Caído no chão da própria oficina, com uma perfuração de bala no peito e sangrando muito, o dono do estabelecimento ainda teve fôlego pra dizer aos policiais quem tinha atirado nele. Não sabia o nome completo. Sabia o apelido, sabia que o homem andava numa Yamaha vermelha e sabia onde ele morava: na mesma Rua Gustavo Zimmermann, poucos números abaixo do galpão. Foi essa descrição, dada minutos depois do tiro, que levou a Polícia Militar até Mizael Ferreira de Oliveira, de 27 anos, preso na mesma noite com a arma usada no crime.
O caso aconteceu na sexta-feira, 31 de julho, por volta das 19h30, no bairro Itoupava Central, em Blumenau. Conforme o registro da Polícia Militar, a vítima, um homem de 35 anos, estava na oficina quando foi surpreendida pelo autor, que sacou uma arma de fogo e disparou em sua direção. Depois do tiro, ele fugiu a pé.
Uma testemunha que estava nas proximidades relatou ter ouvido o disparo por volta das 19h15. Ao sair pra ver o que tinha acontecido, viu um homem correndo pela via, de moletom azul, calça jeans e tênis.
Socorro no chão da oficina
Quando a guarnição chegou, encontrou o homem no chão, gritando por socorro. Os policiais posicionaram a vítima em decúbito dorsal pra avaliar as lesões e aplicaram selo de pneumotórax, procedimento que veda o ferimento no tórax e impede que o pulmão colabe, na tentativa de estabilizá-la até a chegada do atendimento médico. Havia uma única perfuração visível por arma de fogo. O Corpo de Bombeiros Militar assumiu o socorro e levou a vítima ao Hospital Santa Isabel, onde deu entrada em estado gravíssimo.
Mesmo sem conseguir relatar os fatos em detalhe por causa do sangramento intenso, a vítima passou aos policiais a informação que mudaria a noite. Disse que o autor era um homem conhecido pelo vulgo MZ, dono de uma motocicleta Yamaha vermelha, morador da mesma rua da oficina. Os disparos, segundo ela, aconteceram na garagem.
A caçada pelo bairro
Com esses dados, a guarnição da ROCAM deslocou até o endereço indicado. Ali, com ajuda de vizinhos, os policiais chegaram à identidade do autor: Mizael Ferreira de Oliveira. Conforme consta no registro policial, ele tem 27 anos, é natural do Pará e não possuía passagem policial em Santa Catarina.
Os mesmos vizinhos deram a pista seguinte. Contaram que o rapaz tinha amigos morando na Rua Alwin Muller e que costumava passar os fins de semana por lá. A informação virou o endereço da busca.
Com apoio das guarnições do Canil e de outras equipes, a PM fez uma incursão no local. A cerca de 30 metros da residência, os policiais viram o homem jogar um objeto no quintal dos fundos e voltar correndo, na intenção de se esconder dentro da casa. Foi abordado ali mesmo.
Questionado sobre o que tinha dispensado, ele respondeu que era a arma usada nos disparos contra o dono da oficina.
Briga por um carro
Foi também na abordagem que apareceu a motivação, que os registros anteriores da ocorrência davam como desconhecida. Segundo a Polícia Militar, o próprio autor afirmou que atirou por causa de um desacordo na compra de um veículo. A versão bate com o que uma testemunha já tinha contado no local do crime: cliente da vítima, ela disse ter presenciado o possível autor ameaçando o dono da oficina em razão da demora na entrega de um carro que estava no galpão.
Diante dos fatos, foi dada voz de prisão, lidos os direitos constitucionais e feita a condução, sem lesões, à Central de Polícia. A ocorrência foi registrada como homicídio doloso na modalidade tentada.
A Polícia Científica esteve no local pra coleta dos vestígios e a Delegacia de Homicídios assumiu as providências de polícia judiciária. Até a última atualização, a vítima seguia internada em estado gravíssimo no Hospital Santa Isabel, e o autor permanecia preso.



































