Entre bandeiras vermelhas e capas de chuva, nem todo mundo estava no comício do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Florianópolis só por amor à causa. Em entrevistas feitas pelo Jornal Razão neste sábado (19), no entorno do ato, várias pessoas que seguravam bandeiras, entregavam panfletos e engrossavam a militância admitiram que estavam ali a trabalho, e pelo menos uma revelou quanto estava ganhando pelo dia.
“Tá aqui a trabalho”, confirmou um dos primeiros abordados pela reportagem. Perguntado sobre o valor, não hesitou: “Hoje 150”. Questionado se era apoiador do presidente ou estava ali pelo pagamento, resumiu que fazia as duas coisas. “Exato”, respondeu.
Outro participante também confirmou que estava trabalhando no evento, mas travou quando o assunto virou dinheiro. “Cara, não sei se eu posso citar essas informações”, disse. Mesmo assim, admitiu que o pagamento ajudava. “A trabalho também porque é o que eu acredito. Um dinheirinho extra é sempre bom.”
Em algumas abordagens, o clima mudou assim que a pergunta sobre valores apareceu. Um homem quis saber se a conversa estava sendo gravada e perguntou quem era o responsável pela reportagem, antes de encerrar com “eu não sei de nada disso”. Em outro momento, enquanto um grupo conversava com o JR, uma pessoa se aproximou para impedir a entrevista. “A pessoa tonta quer se entrevistar”, reclamou, enquanto os colegas desconversavam sobre quanto estavam recebendo.
Nem todos confirmaram pagamento. Um apoiador que inicialmente disse estar ali “a trabalho” corrigiu a versão logo em seguida e afirmou que atuava como voluntário. “É um trabalho, mas não quer dizer que eu vou ganhar nada financeiramente”, explicou. Segundo ele, o apoio era ao presidente e a uma candidata a deputada que ele identificou como Lírios.
A reportagem não conseguiu confirmar quem estaria pagando os participantes nem se os valores saíram de campanhas de candidatos, do partido ou de outra organização. Nenhum dos entrevistados que admitiram receber indicou a origem do dinheiro.
O comício foi marcado para a Praça Tancredo Neves, em frente à Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), no Centro da capital. Desde cedo, ônibus com militantes chegaram à cidade para o ato, realizado debaixo de chuva. O Jornal Razão segue na cobertura em Florianópolis.























