Sim, usei o termo “moradores de rua” na manchete para horrorizar os sensíveis arautos do politicamente correto que, tenho certeza, já entraram furiosos nesta matéria para me dar uma aula de linguagem empática e de democracia relativa. Podem gritar à vontade que são agora “pessoas em situação de rua” ou qualquer outra expressão da moda acadêmica, mas não é isso que meus olhos enxergam todos os dias pelos quatro cantos da cidade.
Trata-se da velha história de buscar adjetivos positivos e eufemismos para ostentar virtude e conhecimento do assunto, mas que acarreta no descolamento do eixo da realidade e dos fatos. Insisto que são, com efeito, moradores de rua. Vivem, sim, nas ruas, por muito mais tempo do que muitos pagadores assíduos de IPTU e demais impostos.
É ampla e dolorosamente sabido que determinados locais de algumas cidades e bairros se tornaram pontos cativos que reúnem pessoas a fim de usar e traficar drogas e de coagir idosos, crianças e mulheres impunemente. Vagabundeiam pela cidade sob o manto conveniente da “dependência química”, da “desigualdade”, do “coitadismo” e da “falta de oportunidade”.
Na Grande Florianópolis, por exemplo, por meio de levantamentos feitos pela PM, sabe-se que a maioria dos moradores de rua vem de outras cidades por entender que o local é propício para a vida nas ruas. Os defensores da democracia de plantão vão gritar que não há problema algum em pessoas se mudando de cidade. É verdade, desde que não tenham ficha criminal extensa, conforme comprovado por inúmeros relatórios das forças de segurança pública e do poder público. Mas por que exatamente eles vão para determinadas cidades e locais específicos?
Não é difícil entender. Excesso de assistencialismo, fácil acesso às drogas e muitas ONGs interessadas na manutenção e na concentração dessas pessoas nas ruas. Sem falar no cidadão, muitas vezes sem compreender a dimensão do mal ocasionado, que dá dinheiro todos os dias para esse pessoal não precisar trabalhar e poder viver folgadamente do abuso do álcool e dos entorpecentes.
Tudo isso, é claro, gera insegurança, mais dependência, mais vício e, claro, lucro para muitos que se utilizam politicamente e ideologicamente dessa situação para promoção própria e de seus interesses.
A Prefeitura de Florianópolis toma a atitude corajosa de combater as ONGs que se tornaram um verdadeiro câncer no Brasil, multando-as por distribuir alimentos sem nenhum tipo de controle e de higiene pela cidade. Não se enganem, ninguém será proibido de exercer a caridade, a maior das virtudes cristãs. Todo mundo continua livre para ajudar o próximo, estender a mão para os necessitados e até mesmo, literalmente, levá-los para casa.
Creio, com sincero pesar, que isso não ocorra com frequência. É menos trabalhoso despejar marmitas em frente ao comércio e à residência de terceiros, que acabam herdando as mazelas trazidas pelos nem tão zelosos benfeitores. Esses que voltam em seus carrões para suas casas tranquilas e limpas, enquanto o morador ou comerciante da região alvo fica com o lixo, a urina, as fezes, os restos de comida, as ameaças e, com azar, até com os furtos e os roubos que costumam fechar esse círculo vicioso.
Muito além de acolher o próximo, como fazem as Santas Casas, essa questão da entrega de marmitas foi instrumentalizada por grupos com interesses escusos que prejudicam muito mais do que ajudam aquelas pessoas e a sociedade de modo geral.
Acredito na capacidade intelectual do leitor deste artigo. Ele não sairá com a impressão de que defendemos que as pessoas morram de fome pelas ruas. Caso alguém não tenha compreendido que a luta é por espaços adequados, higiênicos e com um mínimo de segurança física e sanitária para todos, a culpa é do sistema de ensino e alfabetização do país, e não deste colunista.
Parabéns à prefeitura de Florianópolis e a todos que não se intimidam com o ativismo judicial e político que vai de encontro aos interesses populares.