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“Ou o STF dá um basta nesse cara, ou acabou a República”, diz Malafaia ao chamar Moraes de criminoso

Pastor gravou vídeo horas depois de Alexandre de Moraes pedir providências contra o colega de Supremo e afirmou que André Mendonça não acusou ninguém, apenas derrubou o sigilo do relatório da Polícia Federal.

“Ou o STF dá um basta nesse cara, ou acabou a República”, diz Malafaia ao chamar Moraes de criminoso
Foto: Reprodução
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O pastor Silas Malafaia gravou um vídeo na noite desta quinta-feira (3) para atacar Alexandre de Moraes e defender André Mendonça, horas depois de o ministro encaminhar ao presidente do Supremo um pedido de providências contra o colega de Corte. A conclusão dele vem em uma frase: o criminoso da história é Moraes, não Mendonça.

“Povo abençoado do Brasil, só pode ser piada”, começa a gravação. “Quer dizer que o criminoso é André Mendonça e não Alexandre de Moraes? Gente, para pra pensar.”

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O argumento central de Malafaia é sobre o que Mendonça efetivamente fez. Na leitura do pastor, o relator do caso Banco Master apenas derrubou o sigilo das conversas e dos encontros que envolvem o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sem imputar crime a ninguém. “O André Mendonça não acusou Alexandre de Moraes de nada”, afirma. E completa que, quando o conteúdo veio à tona, o ministro encaminhou o caso a Edson Fachin para que fosse discutido em sessão aberta ao público no plenário do Supremo, já que não teria como adivinhar o que havia nos diálogos antes de retirar o sigilo.

ASSISTA AO VÍDEO

Capa do vídeo do YouTube

Ele então contrapõe esse procedimento ao que atribui a Moraes. Segundo o pastor, o ministro sempre manteve sigilo nos próprios inquéritos e o material acabava vazando para a imprensa, de modo que o investigado não sabia o que havia contra ele. “O André Mendonça não. Ele tira o sigilo, mas não acusa Alexandre. Manda para o presidente do STF.”

A ACUSAÇÃO INVERTIDA

A partir daí o tom endurece. Malafaia inverte a acusação e afirma que Moraes teria sido comprado por R$ 130 milhões, cita o que chama de relacionamento íntimo com Vorcaro e sustenta que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparece dezenas de vezes no material. As três afirmações são dele e não têm confirmação oficial. O que veio a público no relatório da Polícia Federal é um contrato milionário fechado entre o Master e o escritório de advocacia da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, e uma série de mensagens enviadas por Vorcaro a um interlocutor identificado como Moraes, sem que a perícia tenha recuperado as respostas.

Sobre o documento que Moraes enviou a Fachin, o pastor devolve a acusação ao remetente. “Ele acusa André Mendonça de improbidade, acusa de abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Ele está falando dele”, diz.

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Ou o Supremo Tribunal Federal dá um basta nesse cara, ou então acabou a República. Cadê os senadores?

Malafaia pergunta se Mendonça estaria conduzindo o caso com prudência e imparcialidade, ou se o problema é que veio à tona o que classifica como o jogo de influência e de poder do outro ministro. Ele fecha com uma convocação. “No 7 de setembro o Brasil tem que ir para as ruas”, diz, antes do encerramento religioso em que pede que Deus tenha misericórdia do país. A data cai na próxima segunda-feira.

O QUE O VÍDEO NÃO DIZ

O que Malafaia não menciona na gravação é que ele próprio é investigado por autorização de Moraes. Em agosto de 2025, o ministro determinou busca e apreensão contra o pastor no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, com apreensão de celular e passaporte. Malafaia é apurado por suspeita de coação no curso do processo, obstrução de investigação envolvendo organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, em desdobramento do inquérito que apura a atuação de Jair e Eduardo Bolsonaro para interferir no julgamento da trama golpista. O pastor nega os crimes, sustenta que suas manifestações são todas públicas e gravadas, e vem cobrando a devolução do passaporte, retido há mais de um ano.

A CRISE NO SUPREMO

Moraes encaminhou a Fachin um pedido de providências no qual afirma haver fortes indícios de que Mendonça cometeu abuso de autoridade, crime de responsabilidade e improbidade administrativa na condução das operações Compliance Zero e Sem Desconto. Para chegar ao colega, usou o inquérito das fake news, aberto em 2019 e sob a relatoria dele próprio.

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Fachin respondeu na mesma quinta-feira. Deu prazo de cinco dias úteis para que Moraes, Mendonça, Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem informações sobre o caso, e determinou que seja juntada aos autos a nota divulgada pela Secretaria de Comunicação do STF em 6 de março, a pedido do gabinete de Moraes, na qual o ministro negava ter recebido as mensagens de Vorcaro.

O estopim de tudo foi na terça-feira (1º), quando Mendonça derrubou o sigilo do relatório de 218 páginas produzido pela Polícia Federal após a Operação Compliance Zero. O relator defende que o material seja analisado pelo plenário do Supremo em sessão pública. A Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade do procedimento. A decisão sobre o formato e a data está com Fachin.

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