Uma grande mobilização de forças de segurança, familiares e voluntários vive momentos de intensa apreensão e trabalho ininterrupto em Ituporanga, no Alto Vale do Itajaí. Desde o início da tarde deste domingo (6), equipes de resgate atuam no paradeiro do pequeno Antônio Carlos Gomes Teixeira, de apenas 4 anos. A criança, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), desapareceu às 12h35 enquanto visitava uma residência na localidade de Salto Grande, na cidade de Ituporanga.
Segundo registros de câmeras de segurança do local, os familiares constataram a ausência do menino poucos minutos após a última visualização, iniciando a procura às 12h38. A proximidade da residência com o Rio Itajaí do Sul, que fica a cerca de 20 metros da casa, tornou a margem do rio o foco principal das operações desde os primeiros momentos.

Estratégia coordenada e controle da vazão do rio
Diante do cenário crítico e da forte correnteza do local, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) traçou um plano estratégico em conjunto com a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil. Para permitir a navegação segura de embarcações e eventuais atividades de mergulho, foi solicitado o fechamento das comportas da Barragem Sul, em Ituporanga.

Como a manobra exige de três a quatro horas para surtir efeito nas águas e as buscas aquáticas noturnas são suspensas por razões de segurança, a operação coordenada definiu o fechamento das comportas para as 4h da madrugada desta segunda-feira (7).
Com o reservatório operando em cerca de 20% de sua capacidade, a medida reduziu a velocidade da correnteza sem comprometer a segurança hídrica da região, permitindo que as equipes retomassem as varreduras fluviais logo ao amanhecer.

A previsão inicial é de que as comportas permaneçam fechadas até as 18h desta segunda-feira, podendo esse período ser estendido de acordo com a evolução das buscas e a necessidade da operação. A previsão de chuva para a região entre quarta (9) e quinta-feira (10) também está sendo acompanhada pelas equipes técnicas e, neste momento, não altera as condições para a realização da operação.
Tecnologia e cães farejadores na linha de frente
Na manhã desta segunda-feira (7), a operação de resgate conta com uma estrutura reforçada. No rio, três embarcações (duas a remo e uma a motor) navegam simultaneamente, operadas por cinco bombeiros militares dedicados exclusivamente à busca aquática. Em solo, militares de apoio realizam a varredura contínua das margens e matagais ao redor.

A tecnologia e o trabalho especializado têm sido determinantes para cobrir a maior área possível:
- Binômio de Busca: O reforço do cão de resgate Luna, conduzido pelo Sargento BM Vieira, atua no rastreio em solo.
- Aeronaves não tripuladas: Dois drones do CBMSC cobrem a região pelo ar, incluindo um equipamento munido de câmara infravermelha (térmica), utilizado para mapear vestígios e identificar calor corporal sob a vegetação e superfícies.

Orientação à comunidade e canais oficiais
A operação conta com a colaboração e comoção de populares e órgãos de segurança pública, incluindo a Polícia Militar. Contudo, as autoridades reforçam que, apesar do desejo de ajudar, não é recomendada a realização de buscas voluntárias nas margens dos rios durante o período noturno, tampouco a entrada na água, dado o alto risco de afogamento devido à correnteza e terreno instável.
Qualquer informação relevante ou pistas sobre o paradeiro de Antônio Carlos devem ser repassadas imediatamente aos canais oficiais de emergência:
- 193 – Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina
- 190 – Polícia Militar de Santa Catarina
Um novo relatório atualizado com o balanço das buscas será emitido pelas forças de resgate ao final do dia.















