Uma passageira foi flagrada sentada em cima de um botijão de gás na garupa de uma moto que trafegava pela BR-101, em Itajaí, no Litoral catarinense. A cena foi registrada por um motorista que seguia pela mesma rodovia, debaixo de chuva forte, e o vídeo passou a circular em perfis de notícias nas redes sociais.
Nas imagens, o motociclista aparece à frente, de capacete escuro e jaqueta preta, conduzindo o veículo normalmente. Atrás dele, a passageira está empoleirada sobre o recipiente cinza apoiado na garupa, com o corpo bem acima da linha do banco, as pernas dobradas e sem qualquer apoio nas costas.
A chuva é intensa durante todo o trecho gravado. A pista aparece encharcada, os limpadores do para-brisa do carro que registra a cena trabalham sem parar e a visibilidade é curta, com a paisagem ao fundo encoberta pela névoa de água levantada pelos pneus.
Ao redor da moto, o tráfego é pesado. Caminhões, carretas e carros de passeio aparecem nas faixas próximas. Em determinado momento, a motocicleta segue pela faixa da direita, colada ao guard-rail que separa as pistas, e é ultrapassada por outros veículos.
O botijão residencial mais comum, o P-13, carrega 13 quilos de gás. Cheio, o conjunto de recipiente e conteúdo passa dos 25 quilos. Amarrado na garupa e ainda servindo de assento para uma pessoa adulta, ele empurra o centro de gravidade da moto para cima e para trás, justamente o contrário do que a estabilidade do veículo exige em curva, em frenagem e em desvio de emergência.
A posição também deixa a passageira sem condições de se segurar com firmeza. Sentada acima do banco, ela fica com o corpo exposto acima da linha do veículo e sem ponto de apoio fixo. Em uma freada mais forte ou num desvio, o risco é de queda direta na pista, no meio do tráfego da rodovia.
A chuva agrava todos esses pontos. Com o asfalto molhado, a distância de frenagem aumenta, a aderência do pneu cai e o risco de aquaplanagem sobe. Uma moto sobrecarregada e com peso mal distribuído perde ainda mais margem de reação.
O que diz a lei
O Código de Trânsito Brasileiro classifica como infração gravíssima conduzir motocicleta transportando carga incompatível com as especificações do veículo. A penalidade prevê multa e suspensão do direito de dirigir, além da retenção do veículo até a regularização.
A legislação também trata como infração gravíssima transportar passageiro fora do assento próprio, em posição que não permita se segurar com segurança durante o deslocamento.
Há ainda um terceiro ponto, menos comentado. O GLP é classificado como produto perigoso, e as normas que regulam o transporte rodoviário desse tipo de carga não admitem o uso de motocicletas. A entrega de botijões exige veículo apropriado, com identificação e condições específicas de fixação. Um recipiente pressurizado amarrado na garupa não atende a nenhum desses requisitos.
O trecho da BR-101 que corta Itajaí é um dos mais movimentados de Santa Catarina. A rodovia concentra o fluxo de caminhões que abastecem o complexo portuário da cidade e liga o município a Navegantes, Balneário Camboriú e ao restante do Litoral. É rota diária de carga pesada, em velocidade de rodovia federal.
A fiscalização do trecho cabe à Polícia Rodoviária Federal. Não há informação divulgada de que a moto tenha sido abordada por agentes, nem de que o caso tenha gerado autuação. Também não há registro de acidente relacionado à cena.
O vídeo segue circulando nas redes sociais e reacendeu a discussão sobre o transporte improvisado de carga em motocicletas em Santa Catarina, prática comum em deslocamentos curtos dentro dos bairros, mas que na rodovia federal encontra outro patamar de velocidade, de tráfego e de consequência.















