A Diocese de Rio do Sul, no Alto Vale do Itajai publicou uma orientação pastoral com oito regras que devem ser cumpridas por todos os fiéis durante as eleições de 2026, estabelecendo neutralidade partidária e proibindo o uso de estruturas e canais da Igreja para fins eleitorais. O documento foi assinado pelo bispo diocesano, Dom Adalberto Donadelli Júnior, e já está em vigor.
Conforme o texto, a Diocese justifica as medidas pela necessidade de manter a neutralidade partidária, preservar a imagem da Igreja Católica de qualquer instrumentalização política e promover a lisura do processo democrático.
O bispo afirma que a política é uma das formas mais elevadas de promover a caridade, por buscar o bem comum, e que o objetivo é garantir que o processo democrático seja vivido na Diocese com responsabilidade cristã.
O que prevê o documento
Entre as determinações, o documento estabelece que todo fiel leigo que ocupe ofício eclesiástico de provisão canônica, como chanceleres, ecônomos e coordenadores de pastoral, e que pretenda se candidatar a cargo público, deve solicitar afastamento no momento do registro da pré-candidatura ou candidatura.
Já os fiéis que exercem ministérios, como ministros extraordinários da sagrada comunhão, catequistas, leitores e salmistas, ao se tornarem candidatos, deverão suspender o exercício público dessas funções litúrgicas até o fim do pleito, embora continuem participando normalmente das celebrações e da vida comunitária.
Proibições
A orientação proíbe terminantemente o uso de dependências eclesiásticas, como igrejas, salões paroquiais e centros pastorais, para reuniões de caráter político-partidário ou para favorecimento de candidatos, sob pena de responsabilidade administrativa do responsável pelo local.
Também veda a utilização de canais oficiais de comunicação da Diocese ou de suas paróquias, incluindo redes sociais, sites e aplicativos de conversa, para promoção direta ou indireta de candidaturas.
O documento determina ainda que o clero deve se manter estritamente neutro, garantindo que o ambiente sagrado e as celebrações permaneçam isentos de manifestações partidárias. Conforme a orientação, é vedado ao sacerdote usar a homilia para promover candidaturas ou partidos, mas cabe a ele exortar os fiéis ao discernimento consciente, orientando-os a avaliar os candidatos à luz do Evangelho e segundo critérios de ética, integridade, competência, histórico de serviço público e retidão de conduta.
Legislação brasileira
A Diocese também reforça que, em conformidade com a legislação brasileira que proíbe a compra de votos e o abuso do poder econômico ou político, ficam vedadas quaisquer doações em espécie, bens ou serviços por parte de candidatos à Igreja em troca de apoio político. Segundo o texto, quem estiver investido em função de liderança eclesiástica e desatender às normas, usando a autoridade do cargo para fins eleitorais, poderá ser removido do ofício por justa causa mediante decreto administrativo.
A orientação pastoral foi dada e passada na Cúria Diocesana de Rio do Sul em 31 de maio de 2026. Conforme o documento, as regras devem ser integralmente cumpridas por todos os fiéis da Diocese de Rio do Sul.




































