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Jovem vira refém de facção, fica dias sem comer e é resgatada pela PMSC de cativeiro em Tijucas

Denúncia de policial civil levou a PM ao Loteamento Jardim Progresso, onde a jovem era mantida presa por dívida de R$ 2 mil com o tráfico. Um homem foi preso, o gerente do ponto fugiu e drogas e balanças foram apreendidas.

Jovem vira refém de facção, fica dias sem comer e é resgatada pela PMSC de cativeiro em Tijucas
Foto: Reprodução
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Uma jovem mantida em cárcere privado por integrantes de uma facção criminosa foi resgatada pela Polícia Militar na Rua Adriel de Menezes, no número 850, bairro Areias, em Tijucas (SC). O endereço fica no ponto mais crítico do Loteamento Jardim Progresso, área conhecida na cidade como “Sem Terra”. Um homem foi preso no local e outro conseguiu fugir pelos fundos do imóvel durante a incursão policial.

A ocorrência começou por volta das 12h30, quando o Copom acionou o comandante da 2ª Companhia do 31º Batalhão de Polícia Militar, major Felipe Comiran Caselli, para repassar uma denúncia recebida de um policial civil de Palhoça. “Havia chegado uma denúncia de um policial civil da Palhoça, que tinha uma jovem que estaria em cárcere privado, sendo mantida em cárcere privado de uma facção”, contou o oficial em entrevista ao Jornal Razão.

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A informação vinha com um agravante. Segundo o major, a denúncia trazia também o temor de que a jovem fosse morta em um julgamento paralelo montado pelo próprio grupo criminoso. “A denúncia também continha o temor que essa jovem fosse executada no que eles chamam de tribunal do crime”, afirmou.

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Assim que a comunicação chegou, Caselli informou o comandante do batalhão e acionou a agência de inteligência da unidade. Em seguida, entrou em contato com a oficial de dia e pediu que a equipe tática entrasse em posição, enquanto ele mesmo seguia com o pessoal da inteligência para dentro do Jardim Progresso a fim de levantar a localização exata do cativeiro. “De novo, mais uma vez, a agência de inteligência de Tijucas fazendo toda a diferença”, disse. A guarnição de Canelinha também foi chamada para dar apoio, dado o histórico de confrontos policiais na região ao longo dos últimos anos.

O método usado no levantamento não foi detalhado. “Não vamos aqui expor como foi feito, até para não ficar mais difícil os próximos”, justificou o major. À medida que novas informações chegavam, a suspeita se confirmou: a jovem estava mesmo sendo mantida presa dentro do imóvel.

Com a confirmação, o oficial determinou que as demais guarnições se incorporassem à operação. Os policiais partiram em conduta de patrulha, cercaram a residência e entraram. Ainda durante a aproximação, um homem correu pelos fundos da casa e sumiu em direção ignorada. Ele foi identificado depois como Vitor Valcir de Souza Dorneles, o “VT”, apontado como gerente do ponto de tráfico. Dentro do imóvel, os militares abordaram e prenderam Julio Cesar Guilherme de Oliveira, conhecido pelos apelidos de “Miyagi” e “Jhoni”, apontado como o “disciplina” da facção PGC na localidade — a função encarregada de aplicar as punições internas do grupo.

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A jovem foi encontrada em um segundo cômodo da residência, bastante nervosa e amedrontada. Ela relatou aos policiais que é usuária de drogas e que havia acumulado uma dívida de cerca de R$ 2 mil com o ponto de venda de entorpecentes do Jardim Progresso.

Ainda na manhã do mesmo dia, segundo o relato dela, os dois homens foram até sua casa e a obrigaram a sair contra a vontade, levando-a ao imóvel da Rua Adriel de Menezes. Logo na chegada, “VT” teria pisado sobre seu pé esquerdo, causando lesão, com o objetivo de dificultar uma eventual fuga.

O endereço não era desconhecido para ela. A jovem contou que já havia frequentado o local porque os dois a recrutaram para “trabalhar” na venda de drogas, como forma de abater parte do débito. Ela permaneceu nessa atividade por cerca de uma semana, mas não conseguiu reduzir o valor de maneira significativa. Foi então que o grupo decidiu mantê-la presa no imóvel, avisando que ficaria com seu aparelho celular como pagamento e que ela voltaria a ser obrigada a traficar.

Presa em um dos cômodos, ela recebeu ordem para restaurar o celular e entregá-lo aos criminosos. Antes de fazer isso, conseguiu falar com um policial conhecido de seus familiares, contou a situação e pediu que acionasse a Polícia Militar. Foi essa mensagem que deu origem à denúncia que chegou ao Copom.

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Em entrevista, o major relatou ainda que a jovem descreveu um cerco psicológico permanente. Segundo o oficial, havia a ameaça de que o valor da dívida poderia ser reduzido caso ela cedesse a favores sexuais aos integrantes do grupo. “Então é extremamente abjeta a forma da facção trabalhar”, classificou.

Livre a refém e preso um dos envolvidos, as equipes passaram a vasculhar o imóvel, que segundo a vítima era usado pelos dois homens. Foram apreendidos aproximadamente 85 gramas de substância análoga à cocaína, cerca de 84 gramas de material semelhante à maconha, três aparelhos celulares, três balanças de precisão e materiais usados no fracionamento e na embalagem de entorpecentes.

O estado da jovem chamou a atenção dos militares. Ela estava havia um ou dois dias sem se alimentar. Ainda no local, os policiais providenciaram comida e hidratação antes de conduzi-la à delegacia. “A menina está sendo alimentada, ela estava já um dia, dois, sem comer. Estamos hidratando ela, já vamos conduzir para a delegacia para ter toda a assistência necessária”, explicou o comandante. Foi oferecido atendimento médico, mas ela recusou o encaminhamento.

Julio Cesar Guilherme de Oliveira recebeu voz de prisão e foi levado, junto com todo o material apreendido, à Delegacia de Polícia Civil de Tijucas. A ocorrência foi registrada como sequestro e cárcere privado, lesão corporal leve dolosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico.

A persecução penal continua, com foco em “VT”, que segue foragido. O oficial afirmou que a proximidade com a Polícia Civil deve encurtar esse caminho. “Hoje temos uma relação excelente com a Polícia Civil, então muito em breve acredito que consigamos prender todos os envolvidos”, declarou.

Ao encerrar, Caselli fez questão de deixar um recado sobre a atuação da corporação no município. “Em Tijucas, aqui, a gente não vai dar espaço para a criminalidade”, disse, acrescentando que “as facções vão ser tratadas com o rigor que a lei exige”.

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