Os Estados Unidos suspenderam, a partir desta sexta-feira (2), os serviços consulares na embaixada em Brasília e em todos os consulados do país no Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife. O governo norte-americano alegou questões de segurança, não disse qual é a ameaça e não deu prazo para a retomada do atendimento. A medida vale a dois dias do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4).
O aviso foi divulgado pela representação norte-americana na noite de quinta-feira (1º). “Os serviços consulares da embaixada e dos consulados dos Estados Unidos no Brasil serão suspensos a partir de sexta-feira, 2 de outubro, devido a preocupações com a segurança”, diz o comunicado, reproduzido pela agência Reuters.
O texto também orienta os cidadãos norte-americanos que precisarem de ajuda de emergência a não ir até a embaixada, os consulados ou outras instalações diplomáticas dos Estados Unidos. A recomendação é procurar o oficial de plantão responsável por cada região.
O que muda para quem precisa de visto
A suspensão atinge o atendimento presencial, o que inclui os procedimentos de visto para brasileiros. Um funcionário do consulado em São Paulo disse à CNN Brasil que as emissões de visto estão suspensas, sem data para voltar. Até a manhã desta sexta, a representação norte-americana não tinha divulgado um cronograma para remarcar entrevistas já agendadas.
A medida não significa que os Estados Unidos fecharam a embaixada ou romperam relações com o Brasil. O que está interrompido é o atendimento ao público. Os funcionários foram orientados a trabalhar de casa.
Ameaça chegou à embaixada em Brasília
Segundo o portal Metrópoles, o anúncio saiu horas depois de os funcionários da embaixada em Brasília receberem, por e-mail, a orientação de trabalhar remotamente por causa de uma ameaça recebida pela representação. O SBT News também informou que a ameaça foi direcionada à embaixada na capital federal. O teor não foi revelado.
Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que “a Administração Trump tem máxima prioridade à segurança e à proteção dos cidadãos americanos” e que o governo está “trabalhando em estreita cooperação com nossas contrapartes brasileiras para tratar de questões de segurança”.
Também na quinta-feira, um homem tentou passar pelas grades do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, e deixou uma mochila perto do prédio. A Polícia Militar do Distrito Federal isolou a área por suspeita de explosivo e depois descartou o risco: dentro da mochila havia roupas. Nenhuma autoridade ligou esse caso à decisão dos Estados Unidos.
Governo brasileiro foi pego de surpresa
A decisão surpreendeu membros do governo, diplomatas e servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), segundo os jornalistas Jamil Chade e Cleber Lourenço, do ICL Notícias, em reportagem publicada nesta sexta-feira (2). De acordo com o texto, integrantes do governo tentam desde quinta obter dos norte-americanos detalhes sobre a ameaça.
Ainda segundo a reportagem de Jamil Chade e Cleber Lourenço no ICL Notícias, um diplomata brasileiro ouvido sob anonimato estranhou que a suspensão não tenha vindo acompanhada de um alerta de viagem mais alto para o Brasil e levantou a hipótese de que o anúncio sirva para “causar medo e instabilidade” em período eleitoral. A Revista Oeste registrou que o alerta de viagem dos Estados Unidos para o Brasil segue no nível 2, em uma escala que vai até 4.
O ICL Notícias lembra ainda que, em julho, um norte-americano que mora em Araçatuba (SP) foi alvo de busca e apreensão depois de enviar e-mails com ameaça de explodir a embaixada em Brasília. Não há informação de que os dois casos tenham relação.
Depois do anúncio norte-americano, a embaixada da Austrália em Brasília também suspendeu os serviços consulares por segurança, sem citar ameaça direta, de acordo com o SBT News.
Até a publicação desta matéria, nenhum dos veículos consultados registrava posição oficial do Itamaraty ou da Polícia Federal sobre a suspensão. Os Estados Unidos não informaram quando o atendimento volta.
Fontes: reportagem de Jamil Chade e Cleber Lourenço, no ICL Notícias, Metrópoles, CNN Brasil e SBT News.
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