“Nem consegui fazer um velório decente, pois ele já estava em decomposição. A condenação não vai trazer a minha filha de volta, mas alivia um pouco o coração.”
O desabafo é de Rudnei, pai de Karize Ana Fagundes Lemos, e resume a dor de uma família devastada pela violência. Aos 33 anos, a advogada vivia uma fase de realizações: havia acabado de comprar um carro e de abrir o próprio escritório de advocacia em Caçador.

Seus sonhos, porém, foram interrompidos dentro de sua própria casa. Enquanto se recuperava de uma cirurgia nos rins e expressava a intenção de terminar o relacionamento, Karize foi covardemente enforcada com uma corda de sisal por seu companheiro, Eloid da Cruz Antunes. O criminoso ainda matou três dos gatos de estimação da vítima e ocultou o corpo dela em uma plantação de pinus a 150 km de distância, em Palmas, no Paraná.

A agonia de um pai e a condenação
O sofrimento provocado pelo crime abalou profundamente a saúde de seu Rudnei, que precisou passar por um procedimento de cateterismo cardíaco devido ao estresse e à angústia vividos ao longo dos 40 dias de buscas ininterruptas até a localização do corpo.

A resposta da Justiça veio após um julgamento de quase 15 horas no Tribunal do Júri de Caçador, que condenou Eloid a 31 anos e 10 meses de prisão por homicídio qualificado (com as qualificadoras de feminicídio, motivo torpe, asfixia e recurso que dificultou a defesa) e por ocultação de cadáver.
Para a família, a sentença não apaga a dor da perda e da impossibilidade de uma despedida digna, mas traz a certeza de que a impunidade foi evitada.

Provas e a crueldade do réu
Sustentada pelos Promotores de Justiça Diego Bertoldi e Marco Antônio Vargas Sandi, a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina detalhou a frieza do acusado. Após o assassinato, Eloid enrolou o corpo em um cobertor, abasteceu o veículo em um posto, fugiu sem pagar e seguiu viagem até ser preso dois dias depois em Guaíra, na fronteira com o Paraguai.
A localização dos restos mortais só ocorreu por meio do trabalho de inteligência com dados do celular do réu, com a identidade sendo confirmada por exames odontológicos.
O desfecho reforça os alertas das autoridades para o combate à violência doméstica, ressaltando a importância de identificar sinais de abuso e utilizar canais de denúncia como o Ligue 180 e o 190 antes que o ciclo resulte em tragédia.















