O candidato ao Senado ANTÍDIO LUNELLI (MDB, nº 155) afirmou ao Jornal Razão que a entrada de produtos chineses no ritmo atual pode liquidar a indústria nacional. Empresário do setor têxtil e dono do maior patrimônio declarado entre os candidatos catarinenses, R$ 613,2 milhões informados à Justiça Eleitoral, ele resumiu o diagnóstico em uma frase: “O nosso país está com as portas abertas.”
A conta que apresentou é de preço. Segundo o candidato, mercadoria chinesa chega ao mercado brasileiro cerca de 40% mais barata que a produzida aqui, e a diferença não vem de eficiência, e sim de jornada e de encargos. “Enquanto nós trabalhamos oito horas, eles trabalham dezesseis. Tudo que nós temos aqui de legislação, de assistencialismo, eles não têm absolutamente nada disso”, disse.
O efeito, na leitura dele, já aparece na rua. Lunelli citou as plataformas de venda direta ao consumidor, que entregam produto asiático em qualquer casa do país, e disse que o comércio tradicional está encolhendo. “Os nossos comerciantes estão fechando todas as lojas, gente. Você pode andar no comércio. O que que será dos nossos shoppings, das nossas lojas, pequenas lojas?”, questionou.

“Daqui a pouco a China vai tá exportando carne para o Brasil”
A projeção mais dura do candidato é sobre o agronegócio, hoje o principal cliente brasileiro do mercado chinês. Ele reconhece o peso das compras de soja, milho e proteína, mas avalia que a relação pode se inverter. “Claro que os chineses são grandes compradores nossos de soja, de milho, de carne, mas daqui a pouco a China vai tá exportando carne para o Brasil. Esse negócio vai se inverter, gente”, afirmou.
Para Lunelli, a consequência atinge toda a cadeia produtiva, e não só a indústria. “Se continuar assim, nós vamos acabar com a indústria brasileira, com os nossos comerciantes, os nossos prestadores de serviço”, disse. O empresário, que fundou um dos maiores grupos têxteis do país, lembrou que a companhia reúne mais de 5.200 colaboradores e usou o número para dimensionar o risco: “Que futuro é? O que que vai ser daqui a pouco?”
A saída que defende passa por rever as regras de entrada desses produtos. “Então nós vamos ter que analisar isso tudo”, afirmou, sem detalhar que instrumento usaria caso eleito — tarifa, barreira sanitária ou mudança na legislação trabalhista brasileira.
Concorrência desigual entre empresas brasileiras
Antes de chegar à China, o candidato apontou um desequilíbrio dentro de casa. Segundo ele, parte das grandes empresas obtém incentivos estaduais ou setoriais que distorcem a disputa com quem não tem o mesmo acesso. “Nós temos muitos empresários, muitas empresas grandes, que têm benefício aqui, ali ou acolá, ou do Estado, e tem uma diferença na concorrência”, afirmou. A proposta que apresentou é de isonomia: “Temos que fazer justiça tratando todos iguais.”
Ele associa a competitividade brasileira à formação da mão de obra e à criação de oportunidade, apontando Jaraguá do Sul, cidade que administrou por dois mandatos, como referência em startups. Também cobrou disposição para o trabalho e falou da própria rotina: “Eu sou um cara que eu trabalho desde pequeno, desde novo na roça, continuo até hoje. Não precisarei estar fazendo o que eu faço, mas eu faço por uma questão: patriotismo e amor.”
Quem é o candidato
Natural de Corupá, no Norte catarinense, e filho de agricultores, Antídio Lunelli tem 63 anos e abriu uma confecção na garagem de casa em Jaraguá do Sul em 1981. O negócio se tornou um dos maiores grupos têxteis do país. Foi prefeito de Jaraguá do Sul entre 2017 e 2022 e hoje exerce mandato de deputado estadual.
É a primeira vez que disputa o Senado. Concorre pelo MDB em dupla com ESPERIDIÃO AMIN (PP, nº 111), na chapa da coligação Santa Catarina Acima de Tudo, que tem JOÃO RODRIGUES (PSD, nº 55) ao governo e o deputado federal Carlos Chiodini (MDB) como candidato a vice. Santa Catarina tem 13 candidatos disputando duas vagas ao Senado, em votação de turno único no dia 4 de outubro.
A entrevista completa integra a série de sabatinas da campanha Vote com Razão, que ouve nos estúdios do Jornal Razão os candidatos aos cargos majoritários em Santa Catarina.























