Brusque chegou ao 32º lugar no Ranking de Competitividade dos Municípios de 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), e alcançou a melhor colocação de toda a sua série histórica no levantamento. Em dois anos, a cidade do Vale do Itajaí avançou 58 posições: estava em 90º lugar em 2024, subiu para 78º em 2025 e agora aparece entre as 32 melhores do país.
Saúde e segurança são os destaques nacionais
O salto mais expressivo, porém, está nos recortes por área. Brusque é hoje a 2ª colocada nacional em Qualidade da Saúde e a 2ª em Segurança, atrás apenas de Várzea Paulista, no interior de São Paulo. No pilar de segurança, o município subiu 66 posições de uma edição para a outra. Em Inserção Econômica, Brusque aparece em 9º lugar entre todas as cidades avaliadas.
O ranking do CLP compara apenas municípios brasileiros com mais de 80 mil habitantes. Nesta edição, foram 423 cidades analisadas a partir de 65 indicadores, distribuídos em 13 pilares e três dimensões: instituições, sociedade e economia. Brusque somou nota 57,89 no cálculo geral.
Entre os municípios da região Sul, a cidade ficou em 13º lugar, à frente de nomes de porte maior como Criciúma, Chapecó, Cascavel e Lajeado.
Os números que sustentam a escalada estão sobretudo na área fiscal. A taxa de investimento de Brusque, que mede quanto do orçamento vai para obras e melhorias em vez de custeio, passou de 6,1% em 2024 para 8,1% em 2025 e chegou a 11,2% em 2026. É quase o dobro do patamar de dois anos atrás.
No mesmo intervalo, a despesa com pessoal caiu de 51,9% para 44,0% da receita corrente líquida, uma folga relevante diante do limite prudencial imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A combinação das duas curvas, menos gasto fixo e mais investimento, é justamente o que o ranking premia.
Outro indicador que puxou a nota para cima foi a qualidade da informação contábil e fiscal, que avalia se o município presta contas com dados corretos e no prazo. O índice saiu de 96,6% em 2024, passou por 97,4% em 2025 e chegou a 99,4% em 2026. No pilar de Sustentabilidade Fiscal, Brusque saltou da 255ª posição em 2024 para a 60ª em 2026.
A prefeitura atribui a virada ao modelo de gestão implantado a partir de 2023. “Parte da evolução está relacionada ao modelo de gestão adotado a partir de 2023. Ainda durante a elaboração do Plano de Governo, foram estruturados mecanismos como Contratos de Resultados, Escritório de Projetos, definição de metas e indicadores e acompanhamento permanente das prioridades da administração”, afirma o secretário de Administração e Gestão Estratégica, João Matheus Tusse.
Na prática, o desenho citado pelo secretário transforma promessa de campanha em meta com prazo e responsável, e cobra o resultado periodicamente de cada pasta. É um formato que grandes cidades do país vêm adotando e que aparece com peso nos indicadores de instituições do CLP.
O prefeito André Vechi avalia que o resultado mostra o efeito do acompanhamento contínuo dos números. “Quando assumimos, o objetivo era construir, com método, a melhor cidade do Brasil para se viver. Os números de hoje mostram que o caminho está certo, mas o trabalho está longe de terminar. Indicador é reflexo do dia a dia da cidade, e vamos seguir tratando cada um deles como prioridade”, diz.
O histórico recente ajuda a medir o tamanho da recuperação. Em 2023, Brusque havia caído 19 posições e ocupava o 82º lugar nacional, com desempenho considerado modesto quando comparado às demais cidades catarinenses do levantamento. Naquele ano, o município figurava em 12º entre os representantes de Santa Catarina.
O Ranking de Competitividade dos Municípios é publicado anualmente pelo CLP e usa dados oficiais para medir a capacidade das prefeituras de entregar serviço público, atrair investimento e sustentar qualidade de vida. Por ser comparativo, a posição de cada cidade depende também do desempenho das concorrentes, e a próxima edição volta a colocar Brusque à prova diante das mesmas 400 e poucas rivais.























