A repercussão sobre os vídeos ofensivos de um influenciador nordestino contra os catarinenses segue crescendo — e agora, o caso entrou oficialmente no radar das autoridades. Em meio à indignação popular, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), e a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) se manifestaram publicamente nos comentários de uma publicação feita pelo Jornal Razão no Instagram.
O conteúdo publicado pelo JR destacava trechos dos vídeos em que o influenciador chama os catarinenses de “porcos”, “burros”, “preguiçosos” e “racistas”, além de debochar da cultura e da origem da população do estado. O caso causou revolta generalizada entre os leitores e seguidores — entre eles, o próprio governador e a deputada, que frequentemente acompanham e interagem com os conteúdos do Jornal Razão.
Nos comentários, Jorginho Mello se dirigiu ao delegado-geral da Polícia Civil, Delegado Ulisses Gabriel, com a seguinte frase:
“@delegadoulisses vamos chamar pra trocar uma ideia.”
Pouco depois, o delegado respondeu:
“@jorginhomello já estamos tomando providências.”
A troca de mensagens pública sinaliza uma possível atuação conjunta entre o governo do estado e a Polícia Civil para investigar o autor dos ataques e avaliar possíveis medidas legais cabíveis.
Júlia Zanatta anuncia denúncia formal ao Ministério Público
Pouco tempo depois, a deputada federal Júlia Zanatta também reagiu, desta vez por meio de seus stories, onde declarou que já está preparando uma representação formal ao Ministério Público contra o responsável pelos vídeos.
“Já estou preparando uma representação no MP contra esse cidadão que procura SC para ganhar emprego, mas desdenha de nossa gente. Não ficará impune.”
Zanatta, que é uma das principais vozes na defesa da identidade cultural catarinense, já havia se manifestado em outras ocasiões sobre os impactos da migração em massa para o estado e o risco de importação de discursos que desrespeitam a população local.
O influenciador Murilo Lisboa entrou em contato direto com o Jornal Razão exigindo que os conteúdos publicados sobre ele fossem apagados.
Murilo alega estar sofrendo ameaças e pressiona o veículo de comunicação. Contudo, nas mensagens, o próprio influenciador admite que os vídeos ofensivos só foram removidos após a repercussão negativa.
Ele garante que, por ter excluído os vídeos de seu perfil no TikTok, já “fez a sua parte”.
Em nenhum momento houve arrependimento público, pedido formal de desculpas ou qualquer reconhecimento do impacto causado em milhares de catarinenses.
“Você não é alemão, é só um branco esquisito”
As frases ditas pelo influenciador foram consideradas por muitos como preconceituosas, agressivas e de teor discriminatório. Em um dos trechos mais compartilhados, ele ironiza a descendência europeia dos moradores de Santa Catarina:
“Porque eu sou alemão, porque eu sou polaco, porque eu sou não sei o quê. Você é brasileiro, meu amor. Você não é alemão, você não é polaco, você não é italiano. Você só é um branco esquisito.”
Em outro momento, diz:
“Sim, mona. Eu vim pra cá trazer tudo o que a Bíblia condena. Vim pra cá trazer o apocalipse pra vocês.”
E completa com xingamentos:
“Vocês, além de serem racistas pra um caralho, ainda ficam nessa loucura de dizer que nordestino veio pra cá que não quer fazer porra nenhuma. Se fuder, que é a gente que gira a economia do seu estado, seu lixo, sua porra.”
Justiça pode agir
Com a formalização da representação no Ministério Público anunciada por Zanatta, e o envolvimento direto do governador Jorginho Mello no caso, é possível que Murilo Lisboa venha a responder criminalmente pelas declarações feitas. O caso agora está nas mãos das autoridades.
Enquanto isso, o Jornal Razão mantém sua posição: não se trata de censura, e sim de responsabilidade. A liberdade de expressão não é licença para atacar povos inteiros, ainda mais quando o ataque parte de alguém que escolheu morar no estado que agora insulta.
O JR segue aberto à retratação — mas não ao apagamento da verdade.