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Deputada do PT liga pra Lula, culpa a PMSC por acabar com “festinha” e diz que suplente só “tentava apaziguar”

Ana Paula Lima (PT), deputada federal e mulher de Décio Lima, filmou a ligação em que avisa o presidente sobre a prisão de Fernanda Klitzke, suplente na chapa do marido ao Senado. Na versão dela, a candidata "tentava apaziguar" e a PM já chegou "com raiva" porque a festa era de petistas. A PM registrou o contrário.

Deputada do PT liga pra Lula, culpa a PMSC por acabar com “festinha” e diz que suplente só “tentava apaziguar”
Foto: Reprodução
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O caso da suplente presa em Jaraguá do Sul chegou ao Palácio do Planalto por telefone e, minutos depois, ao Instagram. A deputada federal Ana Paula Lima (PT), uma das principais lideranças do partido em Santa Catarina, gravou a própria ligação para o presidente Lula sobre a prisão de Fernanda Klitzke e publicou o vídeo neste domingo (13) com a legenda “Desculpa te atrapalhar”. O post passou de 500 curtidas em 15 minutos.

“Presidente Lula, meu querido, desculpa te atrapalhar, mas o incidente, uma violência policial contra as mulheres em Santa Catarina, é a nossa suplente de senadora do Décio”, começa a deputada, no banco de trás de um carro em movimento. O Décio da frase é Décio Lima, candidato ao Senado pelo PT, marido de Ana Paula e dono da chapa em que Fernanda é segunda suplente. A ligação, portanto, é de uma deputada ao presidente da República sobre a suplente do próprio marido.

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Na versão contada a Lula, a polícia agiu “de forma truculenta por causa de uma festa de aniversário dos companheiros do PT”. Segundo a deputada, os policiais “já vieram com raiva” porque “era encontro do PT, era aniversário de petistas”, e teriam dito na viatura que “se fosse festinha do Bolsonaro nós não íamos agir”. Fernanda, ainda conforme Ana Paula, “é advogada” e estava “tentando apaziguar, tá tudo certo, não teve problema nenhum”.

Ligação da deputada Ana Paula Lima ao presidente Lula, publicada por ela no Instagram. Reprodução/Redes sociais

A frase sobre a festinha do Bolsonaro existe nas duas versões da história, só que com o dono trocado. No registro da Polícia Militar, quem disse “se a festa fosse do Bolsonaro, aquilo não estaria acontecendo” foram os próprios integrantes do grupo, primeiro o homem preso por desacato e depois uma das mulheres, enquanto xingavam os policiais de “fascistas” e “opressores”. Na ligação para Lula, a frase virou fala de policial.

O “tentando apaziguar” também bate de frente com o que a PM registrou. Pela versão dos policiais, Fernanda chegou correndo gritando “abuso de autoridade”, segurou uma policial, ajudou a tirar outra presa da contenção, disse que era “futura senadora” e que os policiais “não sabiam com quem estavam mexendo”, ignorou quatro disparos de munição de borracha e tentou arrancar a espingarda das mãos de um policial. Uma policial saiu da ocorrência com o dedo machucado e precisou de atendimento médico.

A deputada não menciona a moradora que deu início a tudo: a mãe que chamou a PM porque um carro com som alto na frente de casa tinha deixado o filho autista agitado, e que, segundo o registro policial e um vídeo gravado na hora, acabou chamada de “mentirosa”, “safada” e “pobre de direita” pelo grupo, com uma das mulheres citando o número da casa dela e dizendo “você vai ver só”.

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Ana Paula contou a Lula que ficou com Fernanda “até as seis horas da manhã” entre hospital e delegacia, que a suplente “foi atingida com bala de borracha, chute, derrubou no chão, um absurdo”, que o partido fez boletim de ocorrência e que “está agindo no jurídico”. Disse ainda que a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, “pediu contato” e que “essa rede que está acontecendo aqui no Estado, está todo mundo sendo solidário”.

O fecho da ligação define o enquadramento que o PT escolheu para o caso: “É para avisar você, porque você tem essa sensibilidade aí com as mulheres, nós estamos falando de violência contra a mulher”. Na legenda do post, a deputada repete: “Seguimos acompanhando, junto com o presidente Lula, e exigimos que tudo seja investigado. Não vamos tolerar nenhum tipo de violência contra a mulher”.

O vídeo é a terceira frente da chapa em menos de 24 horas. Décio Lima chamou o episódio de “violência política” no TikTok e Gelson Merisio (PSB), candidato a governador, disse ter ligado para o presidente do TRE-SC cobrando apuração. Agora a ligação vai direto ao presidente da República, gravada e publicada com a campanha de reeleição da deputada na assinatura.

Ana Paula Lima é enfermeira, natural de Curitiba, foi quatro vezes deputada estadual por Blumenau, presidiu a Assembleia Legislativa e está no segundo mandato na Câmara. Disputa a reeleição com o número 1313.

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A Polícia Militar registrou a ocorrência como desacato, desobediência e resistência e ainda não se manifestou publicamente sobre os vídeos. Fernanda Klitzke e as outras duas pessoas presas ficaram à disposição da Polícia Civil. Nem a corporação nem o governo do estado comentaram a ligação da deputada ao presidente.

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