseguiu. Você mostrou que quem define quem somos é nós mesmos”.

Na segunda parte da carta, publicada em seguida, o filho fala da despedida que ainda faltava. “Agora só falta o mais difícil, a última despedida, a minha última visão sua e a terra e o concreto em cima de ti.” Ele diz ter o coração consolado pela fé e agradece os últimos meses ao lado dela. “Saiba que você foi uma mãe muito boa, maravilhosa, atenciosa e muito carinhosa, você sempre se dedicou pra mim e deu o seu melhor para o meu conforto. Eu te amo do fundo do meu coração, descansa no Senhor agora, mãe, ok? Beijos, linda, um abraço bem forte.”

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A organização do Miss Brasil Belle Éclat publicou uma nota de luto. “Hoje, o Miss Belle Éclat está em silêncio. Recebemos com o coração profundamente entristecido a notícia do falecimento da nossa querida Miss Néya, de Jaraguá do Sul. Há momentos em que as palavras simplesmente não são suficientes. E este é um deles”, diz o texto. “Néya foi muito mais do que uma Miss. Ela foi uma mulher forte, corajosa e guerreira, que enfrentou uma das maiores batalhas de sua vida e, mesmo em meio ao câncer, continuou representando, inspirando e levando consigo a força de tantas mulheres. Ela não carregou apenas uma faixa, mas uma história, uma causa, uma luta e uma mensagem.”

O câncer de colo do útero está entre os tumores mais comuns em mulheres no Brasil e é um dos poucos com prevenção conhecida: o exame preventivo, o Papanicolau, identifica lesões antes de virarem câncer, e a vacina contra o HPV, oferecida pelo SUS, protege contra o vírus responsável pela maioria dos casos. Foi essa a mensagem que Néya repetiu do diagnóstico até o fim, e que continua no perfil dela: a qualquer sintoma, procure um médico. Até a publicação desta reportagem, a família não havia divulgado publicamente informações sobre velório e sepultamento.

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