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Eleições 2026

Candidato ao governo de SC diz que STF tem de soltar Bolsonaro e os presos do 8 de Janeiro ou afastar Moraes

Vídeo do candidato do PRD ao Palácio Barriga Verde saiu no mesmo dia em que Jeferson Rocha, candidato ao Senado pela mesma chapa, protocolou no Supremo um habeas corpus para libertar o ex-presidente.

Candidato ao governo de SC diz que STF tem de soltar Bolsonaro e os presos do 8 de Janeiro ou afastar Moraes
Foto: Reprodução
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Ralf Zimmer, candidato do PRD ao governo de Santa Catarina, gravou um vídeo nesta quinta-feira (3) para colocar o Supremo Tribunal Federal diante de duas saídas que ele considera excludentes. Ou a Corte solta Jair Bolsonaro e os condenados pelos atos de 8 de janeiro, ou afasta o ministro Alexandre de Moraes.

O Supremo Tribunal Federal deve soltar imediatamente Jair Bolsonaro e os presos de 8 de janeiro, ou imediatamente também afastar o ministro Alexandre de Moraes

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O argumento que ele usa não é dele. É o do procurador-geral da República. Em 1º de setembro, ao se manifestar na Petição 16.662/DF, que trata do caso Banco Master, Paulo Gonet pediu a declaração de nulidade dos atos investigatórios determinados de ofício pelo ministro-relator à Polícia Federal, por violação ao sistema acusatório e ao artigo 3º-A do Código de Processo Penal. A tese, em uma frase, é a de que ao juiz não cabe investigar.

ASSISTA AO VÍDEO

Capa do vídeo do YouTube

A CONTA QUE O CANDIDATO FAZ

Zimmer pega essa tese e a devolve ao próprio Supremo. Na leitura dele, o parecer da PGR quer anular justamente as provas que colocam Moraes e sua família no centro do escândalo do Master. Se o Supremo aceitar o argumento, sustenta o candidato, ele tem de valer para todos. “Anule-se a condenação de Jair Bolsonaro e das demais pessoas envolvidas em 8 de janeiro, porque ninguém pode estar acima da lei”, afirma.

E se o Supremo rejeitar o argumento, diz ele, a consequência é a inversa: as provas seguem válidas, e as que apontam envolvimento de Moraes e de familiares com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro precisam ter efeito. Nesse cenário, na avaliação de Zimmer, o ministro deve ser afastado da Corte.

“É uma coisa ou outra. O que não dá é para o Supremo Tribunal Federal ter um entendimento para fulano e outro para cicrano”, afirma no vídeo.

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O trecho final é o mais duro. “Esse país vai ser o país da legalidade. Quer o seu Xandão queira, quer ele não queira”, diz o candidato, antes de encerrar afirmando que não se trata de política, e sim de justiça, que precisa ser igual para todos, inclusive para ministro do STF.

O HC PROTOCOLADO NA MESMA NOITE

A gravação não circulou sozinha. Às 20h49 da mesma quinta-feira, Jeferson da Rocha, candidato ao Senado pela mesma chapa de Zimmer, protocolou no Supremo um habeas corpus com pedido de liminar para tirar Bolsonaro da prisão. A petição usa exatamente o mesmo raciocínio: aponta a Primeira Turma e Moraes como autoridades coatoras, invoca o parecer de Gonet como fato novo e pede a nulidade da Ação Penal 2.668/DF, com extensão dos efeitos aos corréus em idêntica situação.

O habeas corpus é subscrito por Leandro Ribeiro Maciel, o advogado que representou o próprio Zimmer em 2020 no primeiro pedido de impeachment contra o então governador Carlos Moisés e sustentou a denúncia perante o Tribunal Especial de Julgamento.

A 31 DIAS DA ELEIÇÃO

O movimento tem endereço eleitoral. Zimmer, Jeferson Rocha e Fabiano Silva foram homologados na mesma convenção da Federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade, realizada em 31 de julho em Florianópolis. Zimmer disputa o governo, Rocha e Silva concorrem às duas vagas ao Senado. Já naquela convenção os dois candidatos ao Senado haviam concentrado os discursos em pautas nacionais: Rocha criticou a atuação do Supremo e defendeu maior protagonismo do Senado na fiscalização do Judiciário, e Silva cobrou atuação do Congresso sobre os investigados e condenados pelo 8 de janeiro. Faltam 31 dias para o primeiro turno.

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Zimmer tem 47 anos, nasceu em Chapecó e é advogado, com pós-graduação em Gestão Pública. Foi defensor público estadual e chegou a comandar a Defensoria Pública de Santa Catarina. Ganhou projeção estadual em 2020, quando protocolou o primeiro pedido de impeachment contra Carlos Moisés, que acabou absolvido. Disputou o governo pela primeira vez em 2022, pelo PROS, quando teve 3.828 votos.

Do outro lado, o Supremo passou o dia em fogo cruzado. Moraes encaminhou a Edson Fachin um pedido de providências contra André Mendonça, acusando o colega de abuso de autoridade, crime de responsabilidade e improbidade administrativa. Fachin deu prazo de cinco dias úteis para que Moraes, Mendonça, Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, prestem informações. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses em prisão domiciliar humanitária, e o habeas corpus protocolado à noite ainda depende de distribuição.

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