A guarnição precisou arrombar a porta para entrar no apartamento em Florianópolis. O casal estava do lado de dentro e dizia não encontrar a chave. Quando os militares finalmente acessaram o imóvel, encontraram duas versões que não se encaixavam em nada, além de dois relatos marcados por forte odor etílico, fala embargada e dificuldade para explicar o que tinha acabado de acontecer ali.
A mulher, de 29 anos, disse à guarnição que estava em casa com o namorado, que os dois discutiram e que, logo depois da discussão, ele a agrediu com socos no rosto. O homem citado é Brenno Henrique da Silva Leal, de 36 anos, conhecido nas redes como Brenno Leal. Ele se apresenta como mentor de empresários e advogados e atua como consultor na área de licitações públicas. A ocorrência foi registrada como lesão corporal leve dolosa.
A denúncia nas redes
Horas depois, ela publicou no Instagram as fotos do olho roxo e dos arranhões na testa e nomeou o companheiro logo na primeira linha da legenda. “BRENNO LEAL O NOME DELE, QUE FIQUEM ALERTA COM ESSE CARA, AGRESSOR!!!!!”, escreveu.
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Na mesma publicação, descreveu como chegou até ali. “Uma coisa que nunca pensei que passaria na vida seria maria da penha, nunca havia passado nenhuma situação de agressão… ele veio com um pedido de volta de namoro e muito romantismo, e dois dias depois me espancou!!!” O texto termina com um recado ao público: “que fique de alerta quem é esse cara!!!!!”
Em uma segunda publicação, ela mostrou dois celulares com as telas completamente estilhaçadas e escreveu que os aparelhos foram destruídos na mesma situação. “E ainda destruiu meus dois telefones”, diz a legenda.
A versão do acusado
Aos militares, Brenno apresentou o oposto. Relatou que os dois beberam na praia, foram para o apartamento, discutiram e que, em seguida, foi ela quem bateu com um objeto em seu rosto.
Procurado pela reportagem, ele detalhou a própria versão dos fatos.
A mesma já me agrediu várias vezes, como demonstrando em print dos fatos. Essa vez me agrediu sem causa alguma, me defendi na proporcionalidade, haja vista que estava próximo a cozinha obtendo facas e outros objetos me defendi. Subsequente a mesma foi no Airbnb furtou todos meus pertences. Me difamou em rede social!
Nos stories, negou a acusação e citou a própria trajetória pessoal como contraponto. “Fui casado 10 anos com a mesma mulher tenho dois filhos, nunca houve nada do tipo”, escreveu. Afirmou ainda que uma decisão de magistrado teria sido favorável a ele, sem apresentar publicamente qualquer documento que sustente a informação. Para reforçar a tese de que também teria sido agredido, publicou o print de uma conversa em que a mulher pergunta se, em determinado dia, teria desferido dois socos nele. “Deu sim”, respondeu. Na sequência, ainda na imagem, ela escreve “Desculpa”, “Te amo” e “Nao lembro”.
O apartamento esvaziado
O segundo capítulo do caso tem data e endereço. Na tarde de sábado (1º), por volta das 15h, um apartamento alugado por temporada no bairro Ponta das Canas, no norte da Ilha, foi esvaziado. Brenno registrou ocorrência por furto na Polícia Civil e listou como subtraídos um computador MacBook Air, duas malas e o próprio documento de identidade.
Em conversa que ele mesmo publicou, o responsável pela locação relatou ter sido comunicado, naquela tarde, de que uma mulher acompanhada de um homem teria voltado ao apartamento e recolhido todos os pertences que estavam no local. Vizinhos avisaram o proprietário do prédio, que se deslocou até lá. “Ao chegar ao local já não encontrou mais ninguém. Encontrou a porta aberta e as chaves em cima da mesa”, escreveu. Segundo o mesmo relato, nenhum item permaneceu no imóvel, e moradores anotaram a placa de um veículo que estaria envolvido.
Brenno também divulgou a tela de um serviço de rastreamento que apontava o computador em uma rua do Centro de Florianópolis. “As providências cabíveis quando a furto do meu MacBook os demais pertences já vao ser tomados”, escreveu sobre a imagem.
O que está registrado
Na manhã deste domingo (2), ele registrou uma segunda ocorrência na Polícia Civil, dessa vez por injúria e difamação, tendo como referência as publicações feitas no Instagram. “A Sra Morgana Ferreira, de forma pública via Instagram está denegrindo a minha imagem, calúnia, difamação e estou sofrendo ameaças por via e efeito da publicação. Tenho recebido diversas mensagens de ameaças”, consta no relato. Nos stories, listou o que pretende levar adiante na esfera jurídica: “injúria, calúnia, difamação, furto, agressão e invasão de propriedade privada”.
Nos comentários das publicações, o caso dividiu opiniões, com parte do público cobrando responsabilização e outra parte pedindo cautela até que as duas versões fossem apuradas. Nenhuma delas, até agora, foi confirmada por autoridade.
Até o momento não há prisão, indiciamento ou decisão judicial divulgada sobre o episódio. O que existe é a ocorrência de lesão corporal leve dolosa atendida pela guarnição, com relatos opostos dos dois envolvidos, mais dois registros feitos por Brenno na Polícia Civil, um por furto e outro por injúria e difamação, e a denúncia pública feita pela mulher, acompanhada das imagens das lesões no rosto. A apuração segue na Polícia Civil.


































