O candidato ao Senado ANTÍDIO LUNELLI (MDB, nº 155) abriu a conta de um contracheque brasileiro durante entrevista ao Jornal Razão e disse que a conta não fecha para ninguém. Segundo ele, um funcionário registrado com salário de R$ 5 mil custa R$ 10.200 à empresa e chega em casa com pouco mais de R$ 3.800. “Gente, isto está errado, isso tem coisa errada no meio disso tudo”, afirmou o empresário e ex-prefeito de Jaraguá do Sul.
A diferença que ele aponta é o que separa o custo total do empregador do valor líquido depositado no fim do mês: desconto de Imposto de Renda, INSS, FGTS e os demais encargos que incidem sobre a folha. “Por que que nós não podemos trabalhar e fazer de uma forma que esse funcionário possa levar oito, dez mil reais pra casa?”, questionou.
Para o candidato, o dinheiro retido nesse caminho faz falta na ponta da economia catarinense. “E o dinheiro, ele tem que ficar na mão do colaborador, ele tem que ficar na mão da população. É ali que faz a diferença. É ali que vai girar o comércio, é ali que vai girar a prestação de serviço, o turismo”, disse.

“Está tirando da boca do nosso trabalhador”
A crítica de Lunelli tem endereço. Ele afirma que a arrecadação atual retira renda de quem produz antes mesmo de o dinheiro circular. “O nosso governo, ele está tirando da boca do nosso trabalhador, do nosso empreendedor, ele está tirando do supermercado, ele está tirando da farmácia”, declarou na entrevista.
O modelo que defende é o de remuneração por hora trabalhada, nos moldes que atribui aos Estados Unidos. “As pessoas recebem por horas trabalhadas e todo mundo, inclusive todos os países socialistas, tá todo mundo lá fazendo fila, pra ir trabalhar nos Estados Unidos”, argumentou. Ele acrescenta que o Brasil ainda é um país pobre e que as nações desenvolvidas chegaram lá pelo trabalho, defendendo “um salário digno, não um salário mínimo”.
A comparação que usou para ilustrar a diferença entre os dois cenários foi a da terceira idade. Em países desenvolvidos, disse, é comum encontrar excursões de idosos viajando. “O nosso país, você encontra os idosos aonde? Na fila do INSS, na fila de um hospital”, afirmou. “Nós precisamos mudar essa realidade, gente.”
Enxugar Brasília e simplificar a máquina
A saída apresentada pelo candidato passa por reduzir a estrutura do Estado. “Simplificando, diminuindo o tamanho do Estado, o tamanho de Brasília. Nós precisamos diminuir isso, nós precisamos colocar o dinheiro na mão do povo”, resumiu. Ele defende ainda o uso de tecnologia da informação no setor público para ganhar agilidade e, com isso, operar com menos gente.
Na mesma linha, cobrou tratamento igual entre empresas, sem benefícios pontuais que distorçam a concorrência: “Temos que fazer justiça tratando todos iguais”. E apontou a formação e a oportunidade como primeiro passo para gerar novos negócios, citando o município que administrou como referência. “Nós, em Jaraguá do Sul, somos modelo na questão de startups. Jovens que começam com nada, vão indo, desenvolvem um produto, arrumam um investidor e em poucos anos fica uma grande empresa”, afirmou.
Patrimônio de R$ 613 milhões e a enxada para Brasília
Durante a entrevista, o Jornal Razão apresentou ao candidato o dado que circula na campanha: ele é o postulante com maior patrimônio declarado de Santa Catarina, R$ 613 milhões, e ocupa a 15ª posição no ranking nacional de uso de recursos próprios em campanha. Questionado sobre como isso convive com a origem humilde que a campanha explora — e com a imagem da enxada levada a Brasília —, respondeu sem rodeios: “E se for necessário, eu levo a picareta, eu levo a serra motora, eu levo o que for necessário.”
Filho de agricultores e natural de Corupá, no Norte catarinense, Lunelli foi prefeito de Jaraguá do Sul por dois mandatos e hoje é deputado estadual. Aos 63 anos, disputa pela primeira vez uma vaga ao Senado, em dupla com ESPERIDIÃO AMIN (PP, nº 111), na chapa da coligação Santa Catarina Acima de Tudo, que tem JOÃO RODRIGUES (PSD, nº 55) ao governo do estado. Segundo o candidato, a empresa que fundou completa 45 anos em 1º de outubro e reúne mais de 5.200 colaboradores. São 13 candidatos por duas vagas ao Senado em Santa Catarina, em votação de turno único no dia 4 de outubro.
A entrevista completa com o candidato está disponível no canal do Jornal Razão e integra a série de sabatinas da campanha Vote com Razão, que ouve os postulantes aos cargos majoritários em Santa Catarina nestas eleições.























