Bastou uma viatura parada no portão para que Tijucas acreditasse, em questão de minutos, que um pai havia pulado o muro da Escola Deputado Walter Vicente Gomes para matar uma criança. O inquérito policial que apurou o caso está concluído, e a resposta oficial é a mesma que a Polícia Militar, a prefeitura, a direção da escola e o próprio homem apontado nas publicações já haviam dado no dia da ocorrência: nada daquilo aconteceu.
A conclusão é da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso, a DPCAMI da Comarca de Tijucas, que investigou os fatos ocorridos na unidade. Depois de reunir e analisar os elementos da apuração, a Polícia Civil concluiu que não houve a prática do crime de ameaça, seja contra as funcionárias da instituição de ensino, seja contra os alunos.
O inquérito também esclareceu os dois pontos que mais assustaram a comunidade escolar. De acordo com a Polícia Civil, não ocorreu tentativa de invasão da escola e não foi constatada intenção de agredir qualquer estudante.
Sobrou o estrago
A investigação foi além de descartar o crime e cravou o que a instituição classifica como o risco real do episódio: a circulação de informação falsa ou não confirmada. A propagação de boatos, aponta a Polícia Civil, gerou pânico e apreensão no ambiente escolar de uma unidade que atende crianças e adolescentes, e que passou o dia sob a tensão de um ataque que nunca existiu.
O outro efeito recaiu sobre uma única pessoa. A delegacia registra que a disseminação das informações falsas acabou por expor o pai envolvido na ocorrência ao risco de sofrer represálias.
A propagação de boatos acabou gerando pânico e apreensão no ambiente escolar, além de expor o pai envolvido na ocorrência ao risco de sofrer represálias por parte da sociedade, a partir de informações que não correspondiam aos fatos apurados pela Polícia Civil.
O alerta da delegacia
A DPCAMI de Tijucas reforça a importância do uso responsável das redes sociais, especialmente em situações que envolvam crianças, adolescentes e instituições de ensino. Antes de compartilhar, diz a delegacia, é fundamental verificar a procedência da informação e aguardar os esclarecimentos das autoridades responsáveis pela investigação.
A Polícia Civil destaca ainda que permanece atenta aos acontecimentos que envolvem a comunidade e reafirma o compromisso com a apuração rigorosa dos fatos, a proteção da população e a divulgação responsável de informações, contribuindo para evitar a disseminação de boatos e garantir a tranquilidade e a segurança da sociedade.
Entenda o caso
Na tarde de 11 de agosto, a presença de uma viatura da Polícia Militar em frente ao portão da escola, no bairro Praça, foi o suficiente para que a versão mais grave possível corresse a cidade nas redes sociais. As publicações afirmavam que um homem, apontado como pai de uma estudante, teria escalado o muro do colégio depois de ameaçar de morte uma criança.
A Polícia Militar foi acionada, esteve no local e negou que tenha havido tentativa de invasão nesses termos. Não houve prisão.
Naquele mesmo dia, prefeitura, direção da escola e o próprio homem apontado nas publicações também negaram a escalada do muro e a ameaça de morte. Ele contou à reportagem do Jornal Razão que foi até a escola depois de receber uma mensagem avisando que a filha havia sido agredida, e que não passou da calçada. A direção confirmou que houve uma desavença entre duas alunas e que as famílias foram chamadas no mesmo dia, com as aulas seguindo normalmente. Relembre a reportagem: Pai nega ter tentado ‘invadir escola para matar criança’ em Tijucas: “baita de uma mentira”.
Com o inquérito encerrado sem a constatação de crime, a apuração oficial fecha o ciclo iniciado por uma publicação que nunca teve respaldo nos fatos.
































