Kaue Silva Dantas caminhava nas proximidades da rodoviária de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, quando uma equipe Tática da Polícia Militar que fazia rondas na região o reconheceu na calçada. Natural do Amapá e apontado como integrante do Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa com base no Rio de Janeiro, ele era procurado pela Justiça e acabou preso ali mesmo, na rua, sem esboçar reação.
Os policiais fizeram a abordagem e pediram a identificação do homem. A confirmação veio em seguida: contra Kaue havia um mandado de prisão em aberto, expedido pela Justiça do Amapá, com base no artigo 33 da Lei de Drogas, o dispositivo que trata do tráfico.
A abordagem não foi obra do acaso. A equipe já conhecia o nome e a fisionomia do procurado, e a ação foi conduzida em conjunto com o setor de inteligência da corporação, que vinha reunindo informações sobre a presença dele na cidade.

Preso com malas ao lado da rodoviária
No momento da abordagem, Kaue estava acompanhado da esposa e carregava malas, celular e carteira. Os pertences foram entregues a ela ainda no local, enquanto ele seguia detido com a equipe.
O cenário reforça a linha apurada pela polícia: o homem teria deixado o Amapá e viajado para Santa Catarina justamente para escapar do mandado que corria contra ele. A escolha por uma cidade do interior, longe do Rio de Janeiro e do estado onde responde ao processo, é movimento comum entre foragidos que apostam no anonimato para recomeçar sem chamar atenção.
A aposta durou pouco. Bastou uma ronda de rotina em uma das áreas de maior circulação de Chapecó para que o nome dele voltasse a aparecer nos sistemas policiais, dessa vez com o portador na frente dos militares.
Fuzis nas redes sociais
Antes da fuga, Kaue mantinha nas redes sociais um perfil bem diferente do homem de camiseta vermelha que apareceu ao lado da viatura em Chapecó. Nas publicações, ele posa segurando fuzis, em imagens feitas em becos e lajes, com armamento pesado à mostra.
Em uma das cenas registradas, aparecem dois fuzis apoiados em uma mureta, um deles com a sigla da facção gravada na coronha, tendo ao fundo os telhados de uma comunidade. A ostentação armada é parte da rotina de comunicação de facções, usada para marcar território e intimidar rivais.
O que é o Terceiro Comando Puro
O TCP nasceu no Rio de Janeiro como dissidência do antigo Terceiro Comando e hoje disputa o controle de comunidades com o Comando Vermelho e com as milícias. A facção expandiu a atuação para outros estados nos últimos anos, e a chegada de integrantes ao Sul do país aparece com frequência em ocorrências de tráfico e de cumprimento de mandados.
Condenações pelo artigo 33 preveem pena de cinco a quinze anos de reclusão, além de multa. O tempo efetivo de cumprimento depende da quantidade e do tipo de droga, da participação do réu na estrutura do tráfico e de eventuais agravantes reconhecidas em sentença.
Após os procedimentos, Kaue Silva Dantas foi conduzido ao Presídio Regional de Chapecó, onde permanece à disposição da Justiça. Caberá ao Judiciário decidir sobre o cumprimento da pena e sobre uma eventual transferência ao estado que expediu o mandado.















