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Crianças com fome e plateia vazia: Festival de Dança de Joinville é alvo de duras críticas nas redes sociais

Em vídeo gravado no Palco da Sapatilha, professora afirma que o grupo tinha horário agendado para as 20h e ainda aguardava às 21h52, com a feira fechada e a plateia vazia. No dia seguinte, o responsável pelos Palcos Abertos ligou, reconheceu a falha e informou remanejamento de equipe.

Crianças com fome e plateia vazia: Festival de Dança de Joinville é alvo de duras críticas nas redes sociais
Foto: Reprodução
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O relógio marcava 21h52 quando a professora ligou a câmera do celular e se posicionou de propósito ao lado de uma funcionária da organização, para que ficasse claro que estava gravando. A feira já tinha fechado, a plateia do Palco da Sapatilha estava vazia e um grupo de crianças continuava nos bastidores, de figurino pronto, sem ter subido ao palco. O horário oficial da apresentação era 20h, agendado pelo sistema do Festival de Dança de Joinville meses antes.

“Nós tínhamos o nosso horário agendado, eu estou com o meu grupo infantil aqui, nós não somos encaixe”, diz ela no vídeo, gravado durante a 43ª edição do festival. “E simplesmente a organização passou todos os encaixes na nossa frente, e nós não conseguimos dançar ainda. Os nossos bailarinos estão com fome, as nossas mães estão questionando, a plateia está vazia.”

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Agendado meses antes

No vocabulário do festival, encaixe é a inclusão de um grupo fora da grade previamente agendada, quando sobra espaço no bloco. A queixa da professora é que os encaixes passaram à frente de quem tinha horário confirmado desde a inscrição. Antes de encerrar a gravação, ela caminha até a área do público e filma as cadeiras vazias e os estandes já fechados.

ASSISTA AO VÍDEO

Capa do vídeo do YouTube

O Palco da Sapatilha fica dentro da Feira da Sapatilha, no Expocentro Edmundo Doubrawa, anexo ao Centreventos Cau Hansen, e é um dos mais disputados da programação gratuita. Pela grade oficial da edição de 2026, o espaço funciona das 10h às 21h. Quando o vídeo foi gravado, o grupo infantil aguardava havia quase uma hora depois do encerramento previsto para aquele palco.

Parece tudo muito lindo, tudo muito bonito, tudo muito glamuroso. Mas a realidade mesmo dos palcos abertos não é nada bonita e glamurosa como o Festival posta.

No registro, a professora também cita a burocracia do agendamento. “Nos sujeitamos a um sistema que é super complicado de agendar, com chamados que são super demorados de serem respondidos. E na hora da gente ter o que é de direito, o que foi acordado, o que foi feito dentro dos prazos, dentro das regras, aí Joinville trata professores e bailarinos dessa maneira.”

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A ligação na manhã seguinte

Na manhã seguinte, segundo relato dela própria em um segundo vídeo, o responsável pelos Palcos Abertos ligou. A conversa foi longa. Ele teria dito que o vídeo havia chegado até ele, que desconhecia várias das situações descritas e que a condução daquela noite não representa o festival. “Essa não é a forma que a gestão do festival prepara a sua equipe, nos seus treinamentos, para abordar, para atender os grupos”, resumiu a professora.

Ainda de acordo com o relato, algumas providências já estariam tomadas antes mesmo do telefonema, entre elas o remanejamento de equipe e a responsabilização de integrantes identificados como tendo falhado no procedimento previsto. A organização também teria oferecido que o grupo voltasse a se apresentar, dessa vez em horário adequado e com plateia, para desfazer a impressão que ficou.

Por que o vídeo saiu do ar

Horas depois, a professora anunciou que arquivaria o primeiro vídeo. Deu dois motivos. O primeiro foi o rumo da repercussão: os comentários passaram a puxar disputas políticas e questionamentos sobre avaliação de jurados, temas que, segundo ela, nunca foram o objetivo. O segundo apareceu nas respostas que deu a seguidores. “Eu arquivei meu primeiro vídeo por proteção às minhas crianças que estarão lá hoje. Mas não vou calar minha voz não. Ameaçaram de vaiar elas quando forem apresentar.”

Ela nega que tenha havido qualquer chamado a boicote e diz discordar de quem sugeriu que grupos deixem de participar do evento. “Eu não acredito que artistas devam se calar e se retirar de nenhum local, de nenhum festival. O meu único intuito era ser ouvida, era que a minha classe fosse ouvida.”

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Relatos que se repetem

A publicação abriu espaço para relatos parecidos de outros grupos. Uma professora afirmou que o bloco das 20h só começou a dançar passando das 21h, com a feira fechada e mais de uma hora de atraso, sem que o grupo fosse encaixe. Outro relato descreve apresentação marcada para as 19h no Palco da Sapatilha, com a informação, ao chegar, de que o bloco das 16h ainda não havia terminado e a previsão de início era por volta das 22h; a solução foi transferir a coreografia para o palco externo da praça de alimentação. Há também queixas sobre ausência de banheiros, de água e de local para troca de figurino atrás do palco, e sobre crianças escaladas para horários avançados da noite.

A crítica mais dura partiu de um coreógrafo com perfil verificado, conhecido no meio da dança. “Esse festival se vende como vitrine, mas é vitrine vazia. Não tem formação, não tem bolsa, não tem caminho profissional. É sempre a mesma panela, as mesmas escolas, os mesmos rostos”, escreveu. Na direção oposta, outro coreógrafo ponderou que uma falha pontual não apaga o trabalho da estrutura inteira e que a organização assumiu o erro e tomou providências, o que, segundo ele, também precisa ser reconhecido.

O grupo infantil deve voltar a Joinville, por decisão das famílias e com suporte da organização, para se apresentar. A 43ª edição do Festival de Dança de Joinville segue até 1º de agosto e reúne mais de 16 mil participantes inscritos, com 14 palcos abertos gratuitos e mais de 6 mil apresentações previstas fora do Centreventos.

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